Audiência de fisiculturista que espancou médica é desmembrada e será retomada em abril
Por Santa Portal em 15/01/2026 às 20:00
A audiência de instrução do processo que apura a agressão sofrida pela médica Samira Mendes Khouri, de 27 anos, foi realizada nesta quinta-feira (15), mas acabou sendo desmembrada e não teve conclusão nesta etapa. A informação foi confirmada pela advogada Ianca Santos, que acompanha o caso. Segundo ela, a sessão foi encerrada por falta de tempo hábil para ouvir todas as testemunhas arroladas.
De acordo com o advogado de defesa do fisiculturista Pedro Camilo Garcia Castro, Eugênio Malavasi, uma nova audiência já foi designada para o dia 9 de abril, às 15h, e ocorrerá de forma on-line. A decisão judicial levou em consideração a impossibilidade de ouvir duas testemunhas da defesa, o pai do réu e o psicólogo, que estão doentes. Diante dessas ausências justificadas, o juízo optou pelo fracionamento da audiência.
Durante a sessão realizada remotamente, foram ouvidos a vítima, uma policial militar, o porteiro/funcionário do prédio onde ocorreram os fatos, uma testemunha que estava na festa e a maioria das testemunhas de defesa. O Ministério Público (MP) desistiu de ouvir outras testemunhas, entendendo que os depoimentos colhidos já são suficientes para a formação de sua convicção.
Acusação e estratégia da defesa
O fisiculturista de 25 anos foi denunciado pelo MPpor tentativa de feminicídio, com emprego de meio cruel e motivo fútil. A acusação sustenta que o réu agiu com intenção homicida, motivado por ciúmes, e que o crime só não se consumou por circunstâncias alheias à sua vontade, como o rápido e eficiente atendimento médico prestado à vítima.
A defesa, por sua vez, busca a desqualificação do crime para lesão corporal, argumentando que não houve dolo de matar. O antigo defensor também alegou problemas de saúde do réu, incluindo Transtorno Alimentar de Bulimia Nervosa. Um relatório psicológico anexado aos autos menciona ainda abuso de anabolizantes, esteroides e medicamentos psiquiátricos, além de apontar que Pedro não deu continuidade ao acompanhamento psicológico indicado.
Caso seja condenado nos termos da denúncia, o réu poderá cumprir uma pena que varia de nove a 40 anos de reclusão.
Entendimento do MP
Na denúncia, classificada como sucinta, clara e objetiva, o promotor de Justiça Marcelo Alexandre de Oliveira afirmou que Pedro agrediu a vítima de forma “violenta”, com “inequívoca intenção homicida”. Segundo o MP, o ataque ocorreu na madrugada do último dia 14 de julho, após o casal retornar de uma balada, onde o acusado teria tido uma crise de ciúmes.
“O crime foi praticado por motivo fútil, eis que o denunciado tentou matar S.M.K. por ciúmes. Ao golpear a ofendida diversas vezes, Pedro aumentou o sofrimento da vítima de forma desnecessária, utilizando-se, portanto, de meio cruel”, descreveu o promotor, que enquadrou o caso no artigo 121-A do Código Penal, que trata do feminicídio.
Prisão mantida
A juíza Luciana Menezes Scorza, da 4ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, recebeu a denúncia e manteve a prisão preventiva do réu, entendendo que os requisitos legais estavam presentes. A defesa do fisiculturista impetrou habeas corpus, mas a 7ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP, por unanimidade, considerou que a preventiva é justificada pela gravidade concreta do delito e pelo risco à ordem pública.
A médica sofreu múltiplas fraturas no rosto, precisou colocar placas de titânio, perdeu 50% da visão do olho esquerdo, teve o nariz quebrado e ficou 12 dias internada em UTI. Além das sequelas físicas, ela destacou os impactos emocionais permanentes do ataque.
“Quando eu lembro dele, automaticamente eu lembro a dor que eu senti na hora. Como estava tudo fraturado, o meu nariz também estava fraturado em dois lugares diferentes, eu sentia muita dor. Não sei como alguém é capaz de fazer isso com outra pessoa, principalmente alguém que ele falou que amava. Eu sinto muita raiva, quero que ele seja punido pelo que aconteceu, ele tentou me matar. Quero que ele seja incriminado por isso”, disse em entrevista à Santa Cecília TV.
Ainda conforme o colegiado, medidas cautelares alternativas são insuficientes no caso. Apesar da fuga do local do crime, Pedro foi preso em flagrante por policiais militares, horas após o delito, em Santos. A violência dos socos foi tamanha que Pedro fraturou a própria mão esquerda.
Na audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva por tentativa de homicídio. O juiz classificou a conduta do agressor como marcada por “covardia, descontrole emocional e periculosidade concreta”.
A retomada da audiência, em abril, deve marcar a reta final da fase de instrução do processo, etapa fundamental para que o Judiciário avance para as alegações finais e, posteriormente, para o julgamento do caso.