27/01/2026

IPCA-15 desacelera a 0,2% e tem segunda menor alta para janeiro no Plano Real

Por Leonardo Vieceli/Folhapress em 27/01/2026 às 17:07

José Cruz/Agência Brasil
José Cruz/Agência Brasil

A inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) desacelerou a 0,20% em janeiro, após marcar 0,25% em dezembro, apontou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (27).

A alta de 0,20% é a segunda menor para meses de janeiro no Plano Real -a moeda passou a circular em julho de 1994. Nesse recorte, a taxa só é maior do que a registrada no primeiro mês de 2025 (0,11%).

O novo resultado ficou levemente abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,22%, conforme a agência Bloomberg.

O IPCA-15, por outro lado, acelerou no acumulado de 12 meses. Após marcar 4,41% até dezembro, alcançou 4,5% até janeiro.

É exatamente o teto da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Analistas afirmam que a aceleração se explica, em grande parte, por um fator estatístico. É que, em janeiro do ano passado, o IPCA-15 havia sido ainda menor com o desconto do bônus de Itaipu na conta de luz.

A medida teve atraso em sua incorporação à época e só entrou em vigor no começo de 2025.

A divulgação do IBGE ocorre um dia antes do desfecho da primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) em 2026. O colegiado do BC anuncia na quarta (28) o patamar da taxa básica de juros, a Selic, que está em 15% ao ano.

Agentes do mercado financeiro esperam que o Copom mantenha a Selic inalterada, adiando para março a previsão do início do ciclo de cortes.

“O Banco Central tem sido bastante cauteloso, e a gente imagina que ele vai continuar nessa reunião de janeiro”, diz o economista Leonardo Costa, do Asa, que atua no setor financeiro.

Segundo ele, os dados do IPCA-15 sinalizam um quadro melhor para a inflação no Brasil, mas o cenário internacional permanece “bastante tumultuado”, enquanto a economia do país ainda mostra sinais de força.

“Por esses fatores, o Banco Central deve optar pela cautela”, afirma.

A taxa de juros de 15% é uma tentativa do BC de conter a demanda que pressiona a inflação.

A Selic em patamar elevado dificulta o consumo de parte dos bens e serviços, porque o crédito fica mais caro. O efeito colateral esperado é a desaceleração da economia.

Alimentação volta a subir

Conforme o IBGE, o grupo alimentação e bebidas, que tem o maior peso no IPCA-15, acelerou o ritmo de alta dos preços na passagem de dezembro (0,13%) para janeiro (0,31%).

Dentro desse segmento, houve destaque para a alimentação no domicílio. Os preços da comida consumida em casa interromperam uma sequência de sete meses consecutivos de queda e mostraram avanço de 0,21% em janeiro.

Analistas afirmam que a pressão é sazonal. Os alimentos costumam subir entre o final e o começo de ano com os efeitos da demanda e do clima quente, que dificulta a produção no campo.

A alta de 0,21%, contudo, ficou bem abaixo da registrada em janeiro do ano passado (1,1%).

O IBGE citou os aumentos neste mês dos preços do tomate (16,28%), da batata-inglesa (12,74%), das frutas (1,65%) e das carnes (1,32%). Do lado das quedas, mencionou os recuos do leite longa vida (-7,93%), do arroz (-2,02%) e do café moído (-1,22%).

A alimentação fora do domicílio, em locais como bares e restaurantes, registrou alta de 0,56% em janeiro. Lanche (0,77%) e refeição (0,44%) ficaram mais caros.

Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados no IPCA-15, 2 mostraram quedas neste mês. Foram os casos de habitação (-0,26%) e transportes (-0,13%).

As altas dos demais grupos variaram de 0,05% em educação a 0,81% em saúde e cuidados pessoais. No segundo ramo, houve pressão dos artigos de higiene pessoal (1,38%) e do plano de saúde (0,49%).

IPCA-15 e IPCA

O BC persegue a meta contínua de inflação cujo centro é 3% no acumulado de 12 meses. O intervalo de tolerância é de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que significa teto de 4,5% e piso de 1,5%.

A meta se baseia no IPCA, também calculado pelo IBGE. O IPCA-15, por ser divulgado antes, sinaliza uma tendência para o comportamento dos preços no índice oficial.

Uma das diferenças entre os dois é o período de coleta dos dados. A apuração do IPCA-15 abrange a segunda metade do mês anterior e a primeira do mês de referência. No caso do índice de janeiro, o trabalho foi realizado de 13 de dezembro a 14 de janeiro.

Já a coleta do IPCA ocorre ao longo do mês de referência. Por isso, o resultado de janeiro ainda não está fechado. Será divulgado em 10 de fevereiro.

Na mediana, as projeções do mercado apontam IPCA de 4% no acumulado de 2026, de acordo com o boletim Focus, publicado pelo BC na segunda (26). Caso o número se confirme, mostrará uma desaceleração ante a taxa de 4,26% registrada em 2025.

Nesta terça, entra em vigor um corte de 5,2% no preço da gasolina vendida pelas refinarias da Petrobras para as distribuidoras.

A redução tende a aliviar a inflação se chegar até o consumidor nos postos de combustíveis. Isso porque a gasolina tem o maior peso individual na composição do IPCA.

Na avaliação da gestora Kínitro Capital, o IPCA-15 de janeiro confirma uma sequência de leituras favoráveis para a inflação. A instituição prevê IPCA de 4,1% no ano.

“Nesse cenário, avaliamos que o Banco Central deve optar por manter a cautela e iniciar o ciclo de cortes de juros em março, preservando uma comunicação flexível e dependente de dados para assegurar a ancoragem das expectativas”, acrescenta.

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