Painel debate importância da Agenda ESG no setor portuário: "Sustentabilidade virou business"

Por Rodrigo Martins em 25/03/2026 às 17:36

Luiza Pires/Santa Portal
Luiza Pires/Santa Portal

A Agenda ESG e Transição Energética nos Portos e na Navegação foi o tema do segundo painel da 3ª edição do ‘Navegando Com Elas’, na tarde desta quarta-feira (25), na sede da Associação Comercial de Santos (ACS). O debate foi mediado por Natalie Nanini, diretora de Jornalismo do Sistema Santa Cecília de Comunicação.

Cristina Castro, diretora interina na Antaq, falou que desde a sua entrada no órgão foi uma grande defensora da sustentabilidade, através da ESG. “Fui convencendo diretores sobre como transformar sustentabilidade em ESG. Estamos falando em meio ambiente, pessoas e governança. Ao regular, ao legislar, pensar em processos de fiscalização estou pensando em governança. Pessoas são o elo para que essa governança exista. A Antaq tem a maior base de dados do mundo no setor aquaviário. A gente está pensando em melhores práticas. para um inventário setorial, desenvolvendo a relação Porto-Cidade. A gente começa com estudos e projetos que vão olhando para pessoas, meio ambiente, e a partir disso pensarmos em políticas públicas claras”, disse.

Beatrice Dupuy, gerente executiva de comunicação corporativa e sustentabilidade na Santos Brasil, destacou que a sustensabilidade é essencial em todos os aspectos do setor portuário. “Faz muito tempo que estamos falando sobre isso. Sustentabilidade se transformou em business, mais ainda quando você tem investidor de fora. Não se pergunta mais se vamos ser sustentáveis. Hoje a pergunta é: como vamos ter ainda mais soluções sustentáveis. Isso também vende mais. A marca só atrai se ela realmente está fazendo uma sustentabilidade efetiva, com meta, prazo e sustentável. Algumas empresas falam muito, agem pouco. Trabalhar com sustentabilidade você tem que comprovar o que você fala, com metas claras e transparentes”, comentou.

Gabriela Heckler, gerente jurídica e de compliance da BTP, falou sobre os processos da empresa para ser uma incentivadora da sustentabilidae e da ESG. “A BTP pensa em contrato, classificação do fornecedor, instituimos perguntas. Queremos saber da empresa que está sob análise se ela possui políticas contra mão-de-obra escrava, trabalho infantil, compliance e um processo estruturado. Não é incomum ter que acionar compliance de uma empresa. Vamos estruturando o processo, formalização em contratos, com cláusulas robustas, e monitoramento ao longo da execução do contrato. Além de ser uma empresa séria, você precisa ter parceiros sérios. Quando se fala de ESG a gente passa do documental, preciso divulgar meus dados, estatísticas, elas precisam estar estruturadas dentro de uma visão de empresa. A BTP tem sustentabilidade como veia”, afirmou.

Luane Lemos, gerente de meio ambiente do Porto de Itaqui, acredita que o Brasil tem potencial para ser líder como fornecedor de energia sustentável. “Temos que olhar para a potencilidade, olhar para a oportunidade. Tenho discutido muito isso, essa discussão é muito fulcral no Brasil. Temos condições de sermos protagonistas em transição energética, podemos produzir e exportar. Não é uma briga econômica, ela é política e até geopolítica. A União Europeia não tem terra para produzir e para comer, ela importa. A gente tem para plantar, vender. Nós temos tudo. Temos anos de biocombustível, temos a tecnologia, dispomibilidade e matéria-prima. É uma questão de discussão geopolítica, de discutir isso”, analsou.

Já Ernesto Sampaio, diretor presidente da Companhia Docas de São Sebastião, comentou como o porto do litoral norte de São Paulo fez para se adequar dentro das normas de sustentabilidade. “Em dado momento, toda a agenda ESG surgiu anos atrás e as autoridades portuárias se perguntaram o que podiam fazer. Existem os parceiros privados, os arrendatários, para que a autoridade portuária se invista dessa responsabilidade e traga todos para conversar. Nem todos vão conseguir implantar, com portos que tem espaço para isso. É preciso customizar, existem diversas soluções para essa agenda ESG. O maior desafio é ter a solução que se encontra para cada porto, verificar o que a gente pode fazer. Em São Sebastião, por ser um porto pequeno, algumas soluções eram difíceis de serem implementadas. Entendemos que era necessário tomar pequenas providências. Primeira coisa: a gente criou incentivos tarifários para determinados navios que atinjam patamares estabelecidos. Outra coisa era que existia o conceito dos armadores para colocarem os navios de maneira mais rápida no canal do Porto, mas ficando na área de fundeio jogando resíduos no mar. Temos uma parceria com a Blue Vision, que a Sammarco intermediou, na qual estamos fazendo que os armadores ajustem isso, para sintonizar a chegada dos navios ao porto perto da hora de atracação. E estamos pensando em incentivos para caminhões que utilizem biodiesel, mas ainda estamos pensando em criar como incentivo”, finalizou.

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