Protocolo contra violência à mulher amplia rede de proteção em bares e restaurantes de Santos

Por Santa Portal em 06/06/2026 às 18:00

Divulgação/PMS
Divulgação/PMS

Um gesto simples com as mãos pode ser decisivo para salvar mulheres em situação de risco. Em Santos, no litoral de São Paulo, o protocolo “Não se Cale”, adotado pelo município desde 2023, vem ampliando a rede de apoio em bares, restaurantes, casas noturnas, festas e outros estabelecimentos, capacitando funcionários para identificar pedidos silenciosos de ajuda e agir em casos de violência contra a mulher.

O chamado “Sinal para Ajuda” consiste em levantar uma das mãos com a palma voltada para fora, dobrar o polegar e, em seguida, fechá-lo com os demais dedos. Reconhecido internacionalmente, o gesto permite que vítimas peçam socorro de forma discreta em locais públicos.

A iniciativa faz parte de um programa do Governo do Estado de São Paulo que oferece capacitação gratuita e online para profissionais do setor. Os estabelecimentos participantes recebem cartazes informativos que devem ficar expostos em locais visíveis ao público. Em Santos, cerca de 50 estabelecimentos receberam orientações em 2025. Neste ano, outros 13 locais já foram atendidos.

Além do protocolo oficial, alguns estabelecimentos adotam estratégias próprias para acolher mulheres que se sintam ameaçadas. É o caso do Meu Lugar Bar, no bairro Estuário, onde as clientes podem solicitar um drink fictício aos garçons para indicar que precisam de ajuda.

“Já utilizávamos a estratégia do drink, mas, com a chegada do ‘Não se Cale’, conseguimos ampliar esse trabalho. Hoje, toda a equipe está treinada no protocolo oficial. Felizmente, nunca precisamos utilizá-lo, mas estamos preparados. É uma iniciativa muito importante, principalmente porque, infelizmente, a violência contra a mulher ainda é uma realidade nos dias de hoje”, afirmou o proprietário do estabelecimento, Gabriel Costa.

Outro local que aderiu ao programa é o Seventy, no Centro Histórico. O estabelecimento recebeu treinamento e mantém os cartazes do protocolo em áreas de fácil visualização, como banheiros femininos e corredores.

“Ficamos atentos a qualquer sinal de desconforto, seja no olhar ou na linguagem corporal. Já tivemos uma situação em que percebemos isso e fomos até a mesa verificar. Uma das principais orientações que aprendemos na capacitação foi justamente acolher a mulher e levá-la para um local seguro, onde ela se sinta protegida e confortável”, explicou o proprietário Pedro Fujarra.

Segundo as orientações do programa, ao identificar o gesto de pedido de ajuda, a recomendação é agir com discrição, acolher a vítima e acionar os órgãos competentes quando necessário.

“Ficamos atentos a qualquer sinal de desconforto, seja no olhar ou na linguagem corporal. Já tivemos uma situação em que percebemos isso e fomos até a mesa verificar. Uma das principais orientações que aprendemos na capacitação foi justamente acolher a mulher e levá-la para um local seguro, onde ela se sinta protegida e confortável”, explicou Pedro.

Como ajudar

Ao reconhecer o gesto silencioso de pedido de ajuda, o mais importante é manter a calma e agir com cautela para proteger a vítima. A vítima ou testemunha podem acionar um dos seguintes canais:

  • Central de Atendimento à Mulher: 180
  • Disque Denúncia: 181
  • Polícia Militar: 190
  • Delegacia de Defesa da Mulher de Santos: Rua Assis Corrêa, 50, Gonzaga. Telefone: (13) 3223-9670
  • Delegacia mais próxima de sua região
  • Para orientação jurídica gratuita e apoio legal, as vítimas também podem procurar:
  • Cadoj (Coordenadoria de Assistência Judiciária Gratuita e Orientação Jurídica ao Cidadão) – Rua General Câmara, 5, 14° andar – Centro Histórico – Telefone: (13) 3201-5632
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