Irã afirma que não aceita 'ultimatos' após Trump pressionar por um acordo
Por Folhapress em 02/02/2026 às 12:26
Após Donald Trump ameaçar o Irã com uma ação militar caso um acordo sobre o programa nuclear de Teerã não fosse feito, o país do Oriente Médio afirmou que “nunca aceita ultimatos”.
O que aconteceu
O Irã disse agir com honestidade e seriedade em processos diplomáticos, mas não acata ultimatos. A declaração foi dada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, durante uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (2).
Autoridades iranianas também não confirmaram se o líder americano apresentou um prazo para a negociação. Questionado se o Irã havia recebido uma data específica dos Estados Unidos, Baqaei disse que isso não poderia ser confirmado, justamente por não aceitarem ameaças.
Na semana passada, Trump havia dito que o tempo do país iraniano estava se esgotando. Sem apresentar publicamente um prazo, ele anunciou ainda que uma “armada maciça” estava indo em direção ao país, disposta e capaz de cumprir rapidamente sua missão se necessário.
Ele exigiu que o Irã fizesse um acordo rapidamente sobre seu programa nuclear se pretendia evitar um ataque. O republicano disse que no ano passado também alertou o país iraniano sobre um ataque, que foi realizado em junho contra instalações nucleares e recebeu o nome de Martelo da Meia-Noite. “O próximo ataque será muito pior! Não façam isso acontecer novamente”, acrescentou.
Apesar disso, o ministro das Relações Exteriores do Irã disse que estava confiante de que poderiam chegar a um acordo. À CNN neste domingo (1), Abbas Araghchi falou, no entanto, que havia perdido a confiança nos EUA como um parceiro de negociação. Segundo ele, a troca de mensagens estava sendo feita por países amigos.
Trump também declarou neste domingo (1) ver chances de acordos com Irã. Questionado sobre a advertência do aiatolá Ali Khamenei de que um ataque desencadearia uma guerra regional, Trump respondeu aos jornalistas: “É claro que ele vai dizer isso. Esperamos chegar a um acordo. Se não conseguirmos, então descobriremos se ele tinha razão ou não.”
Escalas de tensões
Governo Trump chegou a considerar um ataque a Teerã no meio do mês para conter protestos no Irã, que deixaram mais de 5.000 mortos. Na ocasião, durante a escalada de protestos no país, fontes da Casa Branca afirmaram ao “The Wall Street Journal” que um ataque era mais provável do que improvável.
Rivais árabes do Irã na região do Golfo Pérsico pressionaram os EUA a não intervirem nos protestos. Arábia Saudita, Omã e Qatar estão dizendo à Casa Branca que uma tentativa de derrubar o regime iraniano abalaria os mercados de petróleo e, em última análise, prejudicaria a economia dos EUA e também a dos próprios países, segundo autoridades árabes.
Os EUA, no entanto, já travam um embate há meses com o Irã devido a divergências sobre o programa nuclear de Teerã. Fontes iranianas disseram à Reuters na semana passada que Trump havia exigido três pré-condições para a retomada das negociações: enriquecimento zero de urânio no Irã, limites ao programa de mísseis balísticos de Teerã e o fim do apoio a representantes regionais.