Principais estatais sob Lula aumentam patrocínios, e contratos chegam a R$ 1,6 bi em 2025
Por Caio Spechoto/Folhapress em 14/06/2026 às 12:03
As principais empresas estatais sob influência do governo Lula (PT) aumentaram em R$ 539,6 milhões os contratos de patrocínios em 2025 na comparação com 2024.
No total, foram assinados patrocínios equivalentes a R$ 1,6 bilhão no último ano, em números já corrigidos pelo IPCA, uma alta de 52,5% em relação ao ano anterior.
A Caixa Econômica Federal responde pela maior parte desse aumento, com R$ 277,4 milhões a mais em patrocínios de um ano para o outro. A maior alta proporcional no período foi do BNDES, que em 2025 multiplicou por 15 os patrocínios de 2024.
No ano passado, a Folha mostrou que os valores explodiram na gestão Lula. Os aumentos de 2025 adicionam mais dinheiro a essas iniciativas. Os patrocínios de empresas estatais haviam sido reduzidos durante o governo Jair Bolsonaro (PL).
Em cifras corrigidas, a Caixa celebrou R$ 652,1 milhões em patrocínios em 2025. A Petrobras assinou R$ 527,7 milhões em contratos do tipo. No caso do Banco do Brasil foram R$ 289,2 milhões e do BNDES, R$ 99,3 milhões. As quatro são as estatais com maior faturamento conforme o mais recente relatório do Ministério da Gestão.
O Planalto afirmou que os patrocínios são de responsabilidade das empresas. Caixa, BNDES, Petrobras e Banco do Brasil defenderam a expansão que fizeram nos contratos.
O levantamento da Folha foi feito com base nas páginas de transparência das estatais. A correção dos valores levou em conta o IPCA de janeiro de 2024 e de 2025 em relação a maio de 2026.
Os números considerados não são de valores gastos, mas de novos contratos assinados em cada ano. Alguns dos acordos são para desembolso imediato, outros são de longo prazo e preveem pagamentos ao longo de mais de um ano.
Lula já defendeu publicamente uma maior participação das empresas estatais em patrocínios esportivos.
“Nós vamos fazer também um levantamento nas empresas públicas brasileiras para ver quantas delas têm patrocínio para os atletas olímpicos. Porque é muito fácil patrocinar um time que é campeão. Quero ver patrocinar um menino ou menina da periferia desse país”, declarou ele em 2024.
Os maiores contratos fechados em 2025 são relacionados ao esporte. A Caixa assinou compromissos de R$ 160 milhões com o Comitê Paralímpico Brasileiro, R$ 90 milhões com a Confederação Brasileira de Atletismo e R$ 80 milhões com a Confederação Brasileira de Ginástica. O BNDES, R$ 60 milhões com a Confederação Brasileira de Judô.
O anúncio dos R$ 160 milhões da Caixa para o esporte paralímpico ocorreu em uma cerimônia em São Paulo e teve participação de Lula. Os recursos são para o período de 2025 a 2028, equivalente ao ciclo dos Jogos Paralímpicos.
Também há patrocínios menores destinados a eventos específicos. A Caixa, por exemplo, expandiu seu apoio a festas de São João nos últimos anos. O movimento veio depois da chegada de Carlos Vieira ao comando do banco. Ele foi indicado ao cargo por parlamentares do centrão do Nordeste, região onde essas festas são mais populares.
Os patrocínios costumam ser negociados diretamente entre as partes interessadas e as estatais. Mesmo nesses casos, em acordos de pelo menos R$ 200 mil, o contrato é submetido a um comitê consultivo e precisa ser liberado pela Secom (Secretaria de Comunicação), responsável pela área de comunicação.
empresas defendem contratos
A assessoria de imprensa da Presidência da República afirmou que as decisões sobre patrocínios são de responsabilidade das próprias empresas. Também disse que a competência da Secom sobre os patrocínios “tem caráter institucional e normativo e não deve ser confundida com ingerência na política das empresas estatais”.
A Caixa Econômica Federal afirmou que a variação de 2024 para 2025 se deu principalmente por causa de acordos plurianuais, “cujos valores são registrados integralmente na contratação, mas com desembolsos parcelados ao longo dos anos”. Por isso, o gasto anual é menor do que o volume de contratações.
O banco também declarou que os patrocínios são selecionados com base em seu planejamento estratégico, dentro de limites orçamentários.
O BNDES afirmou que retomou os projetos patrocinados em 2023 após uma paralisação entre 2020 e 2022. O movimento, disse o banco, foi uma forma de retomar protagonismo no desenvolvimento econômico e social do país.
O órgão declarou que os valores de 2025 retomaram a média de anos anteriores ao período de paralisação. Além disso, afirmou que os números do último ano não significam desembolso imediato deu como exemplo o patrocínio de R$ 60 milhões à Confederação Brasileira de Judô, que deve ser pago em quatro anos.
A Petrobras disse que tem ampliado seus patrocínios de forma estratégica e que eles são uma ferramenta para impulsionar o desenvolvimento econômico e social, além de fortalecer a imagem institucional da empresa.
“Após anos em que a atividade de patrocínios foi limitada, por uma estratégia de venda de ativos e redução do tamanho da companhia, a Petrobras, a partir de 2023, realizou o redimensionamento de sua carteira de projetos, chegando ao volume atual de investimentos, compatível com o porte e a responsabilidade social de uma empresa como a Petrobras”, disse em nota.
O Banco do Brasil declarou que a ampliação dos contratos de patrocínio de 2024 para 2025 “reflete a continuidade da estratégia do banco de fortalecer seu posicionamento de marca, por meio de iniciativas que gerem conexão com diferentes públicos”.
O banco também afirmou que as decisões de patrocínios seguem critérios técnicos e mercadológicos com foco na geração de valor para sua marca. “A evolução dos investimentos em patrocínio está alinhada ao seu planejamento estratégico e às diretrizes de marketing e comunicação do Banco do Brasil”, disse a empresa em nota.