Protesto cobra respostas e aponta precariedade após morte de trabalhadora no Porto de Santos

Por Santa Portal em 17/01/2026 às 06:00

Reprodução/Santa Cecília TV
Reprodução/Santa Cecília TV

Vestidos de branco e segurando cartazes, familiares, amigos e colegas de trabalho de Denise dos Santos, de 40 anos, se reuniram na tarde desta sexta-feira (16) na Avenida Perimetral, em Santos, no litoral de São Paulo, para cobrar respostas sobre a morte da auxiliar de mecânica dentro de um terminal portuário.

O protesto aconteceu próximo à empresa onde Denise trabalhava e contou com o apoio da Guarda Portuária. Os manifestantes formaram uma roda, rezaram, cantaram e chegaram a interditar parcialmente a via. Para familiares e colegas, o que aconteceu com Denise não pode ser tratado como um acidente.

Denise dos Santos era auxiliar de mecânica na empresa portuária CLI e havia iniciado o trabalho no terminal especializado em grãos há cerca de 45 dias. Na noite da última segunda-feira (12), ela caiu de uma passarela com aproximadamente 25 metros de altura, durante uma atividade de inspeção mecânica.

Imagens obtidas após o ocorrido mostram grades enferrujadas, que teriam cedido no momento da queda. Familiares afirmam que o local apresentava sinais de sucateamento e falta de manutenção, o que teria colocado em risco outros trabalhadores do terminal.

A irmã da vítima, Simone Freire, afirmou que a família ainda não recebeu respostas claras sobre o que aconteceu naquela noite e questiona o tempo entre a queda e o resgate.

“Quero que eles me deem uma resposta de tudo o que aconteceu com a minha irmã. Eu preciso saber se realmente ela caiu. Funcionários já me relataram que ela caiu às 19h30 e o corpo só foi encontrado às 21h30”, disse.

Segundo Simone, a família precisou recorrer às redes sociais para obter informações e apoio, já que, de acordo com ela, houve demora no retorno das autoridades e da empresa.

“Eu ainda não tive resposta de nenhuma autoridade portuária. Foi a minha irmã, mas poderia ter sido qualquer outro funcionário”, afirmou.

Denise deixou três filhos: Nicole, de 19 anos, Júlia, de 16, e Enzo, de 13. Familiares relatam que trabalhar no porto era um sonho antigo da auxiliar de mecânica, que investiu em cursos e estudos para conquistar a vaga.

“Era um sonho da minha mãe trabalhar no porto. Ela estudou muito para passar nisso. Lembro de cada noite que ela tinha ficado acordada, que eu ficava esperando para pegar o celular dela”, relembrou Enzo.

O que diz a empresa

Em nota, a CLI informou que, no momento do ocorrido, Denise realizava uma atividade rotineira de inspeção mecânica. A empresa afirmou que a ausência da colaboradora no ponto de encontro da equipe chamou a atenção dos colegas, que iniciaram imediatamente as buscas na área.

Segundo o comunicado, um mecânico encontrou Denise e acionou a brigada de emergência. Foram realizados 45 minutos de manobras de reanimação, a área foi isolada e as operações suspensas. A CLI informou ainda que contratou uma consultoria especializada em segurança para conduzir uma investigação independente.

Em nova nota, a empresa declarou que respeita o direito de manifestação, lamenta profundamente o falecimento da colaboradora e reforça que as investigações seguem em andamento, afirmando que qualquer conclusão neste momento é prematura.

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