Polícia Civil realiza operação para coibir desvio de carga de soja no Porto de Santos
Por Santa Portal em 23/06/2021 às 20:58
A Polícia Civil realizou a operação Grão de Ouro para coibir uma organização criminosa responsável pelo desvio de carga de soja que acontece pelo Porto de Santos. Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (23), delegados da 1ª DIG/Deinter-6 de Santos informaram que 21 mandados de prisão foram expedidos, e dezenas de empresas estão envolvidas.
A carga de soja era adulterada ainda nos caminhões, no interior de São Paulo, em seis cidades. O grão que vinha de outros estados era misturado com insumos e colocado de volta no caminhão, que seguia viagem para o Porto de Santos.
O delegado titular Luiz Ricardo Lara, da 1ª DIG/Deinter-6 explicou, durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (23), que os motoristas de caminhões eram aliciados.
“Há uma organização criminosa que alicia esses transportadores para que eles saiam da rota, entrem em determinados galpões, onde parte da carga transportada é subtraída pela organização criminosa e este espaço vazio é preenchido com outros insumos que não aqueles que deveriam ser entregues para o destinatário. A coloração desse produto, é muito similar à soja, de maneira que que não é feito um exame laboratorial, e a olho nu, parece aquela mercadoria, mas ela está alterada”, explica o delegado.
O delegado Leonardo Amorim Nunes, também da 1ª DIG/Deinter-6, afirmou que as cidades envolvidas na investigação são Assis, Lutécia, Salto Grande, Palmital, Lins e Ribeirão do Sul. “É uma região que vai ter de um ponto a outro mais ou menos 200 km de distância entre os extremos. Basicamente, ali tem uma população não muito grande. As pessoas acabam se conhecendo, por isso os policiais tiveram um cuidado extremo ao diligenciar por lá e conseguiram identificar os pontos onde eles faziam a substituição do farelo de soja pelo farelo de soja misturado com casca de soja e com areia”.
O esquema no Porto de Santos foi descoberto quando uma das cargas foi interceptada para ser vistoriada por scanner no cais santista. Foi verificado que não se tratava de soja pura, e assim a investigação começou.
Até o momento, ninguém foi preso, mas já foram expedidos 21 mandados de prisão por envolvimento em organização criminosa e roubo de carga. Além dos 25 investigados, a suspeita é de que dezenas de empresas também tenham participado do esquema.
Crime compromete exportação de soja
O Porto de Santos bateu recorde de exportação de soja no ano passado. Só em junho de 2020, 29% das exportações do produto no Brasil passaram pelo cais santista, o que corresponde a um total de quatro milhões de toneladas, segundo a Secretaria Nacional do Comércio Exterior.
“Um dos grande problemas é a relação Brasil e comércio exterior, porque imagine o importador recepcionando essa carga do exterior e como é que fica a impressão do nosso país perante os grandes compradores? Essa soja adulterada chegando ao porto estrangeiro, causava até o encaminhamento da operação, uma grande mancha na reputação do país”, disse o delegado Francisco Antônio Wenceslau, da 1ª DIG/Deinter-6
Com a descoberta do esquema criminoso, estes números podem ser comprometidos, e além disso, o crime pode abalar a relação do Brasil com os países compradores, principalmente aqueles que receberam a carga adulterada.
“Não se aproveita nada da carga. Quando ela chega e percebe-se que foi contaminada, toda ela é descartada. Imagine o prejuízo para essa empresa que importa”, ressaltou.