13/05/2026

Peter Jackson, em Cannes, diz não ver problema no uso de IA no cinema

Por Alessandra Monterastelli/Folhapress em 13/05/2026 às 10:34

Reprodução/divulgação
Reprodução/divulgação

As polêmicas envolvendo o uso da inteligência artificial na indústria cinematográfica já são um tópico recorrente nesta edição do Festival de Cannes. Para uma plateia lotada nesta quarta-feira (13), Peter Jackson, homenageado com a Palma de Ouro honorária na noite anterior, disse que não vê problema no uso da tecnologia para fazer filmes.
“Para mim, é como outro efeito especial”, disse. Para o diretor da saga “O Senhor dos Anéis”, o problema da tecnologia está ligado ao uso de conteúdos como roteiros ou rostos de atores, por exemplo sem a devida permissão e pagamento.
“A IA, usada de forma correta, é uma ferramenta como qualquer outra. Tudo depende da originalidade e da imaginação de quem a está usando. Não é como se você fosse escrever um comado e ela te desse a filmagem pronta”, afirmou Jackson.
A posição do cineasta reflete, de certa forma, a sua trajetória. Afinal, Jackson revolucionou o cinema de fantasia e o blockbuster moderno ao usar tecnologias ainda impopulares para a época.
Exemplo disso foi a criação de Gollum, personagem que ganhou vida na tela por meio da captura de movimentos do ator Andy Serkis e hoje considerado um marco para o cinema contemporâneo.
Jackson soou menos radical que seu colega de profissão, Guillermo Del Toro. “Foda-se a IA”, disse ele, em uma exibição espacial de “O Labirinto do Fauno” no festival, na terça-feira.
Como Jackson, Del Toro, diretor de filmes como “A Forma da Água” e “Frankenstein”, também é um expoente da fantasia no cinema e responsável por popularizar o gênero.
O mexicano, porém, tem sido uma das vozes mais contundentes em Hollywood ao criticar a IA. Além das questões trabalhistas, ele afirmou que a tecnologia pode empobrecer o visual dos filmes ao substituir técnicas como maquiagem artística, construção de cenários e efeitos práticos, como a manipulação física de bonecos, por exemplo.
São todas práticas aplicadas por Jackson, renomado por misturar técnicas digitais, como o CGI, e físicas, como truques de câmera e miniaturas. Sobre o uso de tecnologia em “Senhor dos Anéis”, o diretor disse que o filme não teria o mesmo impacto cultural sem inovações. “Daria para fazer [o filme], mas ele capturaria exatamente o que se imagina ao ler o livro?”
Além da inovação visual, a narrativa robusta e atenta aos arcos emocionais dos personagens ajudou a tornar a adaptação do livro de J.R.R. Tolkien um marco da cultura pop. “Fizemos o filme pelo viés histórico, e não fantasioso. Pensávamos que aquela história era verdadeira”, lembrou Jackson.
A presença de Jackson no festival mitigou a ausência de blockbusters nesta edição. Em seu discurso ao receber a Palma de Ouro honorária, Jackson lembrou do começo de sua carreira no cinema independente, com filmes de terror e ficção que já carregavam um pouco de seu estilo.
Exemplos são “Braindead” e “Náusea Total”, que foi bem recebido no Mercado do Filme de Cannes de 1987. Em 2001, ele voltaria ao festival para apresentar “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”, com o qual faturaria quatro estatuetas ao Oscar.

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