Vigilância Sanitária endurece fiscalização e amplia interdições na Baixada Santista
Por Beatriz Pires em 06/06/2026 às 06:00
Impulsionadas por denúncias que viralizam nas redes sociais, as Vigilâncias Sanitárias da Baixada Santista intensificaram as fiscalizações em mercados, açougues, padarias e lanchonetes em 2026. Dados de janeiro a maio mostram um aumento das ações de controle e uma resposta mais rápida das autoridades diante de situações que colocam em risco a saúde da população.
O endurecimento da fiscalização também aparece nos números. Em São Vicente, mesmo com a queda de 46,6% nas denúncias, de 339 registros entre janeiro e maio de 2025 para 181 no mesmo período de 2026, o número de interdições cresceu 300%, passando de duas para oito. No mesmo intervalo, a Vigilância Sanitária realizou 1.044 inspeções e aplicou 74 penalidades administrativas.
Esse movimento já resultou em interdições importantes na região. Em Praia Grande, um atacadista foi fechado após vídeos mostrarem ratos e pombos circulando pelas dependências do estabelecimento. A fiscalização realizou 653 inspeções entre janeiro e maio deste ano, contra 599 no mesmo período de 2025, um crescimento de cerca de 9%. A atuação conjunta das secretarias municipais resultou em operações de grande repercussão e interdições motivadas por problemas de higiene e presença de pragas.
Já em Santos, uma investigação revelou a manipulação de carnes deterioradas para revenda. Embora o número de denúncias tenha caído de 160 para 81 registros, uma redução de aproximadamente 49%, a Vigilância Sanitária manteve atuação ativa, com 17 autos de infração lavrados até maio.
Consumidor mais atento
O engajamento da população também tem impactado cidades menores. Em Bertioga, as denúncias cresceram 7%, passando de 198 para 212 registros. Todas as reclamações recebidas foram apuradas, alcançando índice de 100% de efetividade. O trabalho resultou em 623 inspeções, 22 autos de infração, 18 sanções administrativas e duas interdições.
Em Peruíbe, as denúncias aumentaram 15,2%, saltando de 66 para 76 ocorrências. O setor de alimentos concentrou 31,6% das reclamações encaminhadas à Vigilância Sanitária, evidenciando uma população mais atenta à qualidade dos produtos comercializados.
Em Guarujá, as operações ampliaram o escopo das fiscalizações e passaram a verificar até mesmo a procedência do gelo utilizado em bares e lanchonetes. Em uma megaoperação realizada em março, foram realizadas 37 vistorias em apenas um fim de semana, resultando na emissão de 93 atos administrativos, incluindo autos de infração e inutilização de produtos considerados impróprios para consumo.
Irregularidades vão além da higiene
As inspeções revelaram que os problemas não se limitam à presença de pragas ou à falta de limpeza. Em diversas cidades, os fiscais encontraram falhas estruturais e documentais que comprometem a segurança sanitária.
Entre as principais irregularidades identificadas estão:
- Falta de licenças obrigatórias para funcionamento;
- Ausência de certificados de manipulação de alimentos;
- Áreas de produção inadequadas;
- Banheiros instalados próximos aos locais de preparo;
- Problemas no armazenamento de alimentos;
- Falhas em certificados de dedetização e limpeza.
Em São Vicente, a ausência de documentação obrigatória figura entre as principais causas das penalidades aplicadas neste ano.
Já em Mongaguá, o rigor das punições aumentou significativamente. O número de autos de infração triplicou, passando de dois registros em 2025 para seis em 2026. O município também aplicou quatro multas e realizou uma interdição no período.
De acordo com os órgãos municipais, a gravidade de algumas ocorrências levou ao acionamento de instituições como o Ministério Público e o Procon.