Postagens em rede exaltando facção antecederam jovem levada a ‘tribunal do crime’ em Guarujá

Por Santa Portal em 20/02/2026 às 05:00

Divulgação/Polícia Civil
Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil prendeu nesta quinta-feira (19) quatro pessoas suspeitas de envolvimento no desaparecimento de Maria Eduarda Cordeiro da Silva, de 20 anos, conhecida como “Duda Encrenca”. Segundo a investigação, a jovem foi sequestrada, torturada e executada por integrantes de uma facção criminosa em Guarujá, no litoral de São Paulo. O corpo ainda não foi localizado.

De acordo com o delegado Thiago Nemi Bonametti, da Delegacia de Homicídios de Santos, a principal linha de apuração aponta que postagens feitas por Maria Eduarda nas redes sociais, nas quais exaltava o Comando Vermelho (CV), facção rival ao Primeiro Comando da Capital (PCC), dominante na região, antecederam o crime. As stories ficavam destacados no perfil de Maria Eduarda, no Instagram.

“Isso chamava a atenção. Eram postagens bem explícitas que ela fazia, e acabou que os criminosos daqui conseguiram identificar que ela estava em uma praia. Era uma divulgação meio orgulhosa. Não sabemos se por ingenuidade ou se realmente por integrar”, afirmou o delegado. “A vítima é sempre vítima. O que investigamos é o motivo, que ajuda a compreender a dinâmica da execução”, explicou.

Natural do Paraná, Maria Eduarda estava havia cerca de uma semana no litoral paulista. Na madrugada de 2 de janeiro, após uma confraternização de Ano-Novo com o companheiro e um casal de vizinhos, ela e o namorado foram sequestrados. “O objetivo era ver qual era o nível de envolvimento com a organização rival”, completou.

Divulgação/Polícia Civil

Segundo a polícia, ambos foram colocados no porta-malas de um carro e levados a um morro nas proximidades da Vila Zilda. No local, teriam sido submetidos a agressões e tortura por homens armados com facões, pistolas e fuzis. O rapaz foi liberado horas depois. A jovem não voltou a ser vista.

Para os investigadores, os elementos reunidos, incluindo relatos, informações de inteligência e o padrão de atuação, indicam que ela foi submetida ao que criminosos chamam de “tribunal do crime”, prática clandestina de julgamento e execução em áreas sob domínio de facções.

“A dinâmica é muito semelhante a outros casos que a gente teve na região, envolvendo policiais, pessoas que de alguma forma têm inimizade com algum integrante da facção criminosa ou atentem contra o estatuto da organização”.

Maria Eduarda tinha registro anterior por tráfico de drogas. Segundo o delegado, a família não relatava conhecimento de vínculo formal dela com facções. As investigações continuam para identificar outros participantes e localizar o corpo. Informações podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque-Denúncia (181).

Quarteto preso

Entre os presos está um integrante de organização criminosa apontado como participante direto da execução. Também foram detidos um homem e uma mulher que mantinham relação próxima com a vítima e que, segundo a polícia, foram até a residência dela após o desaparecimento para recolher e descartar pertences, o que pode ter dificultado a apuração.

O quarto preso é um motorista de aplicativo que, conforme a investigação, utilizou o celular da jovem após o sequestro e realizou deslocamento até o Paraná no dia seguinte, retornando depois ao litoral.

Os investigados foram autuados por homicídio qualificado, sequestro, tortura e organização criminosa. As prisões são temporárias.

loading...

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.