Mongaguá notifica dois casos suspeitos de mpox; um paciente é transferido para hospital de referência
Por Santa Portal em 28/02/2026 às 06:00
A Prefeitura de Mongaguá, no litoral de São Paulo, notificou dois casos suspeitos de mpox no município nesta quinta-feira (26). As amostras foram coletadas no mesmo dia e encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz (IAL), laboratório de referência do Estado. O resultado é aguardado em até quatro dias úteis. A Baixada Santista já confirmou dois casos, ambos em Santos.
Um dos pacientes foi internado no Pronto-Socorro Central no dia 26. Na sexta-feira (27), devido à extensão das lesões, foi transferido para o Hospital Emílio Ribas, em Guarujá, unidade especializada em doenças infectocontagiosas, para acompanhamento.
A outra paciente permanece em isolamento domiciliar, com monitoramento diário da Vigilância Epidemiológica municipal. Segundo a Secretaria de Saúde, há acompanhamento clínico e rastreamento de comunicantes, conforme os protocolos sanitários vigentes.
A administração municipal afirma que todas as medidas de vigilância e controle estão sendo adotadas e que novas informações serão divulgadas após a liberação dos exames.
A transmissão da mpox ocorre por contato direto pessoa a pessoa (pele e secreções) e/ou por exposição próxima e prolongada a gotículas e outras secreções respiratórias. No aparecimento de sintomas, a pessoa deve procurar a policlínica de referência do local de moradia.
Cenário no Estado
De acordo com o painel epidemiológico do governo paulista, o Estado registra 59 casos confirmados de mpox em 2026, além de um provável e 162 suspeitos em investigação. Duas confirmações ocorreram em Santos. No mesmo período do ano passado, janeiro e fevereiro de 2025 somaram 126 casos no Estado, sendo 79 em janeiro e 47 em fevereiro.
Em Santos, dois casos foram confirmados em janeiro deste ano, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Ambos os pacientes apresentaram boa evolução clínica e receberam alta ainda no primeiro mês. Em 2025, o município havia registrado outros dois diagnósticos.
O Santa Portal questionou as demais admnistrações municipais da Baixada Santista sobre casos suspeitos de mpox e aguarda retorno.
Monitoramento e transmissão
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) informou que mantém monitoramento contínuo do cenário epidemiológico e articulação permanente com as secretarias municipais.
Segundo a pasta, os serviços de saúde realizam identificação precoce, notificação e investigação de casos suspeitos, com testagem e acompanhamento clínico, além do rastreamento e monitoramento de contactantes, conforme protocolos técnicos. No âmbito estadual, a SES-SP coordena e consolida as ações de vigilância e resposta para assegurar rapidez na detecção e conter sinais de transmissão ampliada.
O que é a mpox?
A mpox era anteriormente conhecida como “monkeypox” (varíola dos macacos, em português). Segundo a infectologista Flávia Falci, do Grupo Santa Joana, é uma infecção causada pelo vírus Mpox, que pertence à família do gênero orthopoxvirus, o mesmo da varíola.
Os sintomas iniciais são febre, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos. Depois, pode evoluir para a chamada fase eruptiva, explica a médica, que é quando apresentam-se lesões na pele que são progressivas: começam avermelhadas, viram uma vesícula, mais amareladas e depois se tornam crustas. Elas podem ocorrer em face, região genital, perianal, palmas de mão e do pé e mucosa; casos graves podem evoluir com manifestações neurológicas e oculares.
A mpox existe há décadas em países da África, principalmente na República Democrática do Congo. Mas foi a partir de 2022 que ela se tornou mundialmente conhecida, com o início do surto global que segue até hoje, diz o infectologista Dyemison Pinheiro, mestre em saúde coletiva e assistente no pronto-socorro do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
O médico explica que a doença é causada por um vírus que se divide em dois clados, que são agrupamentos de espécies semelhantes com ancestral evolutivo comum. Os clados 1 e 2 se dividem em dois subclados: 1a e 1b, 2a e 2b.
“Essa avaliação indica a circulação do vírus. Classicamente, por exemplo, o 1a circula entre países da África Central e o 2b foi primeiro detectado na Nigéria, que seguiu causando infecção entre humanos e é o principal responsável pelo surto global de 2022 até o momento”, diz Pinheiro. Os sintomas causados pelo clado 1b tendem a ser mais exacerbados em pessoas mais vulneráveis ao vírus, com déficit de imunidade, complementa.
Como a doença é transmitida?
A transmissão ocorre principalmente por contato físico direto com as lesões antes do período de cicatrização, seja esse contato sexual ou não, diz Pinheiro. O período de incubação pode variar entre poucos dias até cerca de três semanas. “É indicado o isolamento até a completa cicatrização de todas as lesões, a fim de evitar a transmissão para outras pessoas”, afirma.
A doença também pode ser transmitida mesmo antes de se apresentar qualquer tipo de sintoma ou por pacientes assintomáticos, explica Falci. O contato com fluidos corporais, como saliva, sangue, sêmen, da mãe para o bebê ou através de objetos contaminados também é frequente; a infecção por gotículas respiratórias pode acontecer, mas é menos comum. A médica diz que já existem relatos de transmissão de animais para pessoas, principalmente alguns surtos anteriores.
“A população de maior risco inclui homens que fazem sexo com homens, pessoas que vivem com HIV/Aids, pessoas imunossuprimidas, crianças pequenas e gestantes”, afirma Falci. “No caso das gestantes, principalmente também pelo risco de transmissão vertical e complicações para os fetos.”
Apesar de haver estudos avaliando tratamentos específicos para mpox, diz Pinheiro, eles não mostraram a efetividade esperada. Assim, o tratamento hoje é feito apenas com terapia de suporte, sem opções de tratamento específico.
Como se previnir?
Os médicos dizem que a melhor forma de prevenção para a doença é a vacina. O imunizante está disponível no SUS para pessoas maiores de 18 anos que vivem com HIV/Aids, usuários de PrEP e profissionais de saúde que têm contato com o vírus.
No entanto, Pinheiro diz que as vacinas têm sido insuficientes, o que resulta em uma baixa cobertura vacinal. “Temos observado no dia a dia um aumento no número de casos suspeitos e confirmados, inclusive do clado 1b, pouco identificado em circulação no Brasil. O Carnaval, que comumente tende a apresentar um maior contato físico entre as pessoas, nos deixa em estado de alerta”, diz.
Ele orienta que, se observadas lesões na pele, associadas ou não a sintomas como febre, dor no corpo e aumento de gânglios, é preciso evitar contato com outras pessoas e procurar um infectologista para avaliação.
Outras formas de prevenção, indica Falci, são mudanças comportamentais em relação às parcerias sexuais. Em ambientes hospitalares, ela diz ser importante o uso de equipamento de proteção pelos profissionais, além da higiene rigorosa do ambiente em que o paciente foi atendido.