Fora do dia a dia do clube, novo presidente assume São Paulo endividado e em busca de reforços
Por Lucas Bombana/Folhapress em 17/01/2026 às 14:24
O novo presidente do São Paulo, o empresário Harry Massis Junior, 80, assume a presidência do clube do Morumbi com desafios a serem endereçados no curto prazo, tanto dentro quanto fora de campo, mas com o dirigente já tendo reconhecido que não vinha tão a par da rotina da instituição nos últimos meses.
“Vou tomar conhecimento a partir de amanhã [sábado]. Estava muito afastado”, afirmou o dirigente em entrevista a jornalistas na noite de sexta-feira (16), após ser confirmado como novo presidente do São Paulo, depois da aprovação do impeachment de Julio Casares.
Massis Junior foi vice de Casares no triênio de 2021 a 2023, e reeleito com o cartola para o período de 2024 a 2026. Ele assume interinamente pelos próximos 30 dias, prazo para que o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, convoque Assembleia Geral de sócios.
Caso o impeachment também seja aprovado pelos sócios, Massis Junior cumprirá o restante do mandato até a realização de novas eleições, previstas para o fim do ano.
“Estou triste. Não era isso o que eu queria. O São Paulo não merece o que aconteceu. Nunca gostaria de ter assumido assim”, afirmou o dirigente, que votou a favor do impeachment de Casares.
Sob a alegação da oposição de que o presidente deposto vinha conduzindo uma “gestão temerária” à frente das contas do clube, Massis Junior assume o São Paulo com as dívidas da agremiação próximas da casa do bilhão, ainda que em trajetória descendente nos últimos meses.
Segundo os dados mais recentes publicados, o endividamento total da agremiação do Morumbi somava cerca de R$ 912 milhões em setembro de 2025, o que corresponde a uma queda de 5,8% em relação ao valor recorde de R$ 968 milhões alcançado em dezembro de 2024.
O movimento foi puxado pela redução de dívidas bancárias renegociadas, que caíram de R$ 259 milhões para R$ 202 milhões, queda de 22%.
Além do orçamento limitado pela falta de premiação depois de um ano de 2025 sem títulos e a não classificação para a Copa Libertadores, Massis Junior também terá o trabalho de recompor o departamento de futebol profissional do clube.
Carlos Belmonte, que ocupou o cargo nos últimos anos, saiu após a goleada histórica por 6 a 0 para o Fluminense, no fim de novembro, e o coordernador de futebol Muricy Ramalho já sinalizou que também deve pedir para sair nas próximas semanas.
O esvaziamento do departamento, que segue com o executivo Rui Costa acumulando as funções, vem ao mesmo tempo em que o São Paulo segue no mercado em busca de reforços para o elenco desfalcado do técnico argentino Hernán Crespo.
Da atual janela de transferências, a principal contratação da diretoria tricolor até aqui foi a do meia Danielzinho, destaque do Mirassol na última temporada, de 31 anos. O São Paulo também anunciou o goleiro da seleção paraguaia Carlos Coronel, para ser reserva de Rafael, e o zagueiro Matheus Dória, 31, que retorna para compor elenco após uma curta passagem em 2015.
Com a provável aposentadoria antecipada do meia Oscar, que passou por um grave problema de saúde no fim do ano passado, o clube ainda busca um jogador que atue na mesma posição. O jovem argentino Julián Fernández, 21, do New York City, é um nome que agrada a comissão técnica. O volante Allan, do Flamengo, e o meia Kevin Zenón, do Boca Juniors, também interessam.
Além disso, o clube ainda negocia uma possível troca com o Corinthians em negócio envolvendo o volante Alisson, que interessa ao técnico do alvinegro, Dorival Júnior.
O próximo compromisso do time sob a nova presidência será justamente o clássico contra o Corinthians neste domingo (18), às 16h (horário de Brasília), na Neo Química Arena, em Itaquera, pela terceira rodada do Campeonato Paulista.
O São Paulo vem de vitória na quinta-feira (15) contra o São Bernardo por 1 a 0, gol de Luciano, no Morumbi, após estrear no estadual com uma derrota por 3 a 0 para o Mirassol, fora de casa. O time ocupa a 10ª posição na tabela de classificação.
“Todos sabem que estamos vivendo um momento difícil. Existem investigações em andamento e elas precisam ser tratadas com seriedade, com calma e com respeito às instituições e ao direito de defesa de cada pessoa envolvida”, afirmou Massis, em referência às investigações da Polícia Civil sobre o recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro nas contas pessoais de Casares e a realização de 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025, que somam R$ 11 milhões.
“O que posso dizer, com toda clareza, é o seguinte: o clube vai continuar competindo, honrando sua camisa e sua história”, acrescentou o novo presidente. “Não é hora de julgamentos precipitados, nem de discursos vazios. É hora de trabalho, serenidade e respeito ao nosso torcedor. Peço confiança, paciência e, especialmente, união.”
Conselheiro vitalício, o novo presidente é dono do Hotel Massis, na região da Consolação, em São Paulo, e também atua no ramo de estacionamentos. Sócio desde abril de 1964, já ocupou diversos cargos diretivos nas últimas décadas no clube.