Santos sedia pela primeira vez reunião de cidades inteligentes

Por Santa Portal em 10/04/2026 às 16:00

Henrique Teixeira/Divulgação Prefeitura de Santos
Henrique Teixeira/Divulgação Prefeitura de Santos

Santos sediou, nesta quinta-feira (9), no Parque Tecnológico, a primeira edição regional da reunião estratégica da plataforma Connected Smart Cities (CSC) na Baixada Santista. O encontro reuniu gestores públicos, especialistas e representantes da iniciativa privada para discutir soluções inovadoras e sustentáveis, com destaque para áreas em que a Cidade já é referência nacional.

A iniciativa integra uma série de 16 encontros pelo País que antecedem o Connected Smart Cities, principal evento do setor no Brasil, previsto para setembro, em São Paulo. Em 2025, Santos alcançou a oitava posição no ranking nacional da plataforma, consolidando-se como uma das cidades mais inteligentes do País e uma das poucas não capitais no top 10. O ranking teve dez edições até hoje, e o Município ficou entre os 15 primeiros colocados em todas elas.

A abertura destacou Santos como protagonista no cenário nacional de cidades inteligentes, com a presença da vice-prefeita e secretária de Educação, Audrey Kleys, e do sócio e diretor de Novos Negócios da Necta e da plataforma, Willian Rigon, que apresentou a análise do ranking, baseada em dezenas de indicadores ligados à governança, mobilidade, meio ambiente, tecnologia e qualidade de vida.

O avanço recente – seis posições em relação ao ano anterior – reflete investimentos consistentes em educação, saúde e saneamento, além da consolidação de políticas públicas voltadas à inovação.

“Santos está aberta a tudo o que for inovação, estudo, pesquisa e tecnologia para avançarmos cada vez mais como cidade. As diretrizes seguem nessa direção para que Santos esteja em evolução constante e permanente, porque quem ganha com isso é a população. E não há lugar melhor para falar de inovação do que o Parque Tecnológico, importante polo que abriga iniciativas relevantes, como o incentivo aos games e o programa Santos Jovem Doutor para nossos alunos”, destacou Audrey Kleys.

Willian Rigon reforçou os índices que motivaram a realização do encontro na região: “Santos é a 8ª cidade mais inteligente do Brasil e a 5ª do Sudeste, entre 5.530 municípios. Esses reconhecimentos refletem estratégias, boas práticas e iniciativas que geram resultados. A Cidade já é referência pelas parcerias, uso de dados, planejamento e ambientes de inovação, alcançando nível ouro na classificação e refletindo o propósito da nossa reunião”.

O primeiro painel apresentou o Parque Palafitas, um dos principais projetos estruturantes da Cidade, conduzido pelo secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Glaucus Farinello. A iniciativa promove a reurbanização do bairro Vila Gilda, com foco em habitação digna, recuperação do manguezal e inclusão social. O projeto piloto prevê 60 unidades habitacionais e representa um modelo inédito no País ao integrar soluções urbanísticas, ambientais e sociais.

A área concentra cerca de 9.707 moradores, reforçando a dimensão do desafio e a importância da proposta como novo paradigma de urbanização sustentável para áreas de palafitas no Brasil.

Entre os avanços já realizados estão a implantação do Bom Prato, da Policlínica da Vila Gilda, do Centro da Juventude e da estação elevatória. Nas áreas com intervenção pública, o mangue já apresenta sinais de recuperação. Outro destaque é o Parque dos Mangues, hoje o segundo maior parque da Cidade, ampliando a proteção ambiental e oferecendo infraestrutura de lazer e convivência.

“O Parque Palafitas mostra que, onde chega a infraestrutura e o poder público, o mangue volta e a qualidade de vida também. É um projeto inovador que rompe paradigmas, construído com diálogo, coragem e integração entre órgãos e comunidade. Uma Cidade inteligente é pensada para as pessoas, com respeito ao meio ambiente e dignidade”, afirmou Glaucus Farinello.

Na sequência, o debate abordou a relação entre tecnologia, inovação e o complexo portuário. O painel contou com a participação do secretário municipal de Governo, Fábio Ferraz; do sócio fundador da Urucuia – Mobilidade Urbana, Sérgio Avelleda; do presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini; e do diretor executivo da Associação Comercial de Santos (ACS), Adalto Corrêa.

Um dos destaques foi o uso de ferramentas avançadas de monitoramento e gestão urbana, com impacto direto na mobilidade, segurança e eficiência dos serviços públicos. “Acessibilidade é segurança: ao priorizar calçadas bem desenhadas, redução de velocidade e tempos de travessia pensados para pedestres, criamos uma Cidade mais acolhedora e segura”, observou Avelleda.

