Ex-diretora da Antaq defende presença feminina no setor portuário: "Naturalização do assunto"

Por Rodrigo Martins em 25/03/2026 às 18:08

Luiza Pires/Santa Portal
Luiza Pires/Santa Portal

Flávia Takafashi, ex-diretora da Antaq e especialista em regulação de transportes aquaviários, realizou a palestra de encerramento da 3ª edição do ‘Navegando Com Elas’, na tarde desta quarta-feira (25), na sede da Associação Comercial de Santos (ACS).

“Precisamos discutir os assuntos, falando de infraestrutura, regulação, do ESG e entender o que cada porto tem feito. Além disso, acredito que sobre a presença feminina, no setor portuário, precisamos falar disso sob três óticas: valor, técnica e naturalização”, disse Flávia, antes de expor o seu ponto de vista sobre o assunto.

“Representatividade é juízo de valor para o negócio. Temos a necessidade de cada vez mais investimentos em rodovias, um segumento que tem crescido cada vez mais, e a mulher tem um olhar diferente para esse tema. Creio que a presença feminina passa por isso: um setor como o portuário não pode se dar ao luxo de perder pessoas que agreguem valor nesse local. Essa é uma defesa que colou em mim quando fui escolhida para ser diretora da Antaq. Eu achei que era apenas uma diretora de agência, até que o então ministro Tarcísio de Freitas (atualmente governador de São Paulo), fez um tuíte falando que eu era a primeira diretora mulher da Antaq. Adorei ter feito parte disso. E, desde então, a representavidade colou em mim porque de fato eu acredito que precisamos ter pessoas cada vez mais aptas para gerar esse valor”, afirmou.

Sobre a parte técnica, a ex-diretora da Antaq defendeu a capacidade de trabalho das mulheres para a realização de avanços importantes no setor portuário. “A mulher entrega técnica, eficiência e trabalho duro. O setor passa por uma sofisticação e amadurecimento. Quando a gente olha o que era lá atrás, a gente vê o quanto avançou. Quando entrei na agência em 2010, nós tínhamos regulação que olhava especificamente alguns assuntos. A preocupação da norma era ver se os terminais tinham uma placa de ouvidoria, se tinha delimitação da cerca, se a parede estava furada. Hoje os problemas regulatórios são outros. Tivemos evolução da técnica e da sofisticação dos assuntos portuários”, exemplificou.

Flávia destacou que a presença feminina no setor portuário precisa ser cada vez mais tratada com naturalidade. “A realidade social é que a gente tem visto notícias cada vez mais alarmantes. Sou mãe de dois meninos e tenho responsabilidade na minha casa de criar homens fortes emocionalmente e respeitosos. A naturalização do espaço passa essencialmente por isso. As vezes a pessoa não está disposta, pois os desafios são enormes. A não naturalização por si só é uma barreira, como um caso que aconteceu no Rio de Janeiro, de um homem que matou uma chefe. Tem um exemplo de uma reunião na Antaq, com uma empresa e seu advogado, na agência eu tinha uma assessora mulher e dois assessores homens. Esse advogado chegou e ficou na reunião inteira olhando para o meu assessor. Ele me ignorava completamente. Chegou um momento que eu falei: não é comigo. Então deixei ele falar com o assessor. Me afastei, cruzei os braços e não falei absolutamente nada. Deixei acontecer, quando acabou, ele se despediu, eu levantei e fui embora. O assessor falou então (sobre a reunião) e eu disse que para mim a resposta era não. Não quis nem saber o que estava acontecendo. Falei: ‘não é você quem decide, sou eu: é não'”, relembrou.

No entanto, a ex-diretora da Antaq vê um avanço nesse tema e acredita que as mulheres estão cada vez mais ocupando espaços relevantes no segmento. “Essa discussão é importante para trazermos um olhar técnico, reforçando a contribuição que as mulheres podem dar para o setor. A abertura de atividades do setor deixa cada vez mais espaço para o diálogo e para debatermos a importância das mulheres no negócio”, concluiu.

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