Guerra no Irã pode levar mais 45 milhões à fome aguda até junho, diz estudo
Por Folhapress em 17/03/2026 às 17:45
O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) alertou hoje que o número total de pessoas no mundo com níveis agudos de fome pode atingir números recordes em 2026 se a guerra no Irã continuar a desestabilizar a economia global.
Estima-se que quase 45 milhões de pessoas a mais podem cair em insegurança alimentar aguda ou pior se o conflito não terminar até junho. Isso se somaria aos 318 milhões de pessoas que já estão nesta situação.
Os ataques dos EUA e de Israel ao Irã bloquearam rotas chave de ajuda humanitária, o que tem atrasado envios de suprimentos. A paralisação virtual do transporte marítimo no Estreito de Hormuz e os riscos crescentes para o tráfego marítimo no Mar Vermelho já estão aumentando os custos de energia, combustível e fertilizantes, aprofundando a fome além do Oriente Médio.
Quando a guerra na Ucrânia começou em 2022, a fome global atingiu níveis recordes, com 349 milhões de pessoas impactadas. As projeções mais recentes do PMA indicam que há risco de situação semelhante nos próximos meses se o conflito no Oriente Médio continuar.
“Se esse conflito continuar, ele enviará ondas de choque pelo globo, e as famílias que já não conseguem pagar a próxima refeição serão as mais atingidas. Sem uma resposta humanitária adequadamente financiada, isso pode significar uma catástrofe para milhões que já estão à beira do abismo”, disse Carl Skau, vice-diretor executivo do PMA, a repórteres em Genebra.
O PMA disse que os custos de transporte marítimo subiram 18% desde o início dos ataques e que alguns tiveram de ser redirecionados. Esses custos extras se somam a cortes profundos nos gastos, já que doadores estão focando mais em defesa.
Quais regiões podem sofrer mais
Países da África Subsaariana e da Ásia são os mais vulneráveis devido à dependência de importações de alimentos e combustível. As projeções indicam um aumento de 21% nas pessoas em insegurança alimentar na África Ocidental e Central e de 17% na África Oriental e Austral. Para a Ásia, prevê-se um aumento de 24%.
O Sudão, por exemplo, importa cerca de 80% de seu trigo, e um preço mais alto para esse alimento básico empurrará mais famílias para a fome. Na Somália, país em meio a uma seca severa, o preço de alguns produtos essenciais subiu pelo menos 20% desde o início do conflito, segundo relatos locais. Ambos são países com altos níveis de insegurança alimentar que também enfrentaram fome nos últimos anos.
Como a projeção foi feita
Para calcular o impacto, analistas do PMA usaram o número pré-crise de pessoas incapazes de pagar uma dieta suficiente em energia (2.100 kcal/dia). Depois, modelaram o impacto sustentado pelo preço do petróleo em US$ 100 que eleva os custos de transporte e os preços globais de alimentos.
“Ponderando os impactos pela dependência de cada país em energia e alimentos importados, recalcularam o número de pessoas que não conseguem mais pagar essa dieta e a diferença é o aumento projetado na insegurança alimentar aguda”, disse o PMA.
O aumento em cada região
Ásia: 10 países analisados; 9,1 milhões de pessoas a mais (aumento de 24%)
África Oriental e Austral: 16 países; 17,7 milhões (aumento de 17,7%)
América Latina e Caribe: 3 países; 2,2 milhões (aumento de 16%)
Oriente Médio e Norte da África: 12 países; 5,2 milhões (aumento de 14%)
África Ocidental e Central: 12 países; 10,4 milhões (aumento de 21%)