Nesta discussão, o Centro de Controle Operacional (CCO) se consolidou como referência. Com cerca de 3.200 câmeras ativas, o sistema funciona 24 horas por dia e integra diferentes órgãos municipais e forças de segurança, permitindo respostas rápidas e baseadas em dados em tempo real. A estrutura atende desde ocorrências urbanas até apoio logístico e prevenção de desastres.

O secretário Fábio Ferraz também apresentou tecnologias como o sistema OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres), que permite a leitura de placas de veículos. “A Cidade possui uma infovia própria de 470 km que conecta 372 prédios públicos, incluindo escolas, unidades de saúde e o Parque Tecnológico. A estrutura permite aplicar soluções digitais com mais eficiência e integrar a gestão municipal. O Centro de Controle Operacional funciona 24 horas por dia, sete dias por semana”.

Outro ponto abordado foi o uso de gêmeos digitais no ambiente portuário, tecnologia que permite simular cenários e otimizar operações com maior precisão, fortalecendo a competitividade e a integração entre porto e cidade. “O sistema irá considerar maré, vento, neblina e tempo, ajudando a definir as melhores manobras com os práticos”, explicou Anderson Pomini. O presidente da APS também destacou que o antigo Armazém 7 e a Casa de Máquinas 2 estão sendo revitalizados pela Autoridade Portuária de Santos. O local vai abrigar um centro tecnológico e educacional

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Foto: Henrique Teixeira/Divulgação Prefeitura de Santos

Encerrando a programação, o terceiro painel destacou Santos como Cidade criativa, inteligente e sustentável, com foco no fortalecimento da economia criativa e do ecossistema de inovação. Participaram a secretária municipal de Comunicação e Economia Criativa, Selley Storino; o secretário Glaucus Farinello; o presidente da Fundação Parque Tecnológico de Santos, Eduardo Bittencourt; e a CEO do JuicyHub, Ludmilla Rossi.

Reconhecida como Cidade Criativa da Unesco desde 2015, Santos também tem mais de nove mil MEIs da economia criativa. O número de microempreendedores cresceu 300%: de sete mil (2013) para 21 mil (2024). Programas como Feito em Santos e sua aceleradora já capacitaram centenas de empreendedores. A Cidade mantém 42 feiras, eventos semanais e ampliou iniciativas como Feirarte e Valongo. Em cinco anos, mais de 60 feiras impactaram três mil empreendedores e movimentaram R$ 2 milhões.

“Trabalhamos para que a criatividade se transforme em renda e oportunidade para as pessoas. Economia criativa só faz sentido quando muda vidas, gera emprego e impulsiona o desenvolvimento. Hoje vemos esse resultado nas nossas vilas criativas – que geram capacitação -, nas feiras, no fortalecimento do artesanato e no apoio ao empreendedor com parceiros como Sebrae, Banco do Povo e Sala do Empreendedor. Nunca tivemos tantas oportunidades para quem quer empreender e comercializar seus produtos na Cidade”, destacou Selley Storino.


Foto: Henrique Teixeira/Divulgação Prefeitura de Santos

Iniciativas como o JuicyHub foram apresentadas como importantes pilares na diversificação econômica e no estímulo à inovação fora dos grandes centros. “Avançamos muito em inovação e educação, e o Juicy nasce dessa inquietação: queremos contar a diversidade e a prosperidade das cidades médias por meio do jornalismo interlocal, ajudando a diversificar a economia e as estruturas de poder. Acreditamos na economia criativa como caminho”, salientou Ludmilla.

O Parque Tecnológico também foi apontado como peça-chave nesse cenário, abrigando mais de 40 startups e atuando como polo de atração de investimentos e desenvolvimento tecnológico. “O equipamento tem grandes características, como o desenvolvimento de patentes e o incentivo à tecnologia acessível, por exemplo nas áreas de games, saúde, educação, longevidade e fortalecimento de pequenas empresas, enxergando os potenciais de Santos”, apontou Eduardo Bittencourt.

O presidente do Parque Tecnológico ainda lembrou do futuro Instituto Federal de São Paulo (IFSP) em Santos que funcionará no equipamento a partir do segundo semestre deste ano. O convênio de cessão de uso para o campus I foi assinado em junho de 2025 e prevê a instalação, por 20 anos, para a realização de cursos com formações técnica e superior.

Para encerrar, o secretário Glaucus Farinello apresentou o programa Santos Sustentável, que visa conectar áreas e estabelecer corredores verdes, ampliar a arborização urbana e as áreas permeáveis, promover a biodiversidade, estimular a mobilidade sustentável, reconectar a Cidade com a natureza e promover a Mata Atlântica. “Só podemos pensar no futuro, se construímos com o desenvolvimento atual da nossa Cidade”.

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