02/04/2025

BNDES anuncia investimento de R$ 50 mi para reforma do Museu Nacional

Por Yuri Eiras/Folhapress em 02/04/2025 às 18:06

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, anunciou nesta quarta-feira (2) um investimento de R$ 50 milhões do banco para a reconstrução do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

A instituição foi atingida por um incêndio em 2018, ano em que completou o bicentenário. O fogo destruiu boa parte do acervo e da estrutura do prédio.

O BNDES já havia destinado R$ 50 milhões às obras, em aportes separados de R$ 21,7 milhões, em 2018, e R$ 28,3 milhões, em 2020.

Nesta quarta, Mercadante assinou também a liberação imediata de um valor residual de R$ 2,5 milhões que havia faltado do primeiro investimento.

O orçamento atualizado previsto para a recuperação do museu é de R$ 516 milhões, e R$ 170 milhões ainda não chegaram. Segundo Mercadante, R$ 101 milhões estão em negociações encaminhadas por meio de recursos federais e privados. Outros R$ 70 milhões seguem sem fundos.

“Estamos empenhados em fechar o orçamento. Ao longo desse semestre, vamos seguramente concluir os recursos que faltam. Não vai ser por falta de recurso”, afirmou o presidente do BNDES.

“O Museu Nacional tem um papel fundamental no reconhecimento e reflexão do Brasil profundo, secular. Estavam aqui símbolos da nossa história. É importante recuperar e entregar o Museu Nacional o mais breve possível.”

O diretor da instituição, Alexander Kellner, afirmou que o plano é abrir parte do palácio e arredores em 2026. A reabertura total do museu, segundo cronograma, está prevista para 2028.

A direção do museu é autônoma, mas vinculada à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O Palácio de São Cristóvão abrigou a família real portuguesa de 1808 a 1821, a família imperial brasileira de 1822 a 1889 e a primeira Assembleia Constituinte do Brasil republicano de 1889 a 1891.

O Museu Nacional foi inaugurado em 1818, onde hoje fica o Campo de Santana, no centro do Rio. Depois, foi transferido para o Palácio de São Cristóvão, em 1892.

O espaço tinha coleções de arqueologia, antropologia, história egípcia e acervos animais, como a coleção de invertebrados -cerca de 5 milhões de insetos, por exemplo.

Estima-se que 80% do acervo tenha sido consumido pelo incêndio. O fogo durou mais de seis horas e atingiu os telhados e pisos do prédio histórico. Até hoje, a única parte totalmente reparada foi a fachada, inaugurada em setembro de 2022.

Peças de interesse, como o sarcófago da dama Sha-Amun-Em-Su, egípcia que viveu no século nove, e o cadáver mumificado de um homem que morreu há 4.000 anos no Chile, também faziam parte do acervo.

O crânio de Luzia, esqueleto humano mais antigo descoberto na América, foi encontrado nos escombros após o incêndio. O meteorito do Bendegó, descoberto no sertão da Bahia no fim do século 18 e levado ao Rio em 1988, segue intacto no local. O museu também tem recebido doações de instituições internacionais.

Durante as obras após o incêndio, trabalhadores encontraram a parede original da entrada, composta por folhas de ouros que estavam por baixo da fuligem e poeira. O material está sendo restaurado, assim como as colunas decorativas, pintadas em falso relevo, que adornavam a entrada.

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