Polícia Civil prende 155 foragidos e amplia cerco ao crime na Baixada Santista

Por Santa Portal em 16/04/2026 às 05:00

Divulgação/Polícia Civil
Divulgação/Polícia Civil

Uma das maiores ofensivas recentes da Polícia Civil de São Paulo resultou na captura de 155 foragidos da Justiça e na prisão em flagrante de outras 17 pessoas durante a Operação Captura, deflagrada entre terça e quarta-feira (14 e 15) na Baixada Santista e no Vale do Ribeira. A ação mobilizou 365 policiais e 126 viaturas, com foco em desarticular redes criminosas e cumprir mandados de prisão em aberto.

Segundo o delegado-diretor do Deinter-6, Luiz Carlos do Carmo, os resultados refletem o impacto direto de operações planejadas com base em inteligência policial. “Essa foi uma das maiores operações já realizadas na região. Os números expressivos representam uma resposta concreta e firme ao crime e os efeitos decorrentes da operação são altamente positivos. Além de reforçar a percepção social de justiça, a ação enfraquece diretamente as estruturas criminosas, ao retirar do convívio social indivíduos que, em sua maioria, já desempenham funções na engrenagem do crime”, afirmou.

A ofensiva teve como base o cruzamento de dados do Banco Nacional de Mandados de Prisão com ferramentas de monitoramento, permitindo identificar criminosos que se escondiam na região, inclusive vindos de outros estados. A estratégia também desencadeou o “efeito colateral” que, ao buscar foragidos, a polícia acabou identificando outros crimes em andamento.

Casos de roubo, receptação, violência doméstica, perseguição (stalking) e até homicídios foram esclarecidos ou tiveram autores presos durante a operação. Em muitos casos, segundo os investigadores, os suspeitos já estavam em atividade criminosa no momento da abordagem, o que levou a prisões em flagrante.

Laboratório de drogas e armamento pesado

Um dos desdobramentos mais relevantes ocorreu em Guarujá, onde os agentes localizaram um laboratório clandestino de refino de drogas. No imóvel, foram apreendidos insumos químicos, panelas industriais, anotações e equipamentos utilizados na produção de entorpecentes.

Também foi encontrado um fuzil com carregador, recolhido para perícia. A investigação, conduzida pela Delegacia de Homicídios do Deinter-6 em Santos, apura a ligação do local com crimes como homicídio, sequestro e organização criminosa.

Segundo a investigação, a jovem Maria Eduarda Cordeiro da Silva, de 20 anos, conhecida como “Duda Encrenca”, foi sequestrada, torturada e executada por integrantes de uma facção criminosa em Guarujá. O corpo ainda não foi localizado. Quatro pessoas foram presas em fevereiro.

Divulgação/Polícia Civil

Crimes diversos e impacto regional

A operação revelou uma ampla diversidade de crimes praticados pelos detidos. Entre eles, furtos de carga, receptação de mercadorias, incluindo grãos e fios de cobre, além de crimes contra a mulher, como violência psicológica, prevista no artigo 147-B do Código Penal.

Em um dos casos, na região da General Câmara, em Santos, um suspeito foi preso com cerca de três toneladas de grãos furtados e materiais metálicos, que seriam revendidos ilegalmente.

A polícia também atuou em áreas consideradas críticas, como comunidades com presença de barricadas e histórico de confrontos armados, a exemplo da região da Vila Gilda, no Rádio Clube, em Santos. Mesmo em locais de difícil acesso, os agentes conseguiram cumprir mandados sem registros de troca de tiros.

Além do impacto imediato na retirada de criminosos das ruas, a operação busca ampliar a sensação de segurança e reforçar a confiança da população nas forças de segurança. Para o delegado, o planejamento foi determinante. “Há um ditado policial que diz que, quando a ação é bem planejada, não há disparo. Foi o que aconteceu. Pegamos esses indivíduos de surpresa”, explicou.

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