Marquesa de Santos não nasceu e nem viveu na Cidade? Conheça a história de Domitila de Castro

Por Santa Portal em 18/01/2026 às 06:00

A Marquesa de Santos foi uma figura ‘conhecida’ na corte do Imperador D. Pedro I, mas a relação com a Cidade ficou apenas na nomenclatura. Em sua vida, Domitila de Castro Canto e Melo nunca pisou em Santos. Não nasceu, muito menos viveu entre os santistas. O título foi um ato de provocação de D. Pedro I ao desafeto e santista José Bonifácio de Andrada e Silva.

Vamos aos fatos: antes de se tornar parte da corte real, Domitila era casada com o alferes Felício Pinto Coelho de Mendonça, oficial do 2º Esquadrão do Corpo de Dragões de Vila Rica-MG. E foi por causa desse casamento que a jovem de 25 anos teve uma audiência em São Paulo com o então príncipe regente Pedro Alcântara (futuro D. Pedro I).

Ela pediu a intervenção real para a anulação do matrimônio, contando que era constantemente espancada, chegando inclusive a ser esfaqueada. Não só conseguiu a dissolução, como passou a ser a principal amante de D. Pedro, que chegou a inseri-la na Corte, o que constrangeu amigos, servidores e a própria imperatriz Maria Leopoldina, sua esposa.José Bonifácio, amigo da regente, foi em sua defesa, atacando Domitila nos bastidores. D. Pedro contra-atacou. O santista tinha ideias progressistas e antiescravagistas, tendo muitos desafetos entre os nobres. Pressionado, o imperador o demitiu em julho de 1823. Depois disso, Domitila ingressou de vez na corte e ainda recebeu o título de Viscondessa de Santos, em 1825.

Era uma clara provocação e resposta aos ataques de José Bonifácio e depois ampliada por D. Pedro I no ano seguinte, que a ascendeu ao título de Marquesa de Santos. Em seu exílio na França, o ilustre santista comentou: “Quem sonharia que a michela (prostituta) seria viscondessa da pátria dos Andradas? Que insulto desmiolado!”

Apesar do título, Domitila, ou Titila, como D. Pedro I a chamava em cartas, nunca pisou em Santos. Sua única ligação com a Cidade foi em 1845, quando ajudou a viabilizar o equipamento público Chafariz da Coroação, encaminhando a vultosa contribuição – na época – de 400 mil réis.

Nos anos todos em que foi a Marquesa de Santos, até a sua morte, em 3 de novembro de 1867, ela nunca esteve na Cidade, talvez temendo não ser bem recebida pelos conterrâneos de José Bonifácio. Ao longo dos anos, algumas lendas procuraram contradizer esse fato.

Lendas urbanas

Nos anos 1940, falavam de um casarão existente na Avenida Conselheiro Nébias, entre as ruas 7 de Setembro e Bittencourt, referindo-se a ele como a Casa da Marquesa. Já nos anos 1950, dizia-se que havia uma espécie de castelo na Rua Júlio de Mesquita, entre as ruas Senador Feijó e Comendador Martins, para encontros com D. Pedro I. Mas os dois endereços não existiam em Santos na época em que Domitila era viva.

Há, também, a atribuição da casa na Serra do Mar, onde está o Pouso Paranapiacaba, na Estrada Velha de Santos. Mas a construção foi realizada em 1922, bem posterior aos encontros dela com D. Pedro I, que já estava em Portugal.

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