Judas e o Messias Negro, um forte candidato ao Oscar
Por Gabriel Fernandes Rocha de Oliveira/Engenharia do Cinema em 01/03/2021 às 08:50
CINEMA – Considerado como um dos principais filmes do Oscar 2021, Judas e o Messias Negro é claramente uma produção que chegou na hora certa e que provavelmente dará diversos prêmios ao ator Daniel Kaluuya (inclusive o Oscar de ator coadjuvante). Tendo como foco os conflitos dentre os Panteras Negras (movimento negro dos EUA, que era muito grande nos anos 1970) e a polícia, o grupo chegou a causar uma grande dor de cabeça para o FBI e o presidente dos Estados Unidos, J. Edgar Hoover (Martin Sheen).
Na história, o agente do FBI Roy Mitchell (Jesse Plemons) acaba propondo ao criminoso Bill O?Neal (LaKeith Stanfield) uma saída para ele não ter de ir para prisão: se infiltrar no grupo dos Panteras Negras, e obter informações das ações lideradas por Fred Hampton (Kaluuya).
É inevitável você sentir que o cineasta Shaka King teve uma forte base em Os Bons Companheiros e Infiltrado na Klan. Seja na questão de ?até onde vai uma amizade para salvar a própria pele? e ?o enorme racismo presente nos EUA?. Mas como estamos falando de um novo nome no cinema, King em momento algum cai na tentação de ser um Scorsese ou Spike Lee e desenvolve sua própria imagem.
Nela ele não tenta endeusar ambos os lados, pois sua narrativa apresenta o quão ambos chegam a atitudes desumanas por conta de seus ideais. Um mero exemplo é em um arco onde em uma cena vemos Hampton apelando pela morte de policiais e na outra cena ele está com sua namorada (Dominique Fishback), como se nada estivesse acontecendo. Ao mesmo tempo, vemos Hoover tendo um comportamento racista em uma conversa e transpondo como se fosse algo certo.
Apenas neste quesito vemos o quão o elenco embarcou de cabeça na história, pois seus olhares sempre transpõem sentimentos reais e alguns chegam a causar bastante indignação e mal estar no espectador. Porém o elenco coadjuvante chega a ser tão bom, que eles roubam a atenção totalmente do protagonista vivido por Stanfield (que está bem, mas para este tipo de filme, o roteiro lhe deixou apagado demais).
Judas e o Messias Negro sem dúvidas é um dos principais filmes na época de premiações, e provavelmente vai levar alguns Oscars pra casa.