Na próxima sexta-feira (25), a comunidade marítima promove o movimento "Ships sound their horns", em português "Navios tocam suas buzinas” ou o nosso popular "buzinaço''. A iniciativa tem como objetivo alertar o mundo sobre a situação caótica vivida pelos tripulantes, que em muitos casos não conseguem desembarcar devido à pandemia, ficando presos em alto mar. Informações da Organização Marítima Internacional (IMO), mostram que em março deste ano ainda  existiam cerca de 200 mil tripulantes impossibilitados de serem repatriados.





Outro fator que chama a atenção e vem causando preocupação na comunidade marítima é a quantidade de embarcações abandonadas. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, há mais de 250 casos do tipo em todo o mundo - só em 2020 foram 85 novos registros, o dobro do ano anterior.





A pandemia causou uma série de dificuldades em diversos setores da economia e, para o setor marítimo, isso significou também a maior crise humanitária da história. Com aumento de custos e burocracias para a troca e repatriação de tripulantes, milhares de marítimos são obrigados a permanecer a bordo, mesmo depois do tempo máximo permitido de 11 meses. 





“Os entraves e burocracias são sempre preocupantes, porque dependendo do caso pode demorar anos para ter resolução. Para se ter ideia, de forma histórica, apenas cerca de 30% dos casos relacionados ao abandono de embarcações foram resolvidos até hoje”, explica Leonardo Brunelli, diretor da 7Shipping, empresa que presta serviços de troca de tripulação para agências marítimas e que já repatriou mais de 4 mil tripulantes durante a pandemia.





“Além do natural e habitual impacto no bem-estar físico e mental dos marítimos dentro dos 11 meses de trabalho a bordo permitido por lei, ao considerar questões de abandono, as questões de saúde emocional e psicológica ultrapassam todos limites da saúde humana. Como, por exemplo, não saber quando poderão pisar em terra, ver suas famílias ou, até mesmo, saber se terão dinheiro no final das contas”, lamenta.





Um episódio recente aqui no Brasil, mais precisamente, no Porto de Santos, foi relacionado ao navio Srakane e sua dívida trabalhista que ultrapassa a cifra de US$ 111 mil, o equivalente a R$ 602 mil. A embarcação conta com 15 tripulantes a bordo que, além dos problemas financeiros, sofrem com péssimas condições de trabalho, falta de água, alimentos e combustível. Isso sem mencionar os contratos de trabalho vencidos.