Túnel da Rota: passagem para fugas em batalhas no século passado vira museu subterrâneo
Por Santa Portal em 18/01/2026 às 07:00
Sob o pátio de um dos quartéis mais conhecidos de São Paulo, há uma passagem que atravessou o tempo. Um túnel escavado no fim do século XIX para a movimentação de tropas e que foi projetado para a guerra. A passagem é um pedaço pouco visível, guardado abaixo do nível da rua e longe do olhar de quem passa pelo 1º Batalhão de Choque da Polícia Militar, onde fica a Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota).
O Quartel da Luz, projetado por Ramos de Azevedo, começou a ser construído em 1889 com inspirações na arquitetura militar europeia, com traços da cultura medieval. O local onde fica o túnel, que foi interditado com o passar dos anos, abriga atualmente um museu subterrâneo com peças que ajudam a contar a história do batalhão de elite da PM.
O acervo em exposição faz parte do roteiro de visitação da Rota e atrai pessoas de todas as idades e de outros estados. “Vim passar uns dias na casa do meu tio aqui em São Paulo e aproveitei para conhecer o quartel. É tudo muito bonito”, disse Joseval Maurício, de 51 anos, que é policial militar de Pernambuco.
O túnel é a parte mais aguardada do tour pelo batalhão, última parada do roteiro. Ele foi projetado para realizar a ligação entre quartéis vizinhos na época, servindo como rota de fuga e movimentação estratégica em casos de ataques às tropas, que participaram ativamente da Revolução de 1924 e da Revolução Constitucionalista de 1932. O local também permitia emboscadas surpresas e o reabastecimento dos combatentes.
Mesmo escondido, esse pedaço da Rota já era conhecido pelo Jordan, de 6 anos. “Ele já via esse túnel pelas redes sociais e queria ver pessoalmente. O motivo da minha vinda aqui é ele”, diz Wilson Lima, pai do menino. “Não tem quem tire da cabeça de que ele será policial um dia”, revelou o pai.
O passeio pela história do quartel tem duração de quase uma hora. Também é possível conhecer monumentos históricos que remetem a trajetória do batalhão, como os bustos do Brigadeiro Tobias de Aguiar, fundador da Polícia Militar, do coronel Salvador D’Aquino, fundador da Rota, do capitão Alberto Mendes Júnior, patrono da PM, além das homenagens aos policiais da unidade e aos soldados mortos na Guerra de Canudos e na Revolução de 1932.

Foto: Divulgação/Governo de SP
José Lorenzo, de 8 anos, ficou fascinado com as curiosidades que o passeio reserva. “Ele nem dormiu de ansiedade, a todo momento ficava perguntando se já estava na hora. Está indo embora encantado”, disse o pai José Aparecido Soares. Fã da Polícia Militar, o menino fez um desenho da fachada da Rota e entregou a um dos policiais que realizavam a apresentação.
As visitas são gratuitas e acontecem às sextas-feiras e sábados, às 10h. As inscrições podem ser feitas por meio do e-mail visitarota@gmail.com, colocando o nome completo, CPF, RG e a data de interesse, sendo que no dia é necessário levar um documento com foto. Crianças podem entrar acompanhadas de um adulto responsável.
“Os policiais daqui estão de parabéns. Fui muito bem recebido. Essa visita é até uma maneira que a polícia tem para interagir com a sociedade”, complementou Joseval.
Em 2025, o tour reuniu cerca de 4,5 mil pessoas. “Estamos de portas abertas para receber o público de São Paulo e de outros estados que têm curiosidade em conhecer esse edifício tombado da cidade. A Rota faz parte do passado e do presente do estado, então é uma ótima oportunidade para conhecer a nossa história”, disse o 1º tenente Bruno Souto, chefe da seção de Comunicação Social da Rota.
