05/06/2026

Parada LGBT+ completa 30 edições com 'mobilização extra' após queda de patrocínio

Por Leonardo Machado/Folha Press em 05/06/2026 às 17:03

Eduardo Knapp/Folha Press
Eduardo Knapp/Folha Press

Com dificuldades de conseguir patrocínio e orçamento mais curto, a Parada LGBT+ completa 30 anos neste domingo (7) prometendo levar dezenas de milhares de pessoas às ruas do centro de São Paulo.

Para os organizadores, a dificuldade de conseguir patrocínio e o orçamento mais curto levaram a uma “mobilização extra” da comunidade LGBTQIA+, com artistas abrindo mão de cachês.

O desfile dos 14 trios elétricos —quatro a menos que na edição anterior— vai começar às 10h na avenida Paulista, passando depois pela rua da Consolação.

Entre as atrações, o cortejo terá shows de Pabllo Vittar, Gloria Groove, Thiago Pantaleão e Melody.

Embora a edição seja comemorativa, colocar a 30ª edição da Parada de pé foi mais difícil neste ano, dizem os organizadores. Eles estimam uma queda de 60% no valor de patrocínios de empresas privadas em relação ao ano passado.

Para Matheus Emílio, 30, diretor e porta-voz da Parada, a redução se deve principalmente ao movimento “anti-woke”, que se opõe a causas progressistas e de diversidade.

“Há uma mudança nas políticas de diversidade, especialmente em multinacionais, que estão reduzindo aportes financeiros em causas específicas”, diz.

Nos últimos cinco anos, saíram da lista de patrocinadores marcas como Burger King, Jean Paul Gaultier, Mercado Livre, Sephora, Smirnoff, Terra e Vivo.

Marcas como Amstel e L’Oréal estão entre as patrocinadoras desta edição, com trios elétricos próprios. Os valores não foram divulgados por questões contratuais.

Segundo Emílio, a queda no orçamento levou artistas como Melody, Pepita e MC Sofia a abrirem mão de seus cachês.

“Houve uma mobilização de artistas para que o evento continue grandioso e mantenha sua relevância histórica”, diz.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) também diminuiu o investimento público no evento, passando de R$ 6 milhões em 2025 para R$ 5,5 milhões neste ano. A Parada LGBT+ faz parte do calendário oficial de eventos da cidade desde 2016. Nunes afirmou que não vai comparecer ao evento.

Os recursos foram destinados à infraestrutura, contratações de artistas e outras atividades relacionadas ao evento como a Feira LGBT+, que acontece no Vale do Anhangabaú a partir desta quinta-feira (4).

Segundo a organização, os custos para a realização da Parada chegam a R$ 3,5 milhões por ano, sem contar os recursos da prefeitura.

Diferente de outros grandes eventos na cidade, como a Marcha para Jesus (R$ 3 milhões) e a Anime Friends (R$ 5 milhões), a Parada LGBT+ também não contou com recursos oriundos de emendas parlamentares de vereadores da Câmara Municipal.

Como de costume em anos eleitorais, o tema principal será o voto da comunidade em candidatos que defendam as causas LGBTQIA+ e de diversidade. Dessa vez, o slogan será “A rua convoca, a urna confirma”.

“O objetivo central é incentivar o voto consciente em candidatos e candidatas que efetivamente lutem pelos direitos da comunidade LGBT+. Mas não defendemos nenhum partido específico”, diz Emílio.

Desde a primeira Parada em 1997, a comunidade conquistou avanços significativos, afrima ele. “Isso aconteceu principalmente pela via do Judiciário, como o casamento igualitário e a criminalização da LGBTfobia. Mas esses direitos ainda precisam ser ratificados pelo Legislativo na forma de leis.”

Nesta edição, o primeiro carro da Parada a desfilar se chama “A Rua Convoca”, com as anfitriãs da festa, Silvetty Montilla e Tchaka Drag Queen, recebendo Pepita, Urias e Diego Martins.

Gloria Groove e Thiago Pantaleão cantam no nono trio, organizado pelo grupo L’Oréal. O penúltimo, da Amstel, conta com Pabllo Vittar e Urias. Melody faz parte do carro final, “A Urna Confirma”.

Mesmo com as dificuldades, Matheus Emílio diz que a comunidade não abandonará a maior marcha do país em defesa dos direitos da população LGBT+.

“Muitas pessoas que não frequentavam há algum tempo disseram que querem retornar neste ano para defender a Parada e garantir que ela continue existindo e lutando por direitos”, diz.

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