Comer fora fica mais caro e restaurantes buscam alternativas na Baixada Santista

Por Beatriz Pires em 11/05/2026 às 16:00

Reprodução/Instagram
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Comer fora de casa ficou mais caro no início de 2026. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as refeições fora do lar subiram 0,83% em fevereiro, impulsionadas principalmente pela alta de legumes e carnes. Em Santos, restaurantes têm recorrido a promoções e ajustes estratégicos no cardápio para evitar o repasse integral dos custos ao consumidor, que já demonstra maior cautela e busca por opções mais baratas.

O economista Denis Castro explica que os donos de restaurantes enfrentam uma dificuldade maior do que o consumidor doméstico, já que pratos fixos no cardápio limitam substituições por ingredientes mais acessíveis, como ovos e frango.

Por sua vez, a economista Juliana Inhaz aponta que o setor também sofre um efeito cascata provocado pelo aumento dos combustíveis fósseis, como o diesel. Segundo ela, o frete mais caro encarece os produtos recebidos de fora do Estado, somando-se à alta da energia elétrica e dos encargos trabalhistas, o que pressiona margens já reduzidas desde a pandemia.

Estratégias para evitar reajustes

Para reduzir o impacto no consumidor, restaurantes da Baixada Santista têm adotado estratégias como a chamada “reduflação”. Segundo os economistas, muitos estabelecimentos optam por reduzir porções e manter os preços, em vez de reajustar diretamente os valores do cardápio. Além de eliminar o uso de cortes caros, como o bife ancho, para enxugar estoques e trocar fornecedores, optando por marcas mais em conta, a fim de não prejudicar o consumidor.

“O maior desafio é ser o malabarista, o equilibrista. Restaurante é uma máquina de gastar dinheiro e o ralo está aberto o dia inteiro”, define Gabriel Cicone, proprietário do restaurante Dona Angola, em Santos.

Dados do IBGE mostram que a pressão no orçamento continua elevada. Enquanto a alimentação dentro de casa registrou alta de 0,26% em março, comer fora teve aumento de 0,61% no mesmo período. Entre os itens que mais pressionaram os custos estão:

  • Tubérculos e leguminosas: +4,88%;
  • Carnes: +1,47%

Consumidor muda hábitos

Na prática, o cenário tem alterado o comportamento dos clientes. Para manter pratos executivos na faixa dos R$ 38, cerca de 35% dos empresários da região optam por não repassar integralmente os aumentos.

O reflexo aparece no consumo. Muitos clientes deixam de pedir pratos à la carte e passam a priorizar:

  • Restaurantes por quilo;
  • Autosserviço;
  • Compartilhamento de refeições;
  • Marmitas e lanches.

“Independente do preço, sempre utilizamos os melhores produtos para os clientes”, afirma Paula Andrade, proprietária do restaurante Maria Caju.

Segundo empresários locais, proteínas bovinas e itens de estoque seco, como o feijão carioca, já apresentam altas preventivas motivadas pela expectativa de aumento nos custos logísticos e derivados do petróleo.

Pressão internacional preocupa setor

Mudar o preço de um prato envolve mais do que uma decisão financeira. Os restaurantes enfrentam o chamado “custo de menu”, que inclui desde a impressão de novos materiais até o impacto na percepção do cliente.

Como a alimentação fora de casa é considerada um gasto discricionário, muitos empresários seguram os reajustes até o limite para evitar perder consumidores para concorrentes ou alternativas mais baratas.

“Existem questões de curto prazo, como o ciclo do boi, que dificulta o abate e encarece a carne, além do preço internacional de commodities como soja, milho e café. Se esses grãos sobem lá fora, o custo da ração e dos insumos básicos aumenta aqui dentro, pressionando o restaurante”, explica Juliana Inhaz.

De acordo com análise recente divulgada pela Associação Paulista de Supermercados (Apas), além dos fatores climáticos, o setor gastronômico da Baixada Santista acompanha com cautela o cenário internacional. A instabilidade no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, tem gerado especulações que encarecem insumos antes mesmo de interrupções reais nas cadeias de abastecimento.

Na Baixada Santista, empresários esperam que a estabilidade cambial e o avanço das safras ajudem a desacelerar a inflação nos serviços. Ainda assim, fatores estruturais, como baixa produtividade e informalidade da mão de obra, continuam pressionando os preços.

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