Estoques de sangue sofrem queda em períodos de férias e acendem alerta na Baixada Santista
Por Laura Andrade em 31/05/2026 às 18:00
Existem épocas específicas do ano em que a população costuma se mobilizar mais para exercer a solidariedade. No entanto, as autoridades de saúde reforçam que a doação de sangue não deve acontecer apenas em períodos de grandes campanhas, mas sim ao longo de todo o ano, já que os bancos de sangue dos hospitais precisam ser mantidos constantemente abastecidos para salvar vidas.
Muitas pessoas desconhecem, mas o ato é fundamental porque o sangue humano não pode ser fabricado artificialmente. Sem o voluntariado, não há estoque suficiente para o atendimento de pacientes que necessitam de componentes específicos para diversos tratamentos médicos de complexidade variada.
A partir de uma única bolsa de sangue coletada, é possível processar e produzir até quatro componentes sanguíneos distintos:
- Concentrado de hemácias: O componente mais conhecido, utilizado diretamente no tratamento de anemias severas, hemorragias agudas e durante procedimentos cirúrgicos;
- Concentrado de plaquetas: Indicado para pessoas com baixa contagem de plaquetas no organismo e que enfrentam alto risco de sangramentos;
- Plasma fresco congelado: Utilizado principalmente em pacientes diagnosticados com doenças hemorrágicas;
- Crioprecipitado: Destinado a prevenir ou tratar sangramentos graves em condições clínicas específicas.
Férias e feriados esvaziam os bancos de sangue
De acordo com o médico hematologista Dr. Edmir Boturão Neto, existem períodos sazonais crônicos em que o fluxo de doadores diminui drasticamente, comprometendo a segurança dos hospitais. O cenário atinge níveis críticos durante as festas de fim de ano, no Carnaval e ao longo das férias escolares de inverno e verão.
“Precisamos criar uma cultura na sociedade para fazer com que o estoque siga cheio o ano inteiro, sem pausas em datas comemorativas”, alerta o hematologista.
O médico também destaca a urgência de manter ações permanentes de conscientização na Baixada Santista. “É de extrema importância que existam campanhas de doação o ano inteiro para que os hospitais mantenham bons estoques de segurança. Precisamos incentivar e conscientizar as pessoas sobre o impacto real desse ato”, conclui.
Os perfis de pacientes que mais dependem dessas transfusões englobam atendimentos de urgência e emergência, como vítimas de acidentes de trânsito e traumas por violência, pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), centros cirúrgicos de grande porte (como cirurgias cardíacas) e procedimentos oncológicos. Pessoas em tratamento contra a leucemia e pacientes submetidos a sessões de quimioterapia também demandam transfusões frequentes de sangue e plaquetas.
Quem pode doar sangue?
Para se candidatar à doação de sangue, o cidadão deve cumprir alguns requisitos básicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. O voluntário precisa ter entre 16 e 69 anos (menores de 18 anos necessitam de autorização legal dos responsáveis), estar em boas condições gerais de saúde e manter hábitos de vida saudáveis.
Diferente do que muitos pensam, não é permitido doar sangue em jejum, o candidato deve fazer uma refeição leve antes do procedimento. Também é obrigatório evitar o consumo de bebidas alcoólicas nas 12 horas que antecedem a coleta, não estar sob efeito de determinadas medicações e checar o tempo de aptidão caso tenha tomado alguma vacina recentemente.
O Dr. Edmir Boturão Neto finaliza convidando os moradores da região a abraçarem a causa. “A doação é um ato puramente altruísta do qual todos os cidadãos saudáveis podem fazer parte”, incentiva.
Onde doar sangue em Santos?
As doações para abastecer o sistema de saúde local podem ser realizadas no Banco de Sangue da Santa Casa de Santos.
- Endereço: Avenida Dr. Cláudio Luiz da Costa, 50 – Jabaquara
- Horários de atendimento: Segunda a sexta-feira, das 7h às 16h; e aos sábados, das 7h às 11h.
- Documentação: É obrigatória a apresentação de um documento de identidade oficial com foto (RG, CNH ou Passaporte).