Cunhadas driblam crise e prosperam com doceria de sucesso em PG
Por Noelle Neves em 31/07/2021 às 13:50
Aos 11 anos, Cíntia Stefani Garcez de Oliveira deu o primeiro passo em direção a sua mudança de vida. Em uma tarde, aprendeu uma receita de bolo de cenoura com a mãe e tomou gosto pela confeitaria. Desde esse dia, não sobravam cenouras na geladeira, pois a vontade era fazer uma nova assadeira por dia.
O tempo em frente da batedeira e forno renderam não somente boas lembranças, como também um trunfo: experiência no preparo de bolos, que hoje, fazem um grande sucesso em sua doceria, especialmente o de cenoura.
“Com o passar do tempo, qualquer festividade que acontecia em minha família, eu estava envolvida na produção dos doces. Cada dia mais, a paixão e a vontade de entrar para esse mundo aumentava mais e mais. Porém, por falta de condições, nunca pude fazer um curso ou testar várias receitas por dia”, lembrou Cíntia em entrevista ao Santa Portal.
Aos 16 anos, ganhou a primeira batedeira planetária da mãe. Nos quatro anos seguintes, com novos equipamentos, fez algumas tentativas de vender doces nas ruas de Praia Grande. Porém, como trabalhava em regime CLT e uma filha para cuidar, a disponibilidade era pouca.
Depois de um tempo parada, se mudou para o Nordeste do país. Em Maceió, esperava encontrar melhores oportunidades de emprego. Morando em uma cidade diferente e com vontade de fazer renda extra, aproveitou os dotes para fazer bolos de pote e pudins para vender dentro da empresa em que trabalhava. A mesma rotina foi mantida por cerca de três anos, até que o Brasil enfrentou uma grande crise e diversas demissões ocorreram.
De mãos atadas e longe de casa, viu uma válvula de escape nos doces. E foi em 2016, em meios as dificuldades, que a Milly’s Cakes nasceu. “O nome é uma homenagem para a minha filha, Camilly, que foi e é um grande incentivo para que eu procurasse crescer e evoluir. Por ela, meu ex-marido, o Worley, e eu, fazíamos os doces em nossa pequena cozinha e ele saia para vender nas ruas e praias”, contou.

Mudança de rumo
Eram vendidos, em média, 10 bolos de pote por dia. Durante visita para a família em Praia Grande, antes do negócio engrenar, receberam tanto apoio de amigos e familiares que decidiram, mais uma vez, mudar. Foram muitas encomendas de doce e viram uma oportunidade de trabalhar mais e ganhar reconhecimento no segmento.
“Trouxemos cerca de 150 bolos de pote, e mesmo assim não conseguimos atender a demanda. Uma viagem que era para ser de férias mudou o destino de nossas vidas. Durante 10 dias, não paramos de trabalhar. Decidimos voltar para Maceió apenas para resolver o processo de mudança para Praia Grande novamente. Como não tínhamos onde morar, ficamos um tempo na casa da mãe do Worley, enquanto com o dinheiro dos doces, construímos uma casa”, disse.
A prioridade era finalizar a cozinha. O casal ganhou, na época, mesas com vidros e improvisou uma pia. Embora o começo tenha sido turbulento, uma vez que o espaço estava pronto, o crescimento foi inevitável. Logo surgiu a necessidade de contratar um motoboy e um auxiliar de confeitaria.
Em 2019, perceberam que não conseguiam crescer mais dentro de casa. Foi quando procuraram a irmã de Worley, Gleyce Pinotti, para montar um negócio. “E foi assim, que abrimos a nossa primeira loja em fevereiro de 2020, na Vila antártica. Pegamos o início da pandemia e passamos por muitos apertos, vivendo todos os dias com medo e a incerteza devido à crise. Mesmo assim, persistimos e no meio do ano, decidimos dar um passo decisivo para a empresa: abrir uma segunda unidade, dessa vez no Boqueirão. Mesmo com os riscos e medos, não desistimos nunca”, destacou.

Nova visão
Para Cíntia, Gleyce foi umas das melhores coisas que aconteceu para a empresa, já que guiou para o sucesso. “Muitas pessoas não sabem nem como começar a empreender. E foi aí que eu entrei. Certo dia, meu irmão me chamou para ingressar na sociedade, porque era um sonho ter uma loja, mas não entendia muito bem. Investimos em uma loja muito pequena, mas tínhamos um sonho. E isso foi um diferencial”, comentou.
De origem humilde, viveu a vida inteira em uma comunidade de Praia Grande. Muita esforçada, Gleyce trabalhou desde cedo e se dedicou aos estudos para conseguir uma bolsa para a faculdade. Optou por cursar contabilidade e mudou-se para São Paulo para conquistar melhores oportunidades. “Me formei e fiz minha carreira. Com muita dedicação, consegui uma boa posição em uma multinacional e comecei a trabalhar com empreendimentos. Minha experiência me deu uma visão do que podíamos fazer para driblar a crise”, falou.
Sendo assim, investiram em capacitação técnica, cursos, apresentação dos produtos divulgação… Entre erros e acertos, o negócio foi prosperando e possibilitou a abertura de uma segunda unidade. De acordo com Gleyce, sair da cozinha de casa foi um desafio para o irmão e ex-cunhada, já que não estavam acostumados com controle de custos e lucro.
“A Milly’s do Boqueirão nos permitiu aparecer ainda mais. Tenho orgulho de dizer que, embora tenhamos um caminho longo pela frente, nossos clientes amam nossos doces. Tem fila, já recebemos pedido para abrir franquia…Nasceu da necessidade e agora, estamos colhendo muitos frutos. A gente se completa: eu, com a administração e ela, com a parte operacional”, concluiu.
