Superação marca história de pais que precisaram se reinventar na pandemia

Por Santa Portal em 08/08/2021 às 07:40

Imagem ilustrativa/Unsplash
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Os desafios da pandemia afetaram diretamente as famílias, que em tempos de isolamento, precisaram se readaptar às suas realidades. Além disso, também foi necessário aprender a lidar com perdas e momentos de aflição. Neste Dia dos Pais, Marco Fabrício Vieira, de 45 anos, relata sentir gratidão por poder passar a data com os filhos, após ficar internado com covid-19.

Ele, que é assessor da CET-Santos, está cheio de motivos para comemorar. Isso porque passou 30 dias intubado por conta de complicações da covid-19. Segundo os médicos, as chances de sobrevivência eram de 1%, mas para contrariar a estatística, hoje Marco poderá abraças Lorenzo e Maria Eduarda, seus filhos de 6 e 10 anos.

Marco esteve internado na Santa Casa de Santos em coma induzido, mantendo-se vivo e respirando à base dos medicamentos. “Dos 30 dias, eu só lembro dos pesadelos”, conta.

Agora, o pai vive um sonho. Além de ter superado a covid-19, ele poderá comemorar o Dia dos Pais em casa. “Graças a Deus, eu contei com o apoio da família e dos amigos, que oraram e fizeram muito por mim. Eu sou muito grato por estar passando o primeiro Dia dos Pais, depois disso, comemorando. Porque a vida precisa ser comemorada mesmo, principalmente nessa época de pandemia, em que tantos irmãos e amigos perderam a vida para essa doença ainda tão desconhecida”, reflete. 

Agora vacinado, ele conta que precisou ficar 40 dias longe da família, já que foram  30 dias intubado, dois em UTI e oito em recuperação física, motora e psicológica. Marco perdeu quase 30kg e após recuperar seu peso, teve problemas no corpo. “Tive que fazer fisioterapia por dois meses em casa, para recuperar a parte motora. Eu não tinha mais os movimentos das mãos, não conseguia nem escrever, nada”.

Por algum tempo, o pai não pôde aproveitar o tempo com os filhos, e agora recuperado, comemora. “Felicidade intensa. Vai passando um filme na cabeça da gente. Eu olhando e pensando ‘tô aqui’. Você começa a imaginar a vida deles sem você. Eu sei que no começo seria difícil, mas que eles iriam tocar de qualquer forma, porque a família é muito forte”.

Cuidando de outras sequelas da covid-19, hoje, Marco vive normalmente com a esposa, Juliana, os filhos e os mascotes da família: um gato, uma cadela e um porquinho-da-índia.

O ‘cara do crochê’

Outro pai que precisou se reinventar durante a pandemia foi Almir Nostre, de 57 anos. Aposentado e em isolamento social, ele encontrou no crochê a nova fonte de renda para a família. 

O aposentado é pai de Eduardo, de 13 anos, e marido de Nívia. Almir se aposentou como treinador comportamental, mas continuava atuando na área. Com a pandemia, a atividade que gera aglomeração precisou cessar.

Com a baixa na renda familiar, vieram as preocupações, afinal, tem um filho para cuidar. Foi quando o pai percebeu que sua esposa, que é artesã e faz crochê, começou a precisar de ajuda para dar conta das encomendas. 

“Eu olhei aquilo e pensei: ‘caramba, será que eu consigo ajudá-la de alguma maneira?’. Então eu perguntei para ela ‘como é que eu posso te ajudar? O crochê é difícil?’. Acho que foi aí que virou a chave, porque ela não respondeu que era ou que não era, ela perguntou ‘Você quer aprender?’”.

Foi então que ele decidiu aceitar o desafio, e logo descobriu uma nova habilidade, que mais tarde se tornaria a fonte de renda da família. “Eu nunca me imaginei fazendo crochê. Eu poderia imaginar que me tornaria um alpinista, um paraquedista, qualquer coisa, menos um cara que faz crochê”. 

Segundo ele, o filho Eduardo até estranhou. “Não pelo fato de ser crochê. Acho que ele estranhou o fato de eu me dedicar muito às peças e isso roubava muito o meu tempo com ele, o tempo que a gente passou a ter durante a pandemia”.

Com o passar dos meses e as habilidades de crochetar aprimoradas, Almir aprendeu a dosar as horas entre trabalhar e passar um tempo com o filhão. “Uma bolsa que eu demorava oito horas para fazer, agora levo duas”. Com a economia no tempo, as noites de filme de terror com pipoca não tinham motivo para não acontecer. “A gente é muito parceiro. Ele me ensina muita coisa e é mesmo um presente para mim”, ressalta Almir.

“A gente conseguia sobreviver antes, na quarentena, sem um sustento assim. Mas ele pensou em mim, pensou na minha mãe e nessa ajuda. Eu fico orgulhoso do meu pai”, disse Eduardo.

Ele conta que o pai é ‘mente aberta’, mas que nunca o imaginou crochetando. Mesmo assim, fica feliz diante do sucesso que as bolsas de crochê fazem nas feiras. “Fico feliz de pensar que eles estão vendendo os próprios produtos, ganhando o próprio dinheiro”.

E foi assim que Almir ganhou seu apelido de ‘Cara do Crochê’, em uma tentativa bem-sucedida de sustentar a família e, de quebra, encher seu filho de orgulho.

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