"Supergripe" avança na Baixada Santista; infectologista explica mutação do H3N2 e reforça vacinação

Por Beatriz Pires em 21/04/2026 às 06:00

Paulo Pinto/Agência Brasil
Paulo Pinto/Agência Brasil

A Baixada Santista acendeu o alerta para o avanço da Influenza A (H3N2), apelidada de “supergripe”. Municípios da região relatam aumento na procura por atendimentos por síndromes gripais e crescimento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) durante o primeiro trimestre de 2026.

A infectologista Elisabeth Dotti explica que o período sazonal de maior circulação de vírus respiratórios, aliado a uma mutação do H3N2, tornou o vírus mais transmissível e capaz de escapar parcialmente da imunidade. O cenário é agravado por índices de cobertura vacinal que ainda precisam avançar.

“Essa subvariante é mais transmissível. Cerca de três a cinco dias após o contato com o infectado, o paciente já apresenta os primeiros sinais da doença, diferentemente do que acontece em casos de resfriado comum, cujo período de incubação é maior”, afirma a profissional.

Aumento de casos da Supergripe na Baixada Santista

Embora não seja uma cepa necessariamente mais letal, a alta transmissibilidade tem provocado uma corrida às unidades de saúde. Em Itanhaém, as notificações de SRAG saltaram de 4 em março de 2025 para 19 casos no mesmo período de 2026.

Cenário semelhante é observado em São Vicente, onde o número de atendimentos por sintomas gripais praticamente dobrou em março, atingindo 520 pacientes. Em Mongaguá, a demanda por casos graves na UPA saltou de 137 para 222 atendimentos mensais.

Outros dados da região confirmam o avanço:

  • Guarujá: Casos confirmados de Influenza A (H1N1) passaram de zero para 10 na primeira quinzena de abril;
  • Praia Grande: Registrou 26 quadros graves (SRAG) no acumulado do ano.

Vacinação e prevenção

As autoridades de saúde reforçam que a vacinação é a principal barreira contra a subvariante. O imunizante atual é eficaz e garante proteção para cerca de 98% dos vacinados. Na Baixada Santista, o ritmo de imunização varia:

  • Santos: Quase 35 mil doses aplicadas;
  • Mongaguá: Cerca de 7% de cobertura vacinal em 2026.

Além da vacina, a recomendação é retomar o uso de máscaras em locais fechados e manter a higienização rigorosa das mãos. “Os sintomas iniciais incluem coriza, mal-estar e febre. Casos graves podem evoluir para a síndrome da angústia respiratória, com risco de morte”, alerta a infectologista.

Elisabeth reforça que o comportamento do vírus exige prevenção rigorosa. “As pessoas precisam entender que vacina é saúde, e saúde está acima de qualquer ideologia. Não faz sentido sofrer com uma doença que pode ser prevenida por imunização”, conclui.

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