Assassinato de Ruy Ferraz foi retaliação por prisões de assaltantes de banco, diz secretário
Por Paulo Eduardo Dias e Tulio Kruse/Folhapress em 14/01/2026 às 10:00
A principal hipótese para o assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, em setembro do ano passado em Praia Grande, é que o crime tenha sido uma retaliação por prisões que ele fez ao longo da carreira policial.
O secretário estadual de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou ter convicção de que essa foi a motivação para o crime ocorrido na Baixada Santista.
Nesta terça-feira (13), foram presos três suspeitos de participarem do apoio logístico e da intermediação das ordens de assassinato. Todos são apontados pela polícia como membros do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Os três presos – Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, 48 (o Careca ou Azul), Marcio Serapião de Oliveira, 52 (o Velhote), e Manoel Alberto Ribeiro Teixeira (o Manezinho ou Manoelzinho) – tinham histórico criminal ligado a assaltos a bancos, segundo autoridades policiais. Ruy Ferraz, por sua vez, foi responsável pela investigação e prevenção contra esse tipo de crime por muitos anos no estado.
“Todos eles tiveram contato direto com o Ruy na época em que foram presos por roubo a banco, e ficou essa mágoa”, disse Nico. “Hoje estou seguro para falar isso.”
O diretor do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), delegado Ronaldo Sayeg, ressaltou que a comprovação dessa hipótese virá da investigação, principalmente a partir da análise de aparelhos eletrônicos dos suspeitos, como celulares e computadores.
“A investigação não foi concluída. Essa é uma etapa com cumprimento de mandados, mas a investigação não terminou”, disse Sayeg, esclarecendo que a Polícia Civil ainda não descartou a hipótese de que o crime tenha sido motivado pela atuação de Ruy Ferraz como secretário municipal.
Um documento com informações que seriam usadas numa denúncia contra licitações no município de Praia Grande foi encontrado num computador do ex-delegado-geral. A polícia não encontrou, porém, nenhuma conexão entre essa denúncia e os suspeitos já denunciados por participação no assassinato.
A polícia conseguiu apurar que os cinco suspeitos – os três presos e dois foragidos – tiveram uma reunião em Mongaguá, também na Baixada Santista, em março do ano passado.
Esse encontro teria ocorrido no mesmo endereço de um bar próximo à casa de Manoel Teixeira, o Manezinho, onde ele foi preso. Dados coletados por antenas de celular apontaram para a localização dos suspeitos no mesmo endereço.
Os três suspeitos cumpriram pena em penitenciárias do estado de São Paulo. Segundo a polícia, todos foram soltos no ano de 2024.
Além dos três presos, há dois suspeitos foragidos. Um deles é Pedro Luiz da Silva Moraes, 54, o Chacal, apontado como integrante da Sintonia Final, a cúpula do PCC. A polícia afirma que Chacal teve participação direta na ordem de assassinato e viajou à Bolívia no dia seguinte ao crime.
O nome do outro suspeito foragido não foi divulgado para não prejudicar as buscas. A polícia diz acreditar que ele esteja na região metropolitana de São Paulo.
A reportagem conversou com um advogado que já representou Azul em outro processo na Justiça. Ele afirmou não ter autorização para falar em nome do cliente sobre o caso. A defesa dos outros suspeitos não foi localizada.
A investigação aponta que Ruy Ferraz foi monitorado por ao menos dois meses antes de ser assassinado. A reunião em março entre os cinco suspeitos ocorreu no mesmo mês em que foi roubado um dos carros usado no crime um Jeep Renegade cinza, que seria usado na fuga e teve de ser deixado para trás em Praia Grandepois ficou trancado com a chave no contato.
Impressões digitais de Fernando Teixeira, o Careca, foram encontradas no carro. Segundo a polícia, o Renegade ficou guardado num local próximo à casa do suspeito durante meses até ser usado no crime.
A chegada de outros suspeitos ao litoral, que teriam monitorado os passos de Ruy Ferraz e participado diretamente do ataque, teria ocorrido a partir de julho. Isso coincide com o furto de outro carro usado no crime: a Toyota Hilux onde estavam os criminosos armados com fuzis durante a emboscada.
A polícia não descarta a participação de outros mandantes. “Tem alguém acima [no planejamento do crime]? [A investigação] Pode, sim, depois chegar em outro manda-chuva lá. Mas isso vai depender do que a gente está fazendo hoje, com a apreensão de vários documentos, celulares, notebooks, que agora vão ser periciados”, disse a delegada Ivalda Aleixo, chefe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa.
Ruy Ferraz foi alvo de uma emboscada e morto com tiros de fuzil em Praia Grande, no litoral paulista, em setembro do ano passado. Ele era secretário municipal de Administração da cidade litorânea.
Segundo denúncia do Ministério Público de São Paulo, o assassinato foi ordenado pela cúpula do PCC. Oito já foram denunciados por participação no crime, investigado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
Sete suspeitos que, segundo a investigação policial, participaram diretamente do ataque, já foram denunciados sob acusação de homicídio qualificado, porte ilegal de arma de uso restrito e tentativa de homicídio de duas vítimas já que os disparos atingiram duas pessoas que estavam na rua, próximo ao cruzamento onde o carro de Ruy Ferraz foi interceptado.
A oitava denunciada responde pelo crime de favorecimento. Ela é acusada de transportar um fuzil para um homem suspeito de participar diretamente do ataque.
Quatro pessoas que chegaram a ser presas durante as investigações ficaram de fora da denúncia, e não estão entre os presos nesta terça.
Quem são os denunciados pela morte de Ruy Ferraz
Felipe Avelino da Silva
Flávio Henrique Ferreira de Souza
William Marques
Luiz Antônio Rodrigues de Miranda
Paulo Henrique Caetano Sales
Cristiano Alves da Silva
Marcos Augusto Rodrigues Cardoso
Dahesly Oliveira Pires
Quem são os novos suspeitos de participação no crime
Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, o Careca (preso)
Marcio Serapião de Oliveira, o Velhote (preso)
Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, o Manezinho (preso)
Pedro Luiz da Silva Moraes, o Chacal (foragido)