TJ-SP mantém condenação de investigadores que receberam propina do tráfico em Peruíbe
Por Santa Portal em 20/03/2026 às 20:00
A 9ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve a condenação de três investigadores da Polícia Civil, acusados de receberem propina e repassarem informações sigilosas sobre operações policiais para criminosos em Peruíbe, no litoral de São Paulo.
Marcos Masek Sauter, Rodrigo de Castro e Humberto Mangabeira Fonseca Júnior foram denunciados por improbidade administrativa pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que apontou o trio como tendo recebido vantagens indevidas para permitir a continuidade de atividades criminosas, que violavam os principios da administração pública, como legalidade e moralidade.
Segundo a denúncia, o esquema foi identificado a partir de inerceptações telefônicas autorizadas judicialmente e depoimentos de integrantes da Corregedoria da Polícia Civil. Os investigadores teriam deixado de reprimir atividades do tráfico na região em troca de pagamentos em dinheiro. Além disso, eles teriam repassado informações sigilosas para traficantes.
Mangabeira admitiu, em acordo de colaboração premiada selado com a promotoria, que recebeu valores provenientes do tráfico. Ele contou ainda que o dinheiro era dividido entre os envolvidos no esquema, conforme consta na decisão judicial.
Após o recurso apresentado pelas defesas dos réus, o TJ-SP manteve a condenação no que diz respeito a perda da função pública, suspensão dos direitos políticos por cinco anos e proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios fiscais.
No entanto, a Justiça reduziu parcialmente o valor da multa civil, fixada em 20 vezes a última remuneração recebida por cada um dos policiais.
Já na esfera criminal, eles foram condenados por corrupção passiva, com penas de reclusão, multa, perda do cargo público e inabilitação para funções públicas por oito anos. No entanto, os agentes ainda podem recorrer da condenação na esfera criminal em instâncias superiores.
O Santa Portal tentou localizar as defesas dos réus até a publicação desta reportagem.