Volta da Venezuela ao Mercosul deve ser rediscutida, diz Alckmin
Por Folhapress em 23/04/2026 às 10:51
O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, afirmou nessa quarta-feira (22) que a volta da Venezuela ao Mercosul deve ser debatida entre os integrantes do bloco.
“A Venezuela está suspensa do Mercosul, mas à medida que está vivendo outro momento agora, isso será rediscutido”, afirmou em entrevista a agências internacionais de notícias.
O ditador Nicolás Maduro foi deposto do poder em 3 de janeiro, quando os EUA invadiram o país e capturaram o político. Delcy Rodríguez, então vice de Maduro, assumiu a liderança interina e restabeleceu as relações diplomáticas com os EUA em março.
Na semana passada, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial anunciaram que restabeleceram suas relações com a Venezuela após reconhecerem Delcy como a liderança legítima do país.
A Venezuela está suspensa do Mercosul desde 2017 por violar a cláusula democrática do bloco e não ter cumprido compromissos econômicos. O seu retorno precisa contar com o apoio dos quatro integrantes: Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai.
Alckmin também afirmou que a Colômbia mostrou interesse em participar do bloco sul-americano. A Bolívia já está em processo de adesão às regras do Mercosul.
Segundo o vice-presidente, ainda é possível que até o fim deste ano sejam assinados novos acordos com Emirados Árabes Unidos e Canadá.
Acordo com União Europeia
O Mercosul também se prepara para o início do tratado com a União Europeia, que deve começar em 1° de maio de forma parcial. A expectativa de Alckmin é que ocorra um aumento de 13% nas exportações do Brasil quando o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia estiver totalmente em prática em 2038.
“A degravação é gradual, mas você tem aí perto de 5.000 produtos que a partir do dia 1º de maio estão zerados o imposto, então você vai ter aí um impacto importante”, disse o vice-presidente brasileiro.
Para o setor industrial brasileiro especificamente, o ganho nas exportações deve chegar a 26% com o acordo, acrescentou Alckmin.
A entrada em vigor em 1º de maio ainda é provisória, já que alguns países, como a França, questionaram o acordo no Tribunal de Justiça europeu. Ainda assim, a retirada gradual de tarifas entre os países da UE e do Mercosul começa imediatamente e deve se completar em até 12 anos.
De acordo com o vice-presidente que participou das negociações como ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio até deixar o cargo este mês setores como frutas, açúcar, carne bovina e de frango e alguns tipos de maquinário podem ter impactos imediatos.
Alckmin lembrou, no entanto, que também devem aumentar as importações brasileiras. Hoje, o comércio entre Brasil e UE segundo maior parceiro comercial do país atrás da China chega a US$ 100 bilhões, com um ligeiro superávit europeu, de aproximadamente US$ 500 milhões.
Uma conta feita pela Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações) aponta para um incremento de até US$ 1 bilhão na balança comercial brasileira já no primeiro ano de vigência do acordo.
Além disso, um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontou que as reduções de tarifas e as cotas de exportação podem trazer um aumento de 0,46% no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro entre 2024 e 2040, o equivalente a mais US$ 9,3 bilhões.
Estados Unidos
Enquanto festeja o início do acordo com a UE, o governo brasileiro continua tentando negociar avanços com os Estados Unidos. Apesar da maior parte das tarifas norte-americanas terem caído com uma decisão da Suprema Corte norte-americana, os setores de aço e alumínio e cobre continuam com tarifas de 50%, aplicadas ao mundo todo, e de 25% no setor de automóveis e autopeças.
Além disso, o Brasil está sob duas investigações dentro da seção 301 da lei de comércio norte-americana. Uma delas, que envolve várias dezenas de países, trata de uso de trabalho escravo; a outra, apenas sobre o Brasil, inclui investigações sobre o Pix, desmatamento e ambiente digital de negócios. Ambas podem ser usadas pelos EUA para retomar com tarifas de 50%. Na semana passada, uma comitiva brasileira esteve nos EUA para negociações sobre as investigações.
“Nós prestamos todos os esclarecimentos. E, se precisar, faremos outros”, afirmou Alckmin, sem entrar em detalhes sobre as reuniões em Washington.
“A boa química que foi estabelecida entre o presidente Lula e o presidente Trump nós defendemos que continue. A gente pode ter muita parceria na área tarifária, tem espaço na área tarifária e não tarifária”, afirmou.