30/01/2026

Supercopa contra o Flamengo fechou ciclo de presidente histórico no Corinthians

Por Fábio Lázaro/Folhapress em 30/01/2026 às 12:33

Foto: Felipe Szpak/Agência Corinthians
Foto: Felipe Szpak/Agência Corinthians

Neste domingo (1º), o Corinthians tem a chance de conquistar a Supercopa do Brasil pela segunda vez em sua história. O primeiro título, escondido na história do clube, guarda uma ligação simbólica com um dos personagens mais marcantes da trajetória alvinegra: Vicente Matheus.

A única conquista do Timão na Supercopa aconteceu no dia 27 de janeiro de 1991 e marcou o último troféu erguido por Matheus como presidente.

Matheus Histórico

O dirigente é um dos nomes mais emblemáticos da história corintiana, responsável por liderar o Corinthians em momentos decisivos, como o título paulista de 1977 que encerrou um jejum de 23 anos e o inédito Campeonato Brasileiro, em 1990.

Além das taças, Vicente Matheus também ficou marcado por movimentos históricos fora de campo. Foi dele a iniciativa de contratar Sócrates, em 1978, aplicando um “chapéu” no rival São Paulo. O meia viria a se tornar um dos maiores ídolos da história corintiana.

Figura folclórica, Matheus se eternizou ainda por frases célebres que atravessaram gerações, como: “quem sai na chuva é para se queimar”, “dirigir um clube de futebol é como uma faca de dois legumes” e “comigo ou sem migo, o Corinthians será campeão”.

Final no dia da eleição

Com apenas 2.706 torcedores no estádio do Morumbi, a Supercopa do Brasil de 1991 foi disputada no mesmo dia da eleição que definiria o sucessor de Vicente Matheus na presidência do Corinthians.

A vencedora do pleito foi Marlene Matheus, então primeira-dama do clube. Ela, no entanto, só assumiria oficialmente o cargo em março daquele ano.

A candidatura partiu do próprio Vicente. Ele sequer comunicou a esposa antes de anunciar a decisão à imprensa.

“Essa eleição teve uma história curiosa, que a própria Marlene contava. Ela estava dirigindo e ouviu no rádio o Vicente dizendo que iria lançá-la candidata. Quando chegou em casa, perguntou o que era aquilo, e ele respondeu que era exatamente o que ela tinha ouvido”, afirma Celso Unzelte, jornalista, professor e especialista na história do Corinthians..

Após eleita, Marlene afirmou que contaria com o marido na gestão do futebol, mas tratou de afastar o rótulo de figura decorativa.

“Vou provar que não entrei nessa luta para ser apenas ‘laranja’ do meu marido. Trabalharemos juntos para construir um Corinthians ainda melhor. E ele vai me dar todo mês o dinheirinho para eu gastar”, disse Marlene, à Folha de S.Paulo, logo após ser aclamada presidente.

Eleição teve mais destaque que o título

No dia seguinte à final, a eleição presidencial ganhou mais destaque na imprensa do que a conquista da Supercopa. Marlene Matheus tornou-se a primeira —e até nesta sexta-feira (30) única— mulher a presidir o Corinthians, feito que estampou a capa da Folha de S.Paulo em 28 de janeiro de 1991.

A baixa adesão ao jogo, porém, não pode ser explicada apenas pela coincidência com a eleição. O duelo contra o Flamengo, vencido pelo Corinthians por 1 a 0 em um domingo chuvoso, teve público muito aquém do esperado.

“Como torcedor, a chuva foi o motivo (para não ir ao Morumbi). Eu já trabalhava na Placar, mas a revista era mensal e estávamos em férias coletivas. Não havia essa urgência de publicação. Lembro que ouvi esse jogo pelo rádio. No dia anterior, fui ao amistoso contra o Hamburgo, no Canindé”, afirma Unzelte.

A própria eleição também registrou participação abaixo do previsto. Segundo a Folha de S.Paulo à época, pouco mais de 5 mil associados votaram no Parque São Jorge, número considerado decepcionante diante da expectativa de ao menos 8 mil eleitores. De todo modo, mais corintianos estiveram presentes na sede social do clube do que no Morumbi.

Roteiro se repete, cenário muda

Neste domingo, às 16h (de Brasília), Corinthians e Flamengo voltam a se enfrentar em uma decisão de Supercopa do Brasil. Desta vez, porém, o cenário é completamente diferente. Mesmo sendo a primeira taça nacional de 2026 e disputada em meio a uma pré-temporada encurtada, o duelo tem grande apelo e deve reunir mais de 70 mil torcedores no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

A edição de 1991 acabou sendo a última da Supercopa por muitos anos. Antes dela, apenas um torneio havia sido realizado: em 1990, quando os confrontos entre Grêmio e Vasco, pela Libertadores, foram utilizados para coroar o clube gaúcho como o primeiro supercampeão do Brasil.

Após o fracasso de público e repercussão, o torneio saiu do calendário nacional e só foi retomado em 2020. Desde então, passou a ser disputado anualmente.

O Flamengo é o maior campeão da Supercopa, com três títulos —o mais recente conquistado no ano passado— além de dois vice-campeonatos, incluindo o registrado contra o Corinthians. Já o Timão nunca mais voltou a disputar a competição, que agora reaparece em seu caminho após mais de três décadas.

loading...

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.