BNDES tem lucro recorrente recorde de R$ 15,2 bilhões em 2025
Por Nicola Pamplona/Folhapress em 17/03/2026 às 17:33
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou nesta terça-feira (17) que fechou 2025 com lucro recorrente de R$ 15,2 bilhões, alta de 15,4% em relação ao ano anterior, o maior de sua história.
O banco disse que fechou o ano com recorde também na injeção de crédito na economia. Foram R$ 366 bilhões em aprovações, alta de 32% em relação ao ano anterior. A carteira de ativos também bateu recorde, chegando a R$ 962 bilhões, e a carteira de crédito foi a maior desde 2016, com R$ 664 bilhões.
“Quando assumimos, havia uma preocupação que os ativos do BNDES vinham caindo ano a ano e isso era preocupante”, disse o diretor financeiro e de mercado de capitais do BNDES, Alexandre Abreu. “A partir do momento em que assumimos, ele começou a subir.”
Ele afirmou também que houve grande recuperação do caixa livre do banco, que era de R$ 16 bilhões em 2022, bem próximo ao mínimo de R$ 15 bilhões. Ao fim de 2025, eram R$ 61 bilhões.
Os desembolsos no ano somaram R$ 169,7 bilhões, alta de 27% em relação ao ano anterior. As aprovações cresceram 12%, para R$ 237,9 bilhões. As consultas por novos financiamentos somaram R$ 389,2, alta de 19%.
O aumento nas aprovações foi puxada pela indústria, que cresceu 35% em relação a 2024, para R$ 71 bilhões, diante de programas como apoio à reindustrialização. Em 2024, pela primeira vez, o banco aprovou mais dinheiro para a indústria do que para o agronegócio.
Para micro, pequenas e médias empresas, as aprovações de crédito totalizaram R$ 224 bilhões em 2025, alta de 43% em relação a 2024.
Considerando eventos não recorrentes, o lucro líquido do BNDES foi de R$ 26,8 bilhões em 2025, alta de 1,7% em relação ao ano anterior. Esse resultado considera recuperações de crédito e resultados de participações societárias.
A receita com reversão de provisões de crédito, por exemplo, totalizou R$ 1,4 bilhão. O resultado de participações societárias foi de R$ 8,3 bilhões, com dividendos de empresas como Petrobras, JBS e Axia Energia (ex-Eletrobras).
O banco fechou 2025 com R$ 86,4 bilhões em participações acionárias. “Quando assumimos, eram R$ 62 bilhões e havia pressão forte para desfazermos de participações societárias para pagar o Tesouro”, disse Abreu.
A estratégia, porém, foi manter os ativos à espera de valorização e de dividendos. Desde janeiro de 2023, afirmou o diretor do BNDES, a carteira de ações variou R$ 23,7 bilhões, outros R$ 5,4 bilhões foram vendidos e os dividendos somaram R$ 25,7 bilhões.
“Ou seja, ganhamos nesse período, R$ 54,8 bilhões. Se não tivéssemos feito isso, alguém teria ganho em vez do Estado brasileiro”, disse o executivo.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o banco agora quer focar participações acionárias em empresas inovadoras, citando a Eve, da Embraer, que desenvolve e-Vtlol, também conhecido como um carro voador.
No início deste mês, anunciou que participará de aumento capital da Simpar, empresa que opera nos ramos de transportes de carga e aluguel de veículos e máquinas. Mercadante diz que o processo tem por objetivo modernizar a frota do grupo.
Ele voltou a defender a abertura de um novo programa de socorro a empresas brasileiras afetadas por tarifas comerciais, o Brasil Soberano 2. Disse que o BNDES tem ainda R$ 6 bilhões em caixa do programa anterior, criado após o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Mercadante quer que, agora, o modelo beneficie também setores em que o Brasil tem elevado déficit comercial, como a produção de fertilizantes, além daquelas indústrias que ainda convivem com tarifas acima da média, como siderúrgicas e produtoras de alumínio.