PMs que mataram roupeiro durante Operação Verão em Santos são absolvidos
Por Santa Portal em 28/04/2026 às 10:00
A Justiça de São Paulo absolveu, nesta segunda-feira (27), os policiais militares da Rota, Diogo Souza Maia e Glauco Costa, acusados pela morte do roupeiro do Jabaquara, Allan de Moraes Santos, durante a Operação Verão, em Santos, no litoral de São Paulo.
De acordo com a decisão, os desembargadores entenderam que os policiais agiram em legítima defesa e, por isso, determinaram a absolvição sumária dos dois agentes. Por conta disso, eles não serão levados a julgamento pelo Tribunal do Júri.
De acordo com a decisão judicial, os policiais afirmaram que abordaram o veículo da vítima após receberem informações de que um suspeito estaria transportando armas. Ainda segundo a versão apresentada, a ordem de parada teria sido desobedecida e a vítima teria sido vista com uma arma de fogo, o que motivou os disparos.
A Justiça considerou que as versões dos policiais foram confirmadas por depoimentos e por elementos técnicos como a perícia e concluiu que houve reação diante de uma situação de risco. O relator do caso apontou que a decisão de levar os policiais a júri popular havia sido baseada em suposições que não se sustentaram nas provas reunidas.
A advogada Leticia Giribelo, que representa a família da vítima, informou que irá recorrer.
Relembre o crime
Allan morreu com ao menos seis tiros, entre disparos de pistola e fuzil, no Morro do Pacheco, em Santos. A denúncia foi baseada principalmente nas imagens das câmeras corporais dos PMs, que mostram vários momentos em que as gravações são bloqueadas e em que policiais se posicionam de costas para a cena do crime, deixando de filmar os momentos em que armas e uma cápsula teriam sido posicionadas na cena.
Policiais afirmaram que abordaram o veículo após receber uma dica do setor de inteligência da PM, informando que o suspeito estaria transportando armas no carro. Segundo a versão dos policiais, após uma viatura bloquear seu caminho, Allan teria tentado alcançar uma pistola no painel do carro mas foi alvejado antes que pudesse disparar. Em meio aos tiros, ainda avançou com o carro e colidiu com uma das viaturas da Rota.
As imagens não mostram Allan no momento em que ele foi alvejado. Mostram a pistola atribuída ao suspeito no momento em que ela já está no chão e o corpo dele no carro.
PM revelou ter apagado vídeo
Em dezembro do mesmo ano, foi divulgado que um policial militar da Rota confessou ter apagado imagens registradas por uma testemunha após a morte de Allan. A revelação foi gravada por uma Câmera Operacional Portátil (COP) de outro agente que estava em uma das equipes de apoio.
Nas imagens, um policial que estava em uma equipe de apoio afirma para o outro: “Ele fez um vídeo, já apaguei”. Quando questionado por um terceiro sobre quem fez o vídeo, o PM responde: “O frentista, já apaguei”. Os policiais estavam próximo a um posto de gasolina, ajudando a desviar o trânsito do local da ação.
PM da Rota confessa apagar vídeo após morte de suspeito; ação é investigada por alteração da cena dos fatos pic.twitter.com/bxxdLAASyB
— #Santaportal (@Santaportal1) December 7, 2024
À época, a advogada da família argumentou que os policiais simularam um confronto inexistente. “Allan não estava armado. Foi tudo forjado pela Rota”, afirmou a advogada. “Fica nítido, nas imagens das câmeras de rua, que o carro da vítima já estava sendo seguido desde a saída de seu local de trabalho, demonstrando que o crime foi premeditado e sem qualquer motivação legítima”.