Mercado de carros seminovos e usados cresce 21,5% na Baixada Santista em março

Por Beatriz Pires em 26/04/2026 às 06:00

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

A venda de carros seminovos e usados na Baixada Santista registrou uma forte alta em março de 2026, acompanhando o ritmo de crescimento do setor em todo o país. De acordo com dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), o aumento foi de 21,5% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Fatores econômicos e profissionalização

Giacomo Pinotti, coordenador da Vila dos Carros em Santos e Praia Grande, afirma que o avanço está atrelado a fatores como o baixo nível de desemprego e a maior oferta de crédito. Para ele, a profissionalização das lojas multimarcas na região, que agora oferecem vistorias rigorosas e garantias documentais, fortaleceu a confiança do consumidor.

“Recebemos desde pessoas em busca do primeiro carro até aquelas que procuram modelos mais avançados. Há também quem busque economia, optando por veículos com menor consumo ou vendendo o atual para comprar um de menor valor, gerando liquidez”, explica Pinotti.

Segundo ele, as cidades de Santos e Praia Grande puxaram o volume de vendas, enquanto Itanhaém e Cubatão registraram o maior crescimento percentual.

Preço dos veículos zero-quilômetro

Danilo Ribeiro, gerente de vendas da Astúrias Multimarcas, também observa o aquecimento do mercado regional. Ele aponta que o cenário é diretamente influenciado pelos altos preços dos carros zero-quilômetro e pelas taxas de financiamento ainda elevadas para veículos novos.

“Esse aumento refletiu muito na região, registramos uma alta superior a 40% em comparação aos meses anteriores”, afirma Ribeiro.

Especialistas recomendam cautela com carros usados na Baixada

Apesar do otimismo, economistas alertam que o crescimento pode não ser uma tendência permanente. Danilo Ioselli avalia que a alta pode estar ligada a uma “demanda reprimida”, consumidores que aguardavam o momento certo para comprar. Ele destaca que o comportamento do mercado deve ser monitorado, pois incentivos fiscais e promoções pontuais podem mascarar a realidade de juros que continuam altos.

Já o economista Rodolfo Amaral ressalta que o aumento nas vendas não deve gerar um impacto significativo na abertura de novos postos de trabalho no setor. “Para o restante de 2026, a análise deve ser cautelosa. Variações macroeconômicas como inflação e câmbio podem alterar rapidamente a trajetória do crédito e do consumo, podendo desacelerar a tendência atual”, explica.

Cenário desigual na região

A retomada não atinge todos os lojistas da mesma forma. Na contramão do índice geral, Clóvis Gargioni, gerente da Carprime Motors, relata uma queda de 10% a 12% nas vendas de sua unidade. Para ele, o desempenho é afetado pelo peso do custo dos combustíveis no orçamento familiar.

Esse cenário de retração é observado especialmente em Bertioga, apontada por gestores como a única cidade da região a registrar queda no acumulado do primeiro trimestre em relação a 2025. Como alternativa para fugir dos altos custos de manutenção, Gargioni nota um interesse crescente por modelos elétricos e híbridos, que começam a consolidar seu espaço na Baixada Santista.

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