Santos confirma dois casos de mpox em 2026; Estado soma 44 registros neste ano

Por Santa Portal em 20/02/2026 às 20:00

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Santos confirmou dois casos de mpox em janeiro de 2026, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. No Estado de São Paulo, já são 44 casos registrados neste ano até esta quinta-feira (19), conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP). As demais cidades da Baixada Santista informaram que não registraram casos da doença.

De acordo com a prefeitura, os dois pacientes de Santos apresentaram boa evolução clínica e receberam alta ainda no primeiro mês do ano. Em 2025, o município havia registrado outros dois casos da doença.

A transmissão da mpox ocorre por contato direto pessoa a pessoa (pele e secreções) e/ou por exposição próxima e prolongada a gotículas e outras secreções respiratórias. No aparecimento de sintomas, a pessoa deve procurar a policlínica de referência do local de moradia.

Monitoramento estadual

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informa que mantém monitoramento contínuo do cenário epidemiológico e articulação permanente com as secretarias municipais e a rede assistencial.

Segundo a pasta, os serviços de saúde realizam identificação precoce, notificação e investigação de casos suspeitos, com testagem e acompanhamento clínico, além do rastreamento e monitoramento de contactantes, conforme protocolos técnicos. No âmbito estadual, a SES-SP coordena e consolida as ações de vigilância e resposta para assegurar rapidez na detecção e conter sinais de transmissão ampliada.

No mesmo período do ano passado, janeiro e fevereiro de 2025 somaram 126 casos no Estado (79 em janeiro e 47 em fevereiro). Acesse o painel de monitoramento aqui.

Situação no país

Foram confirmados 48 casos de mpox no Brasil em 2026, segundo dados do Ministério da Saúde. Em 2025, o país contabilizou 1.079 casos e dois óbitos por mpox.

O Ministério da Saúde afirma que o país mantém vigilância ativa e que o SUS está preparado para diagnóstico e manejo clínico dos pacientes, com rastreamento de contatos por 14 dias para interromper cadeias de transmissão.

O que é a mpox?

A mpox era anteriormente conhecida como “monkeypox” (varíola dos macacos, em português). Segundo a infectologista Flávia Falci, do Grupo Santa Joana, é uma infecção causada pelo vírus Mpox, que pertence à família do gênero orthopoxvirus, o mesmo da varíola.

Os sintomas iniciais são febre, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos. Depois, pode evoluir para a chamada fase eruptiva, explica a médica, que é quando apresentam-se lesões na pele que são progressivas: começam avermelhadas, viram uma vesícula, mais amareladas e depois se tornam crustas. Elas podem ocorrer em face, região genital, perianal, palmas de mão e do pé e mucosa; casos graves podem evoluir com manifestações neurológicas e oculares.

A mpox existe há décadas em países da África, principalmente na República Democrática do Congo. Mas foi a partir de 2022 que ela se tornou mundialmente conhecida, com o início do surto global que segue até hoje, diz o infectologista Dyemison Pinheiro, mestre em saúde coletiva e assistente no pronto-socorro do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

O médico explica que a doença é causada por um vírus que se divide em dois clados, que são agrupamentos de espécies semelhantes com ancestral evolutivo comum. Os clados 1 e 2 se dividem em dois subclados: 1a e 1b, 2a e 2b.

“Essa avaliação indica a circulação do vírus. Classicamente, por exemplo, o 1a circula entre países da África Central e o 2b foi primeiro detectado na Nigéria, que seguiu causando infecção entre humanos e é o principal responsável pelo surto global de 2022 até o momento”, diz Pinheiro. Os sintomas causados pelo clado 1b tendem a ser mais exacerbados em pessoas mais vulneráveis ao vírus, com déficit de imunidade, complementa.

Como a doença é transmitida?

A transmissão ocorre principalmente por contato físico direto com as lesões antes do período de cicatrização, seja esse contato sexual ou não, diz Pinheiro. O período de incubação pode variar entre poucos dias até cerca de três semanas. “É indicado o isolamento até a completa cicatrização de todas as lesões, a fim de evitar a transmissão para outras pessoas”, afirma.

A doença também pode ser transmitida mesmo antes de se apresentar qualquer tipo de sintoma ou por pacientes assintomáticos, explica Falci. O contato com fluidos corporais, como saliva, sangue, sêmen, da mãe para o bebê ou através de objetos contaminados também é frequente; a infecção por gotículas respiratórias pode acontecer, mas é menos comum. A médica diz que já existem relatos de transmissão de animais para pessoas, principalmente alguns surtos anteriores.

“A população de maior risco inclui homens que fazem sexo com homens, pessoas que vivem com HIV/Aids, pessoas imunossuprimidas, crianças pequenas e gestantes”, afirma Falci. “No caso das gestantes, principalmente também pelo risco de transmissão vertical e complicações para os fetos.”

Apesar de haver estudos avaliando tratamentos específicos para mpox, diz Pinheiro, eles não mostraram a efetividade esperada. Assim, o tratamento hoje é feito apenas com terapia de suporte, sem opções de tratamento específico.

Como se previnir?

Os médicos dizem que a melhor forma de prevenção para a doença é a vacina. O imunizante está disponível no SUS para pessoas maiores de 18 anos que vivem com HIV/Aids, usuários de PrEP e profissionais de saúde que têm contato com o vírus.

No entanto, Pinheiro diz que as vacinas têm sido insuficientes, o que resulta em uma baixa cobertura vacinal. “Temos observado no dia a dia um aumento no número de casos suspeitos e confirmados, inclusive do clado 1b, pouco identificado em circulação no Brasil. O Carnaval, que comumente tende a apresentar um maior contato físico entre as pessoas, nos deixa em estado de alerta”, diz.

Ele orienta que, se observadas lesões na pele, associadas ou não a sintomas como febre, dor no corpo e aumento de gânglios, é preciso evitar contato com outras pessoas e procurar um infectologista para avaliação.

Outras formas de prevenção, indica Falci, são mudanças comportamentais em relação às parcerias sexuais. Em ambientes hospitalares, ela diz ser importante o uso de equipamento de proteção pelos profissionais, além da higiene rigorosa do ambiente em que o paciente foi atendido.

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