27/01/2026

São Paulo usará dinheiro de venda de Rodriguinho para pagar atrasos

Por Gabriel Sá/Folhapress em 27/01/2026 às 17:38

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

O São Paulo vai utilizar a maior parte do dinheiro arrecadado com a venda do meia Rodriguinho para quitar atrasos financeiros com jogadores do atual elenco. A medida faz parte de uma estratégia da nova gestão para regularizar pendências, especialmente relacionadas a direitos de imagem, que em alguns casos acumulam até três meses de atraso.

Nas últimas horas, o clube anunciou oficialmente a negociação de Rodriguinho com o Red Bull Bragantino. Pelo acordo, o Tricolor Paulista vendeu 80% dos direitos econômicos do jogador por 3 milhões de dólares. Desse total, 2,5 milhões de dólares (cerca de R$ 13 milhões) serão pagos à vista, enquanto os outros 500 mil dólares (aproximadamente R$ 2,6 milhões) estão previstos para janeiro de 2027.

A reportagem do UOL apurou que a maior fatia dos R$ 13 milhões que entram de imediato nos cofres do clube será direcionada justamente para o pagamento de dívidas em direitos de imagem com atletas do elenco profissional. A regularização desses valores é considerada prioridade pela nova diretoria, comandada por Harry Massis.

Colocar os compromissos financeiros em dia é uma das principais metas de Massis no comando do São Paulo. A ideia do novo presidente é apresentar ainda nesta semana um plano de pagamento aos jogadores, com prazos definidos e explicações claras sobre como o clube pretende honrar os débitos. Massis também buscará quebrar uma espécie de “tradição” recente do clube, que é manter constantemente um mês de direitos de imagem em atraso.

Crespo expôs atrasos

A situação financeira do São Paulo já havia sido exposta publicamente pelo técnico Hernán Crespo. Após a derrota no clássico contra o Palmeiras, o treinador foi sincero ao comentar como os problemas extracampo afetam o ambiente interno.

“Não pode pensar que o que está acontecendo fora não tem impacto dentro do time. Estamos falando de pessoas que há meses não ganham salário, trocou presidente, não tem CEO. Não tocaram no grupo, nos jogadores. Eles estão fazendo o melhor possível. Grupo bom, boas pessoas, que estão fazendo o máximo, que tranquilamente poderiam falar que, já que você não está me pagando há meses, vou embora”, disse Crespo.

Rafinha: ‘não podemos usar de muleta’

Por outro lado, o ex-lateral Rafinha, novo gerente esportivo do São Paulo, afirmou que o atraso nos pagamentos não pode ser usado como justificativa do elenco para os resultados negativos. Em entrevista coletiva concedida nessa terça-feira (27), ele falou sobre as “muletas” dos jogadores e relembrou que foi campeão em 2023 com salários atrasados:

“Conheço todos aqui. Mesmo time, mesmas pessoas. Sabemos do momento, no meu primeiro dia ja vi todo o movimento do presidente Massis. Todo o problema político, atraso de salários, não pode ser muleta para os jogadores. Fui campeão aqui com salário atrasado, em 2023. Não é algo normal, em nenhuma profissão. Entendemos o momento, respeitamos os funcionários, mas não podemos nos apoiar nisso. Sei o que cada um pode render, entregar dentro de campo. A gente sabe que incomoda, mas esse é o meu papel. Temos que fazer as coisas andarem dentro de campo, a recuperação começa com vitórias, atitude, postura. Vamos ter essa mudança, mas é tudo um processo” – afirmou Rafinha.

Além dos R$ 13 milhões previstos com a venda de Rodriguinho, o São Paulo também espera receber ainda nesta semana cerca de R$ 1 milhão referente ao empréstimo do volante Alisson ao Corinthians. O negócio, que já é dado internamente como fechado, depende justamente apenas do pagamento à vista para ser oficializado entre as partes.

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