Queda no preço do azeite ainda não chega às prateleiras, avaliam economistas

Por Beatriz Pires em 15/02/2026 às 13:00

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O preço do azeite despencou 25,02% ao longo de 2025, e economistas projetam um cenário positivo para 2026. Foram onze meses consecutivos de deflação acumulada. De acordo com pesquisa conjunta da Associação Paulista de Supermercados (Apas) e da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o produto foi o que apresentou a maior queda de preços no período, embora os consumidores ainda não percebam essa redução no dia a dia.

Apenas em dezembro do último ano, o valor do azeite caiu 3,02%, acompanhando o movimento da subcategoria de óleos, que registrou retração de 4,83%.

O economista Denis Castro explica que esse comportamento está ligado a mudanças no cenário internacional, após um período de safras ruins em países como Itália, Espanha e Grécia, além da redução dos custos logísticos, que recuaram após o pico registrado no período pós-pandemia da covid-19.

Também economista, Hélio Hallite afirma que o Porto de Santos, principal porta de entrada do produto no país, vem recebendo muitos lotes, e orienta que importadores aguardem a isenção de determinadas taxas de importação.

“O Porto de Santos é estratégico na formação de custos, pois ganhos de eficiência logística, redução de congestionamentos e maior previsibilidade nas operações impactam diretamente o custo de desembaraço e transporte. Isso se reflete no preço final ao consumidor, especialmente em produtos importados como o azeite”, explica Castro.

Hallite ainda lembra que acordos comerciais, como o firmado entre Mercosul e União Europeia, contribuem para a redução de preços de produtos como queijos, vinhos e espumantes, que devem chegar ao mercado europeu com tarifa zero, um fator comemorado pelos exportadores.

Por outro lado, o economista destaca que o consumidor brasileiro ainda não sente plenamente a deflação. Isso ocorre em meio à pressão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e ao fato de o Brasil manter a segunda maior taxa de juros do mundo. Castro acrescenta que os estoques disponíveis para compra ainda são antigos, o que retarda o repasse da queda de preços.

“Os brasileiros menos exigentes aderiram aos ‘compostos de azeite’ (5%) de marcas duvidosas. A classe média cortou o produto da lista. A queda do preço terá que convencer. Atualmente, os azeites continuam ‘escondidos com cadeados’ nos supermercados”, aponta Hallite.

Os economistas alertam que a redução dos preços em 2026 não é garantida. A tendência é de manutenção dos valores atuais, já que o comportamento do mercado depende de fatores como condições climáticas e desempenho das safras.

Eles destacam ainda que os produtos brasileiros devem enfrentar maior concorrência, uma vez que os azeites importados tendem a sentir a queda de preços mais rapidamente, enquanto os nacionais, que utilizam insumos importados, devem ter uma redução mais lenta.

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