Textor diz que não vê jogo pensando em dinheiro e quer 'surra' do Botafogo
Por Igor Siqueira - UOL/Folhapress em 10/03/2026 às 12:01
Parte significativa do planejamento esportivo e financeiro do Botafogo para a temporada depende do jogo desta terça-feira (10), contra o Barcelona de Guayaquil, no Nilton Santos. Se passar após o empate no jogo de ida, o Alvinegro joga a Libertadores. Se perder, terá de se contentar com a Sul-Americana.
Mas John Textor, dono da SAF alvinegra, diz que não vai ao estádio pensando em dinheiro.
Em conversa com jornalistas na festa do Carioca, a primeira pergunta foi sobre o impacto que o duelo desta noite pode ter para o cenário financeiro da equipe.
“Ninguém pensa sobre futebol desse jeito. Eu sou um cara do futebol, eu amo futebol. Eu vim para o Rio para me divertir, para construir um time campeão. Conseguimos. E agora temos que fazer outro. Eu não vou para o jogo pensando: ‘Espero que vendamos mais ingressos’. Eu espero que a gente dê uma surra neles amanhã (nesta terça-feira (10)). É nisso que estou pensando”, disse o dirigente.
Mas o cotidiano do Botafogo nos últimos tempos tem sido turbulento, não só pelos desafios de reformulação do time, mudança de técnico para a temporada atual e os problemas financeiros.
Há um contexto de disputa societária entre Textor e investidores da Eagle que movimenta a Justiça dentro e fora do Brasil. O dono da SAF, no entanto, alega que há um grau de civilidade na disputa.
“Eu não estou lutando com a Ares. Estou tentando comprar a parte deles. Eles estão considerando comprar a minha parte. É uma negociação amigável. Perece uma guerra civil na imprensa. Mas eu falo com eles, tenho amigos que trabalham na Ares. É muito dinheiro, muitos interesses e muitas negociações. O que se vê parece uma guerra civil porque advogados gostam de falar besteira, assessores de imprensa gostam de falar besteira. Mas tenho uma relação muito direta e cordial com a Ares. Temos diferenças de opinião. Eu quero comprar a parte deles, eles estão tentando comprar a minha parte na França”, acrescentou, incluindo na discussão o cenário no Lyon, do qual foi afastado.
O que os jogadores acham da briga?
“Os jogadores não dão a mínima para isso. Eles vão lá, jogam futebol. Todo mundo me pergunta sobre o momento. O momento é de jogadores que têm que jogar e treinador que tem que treinar. E donos que têm que trabalhar suas coisas fora de campo”, completou.
O Botafogo fez movimentos recentes no mercado, com as chegadas de Medina, Edenilson e Ferraresi. Derrubar o transfer ban por causa da dívida com o Atlanta por Thiago Almada foi crucial. Textor contou que tem aberto a porta para as indicações que recebe dos dirigentes alvinegros.
“Temos um dos melhores departamentos de scout do Brasil, talvez da América do Sul. Eu confio no Alessandro Brito, no Léo Coelho (diretor de futebol). Não estou dizendo ‘não’ aos jogadores que eles trazem para mim. Estou dizendo ‘sim’ sempre que posso. Temos que ser racionais, temos muitos jogadores, temos um elenco saudável”, afirmou.
O norte-americano ainda considera que tem jogadores bons o suficiente para fazer uma boa temporada em 2026, mas também no futuro.
“Eu vou ao treino e vejo talento. Temos veteranos, mas também um dos melhores projetos de sub-20 do Brasil no momento. Podemos espalhar jogadores entre Copinha e Carioca e eles ainda são bons. Temos muito talento. Precisamos reunir isso e ganhar jogos”, comentou Textor.
Nas últimas semanas, a SAF do Botafogo teve a saída de figuras até então importantes na administração, como Thairo Arruda, ex-CEO, e o ex-vice-presidente executivo, Jonas Marmello. Sem se referir especificamente a algum deles, Textor soltou:
“Muitas pessoas foram demitidas, mas dizem que pediram demissão. Espero que elas se deem muito bem na vida”.
Diante das perguntas do UOL sobre o cenário administrativo, Textor encerrou a conversa pedindo mais perguntas sobre futebol. Como elas não vieram, despediu-se dos jornalistas.