20/05/2026

Petróleo recua com sinais de avanços nas negociações EUA-Irã e retomada em Hormuz

Por Folha Press em 20/05/2026 às 16:01

Geraldo Falcão/Agencia Petrobras
Geraldo Falcão/Agencia Petrobras

O preço do petróleo está em queda firme nesta quarta-feira (20), estendendo as perdas do dia anterior em meio a sinais de normalização do tráfego no estreito de Hormuz e de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

O contrato de julho para o Brent, referência internacional, recuava 7,68% por volta das 12h (horário de Brasília), com cada barril cotado a US$ 103,49. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência dos Estados Unidos, marcava perdas de 5,32%, a US$ 98,83 o barril, na mínima do dia.

O mercado repercute a possibilidade de uma trégua definitiva na guerra que tomou o Oriente Médio há quase três meses. Na véspera, o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, chegou a afirmar que as negociações estavam progredindo e que nenhum dos lados quer ver uma retomada da ação militar.

“Acreditamos que fizemos muito progresso. Achamos que os iranianos querem fazer um acordo”, disse Vance a repórteres em reunião na Casa Branca.

O presidente Donald Trump adiou, também na terça-feira, uma nova campanha de bombardeiro contra Teerã uma hora antes de o prazo expirar. As ameaças dos Estados Unidos foram retrucadas pelo governo iraniano, que afirmou que iria espalhar a guerra para além do Oriente Médio caso os norte-americanos voltassem a atacar o país.

“Se a agressão contra o Irã for repetida, a prometida guerra regional se estenderá além da região desta vez”, declarou a Guarda Revolucionária em uma nota divulgada pela mídia estatal.

Uma nova proposta de cessar-fogo foi apresentada por Teerã nesta semana, mas seus relatos públicos repetem termos anteriormente rejeitados por Trump, incluindo exigências de controle do estreito de Hormuz, compensação por danos de guerra, levantamento de sanções, liberação de ativos congelados e a retirada das tropas norte-americanas da região.

Apesar da queda dos últimos dias, o petróleo segue refletindo o incerto vaivém das negociações. Os preços permanecem elevados: na segunda-feira, o Brent atingiu o maior valor desde 5 de maio; o WTI, desde 30 de abril.

“Continuamos a ter quantidades significativas de petróleo off-line e, como a infraestrutura regional está na mira, estamos apenas prendendo a respiração até que consigamos um acordo ou outra rodada de ação militar, portanto, um resultado binário bastante significativo nos aguarda”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital.

Há sinais de que o tráfego por Hormuz, via marítima antes responsável pelo escoamento de 20% de todo o petróleo e gás natural produzidos no mundo, está sendo retomado. Segundo dados de navegação da LSEG e da Kpler, três superpetroleiros cruzaram a hidrovia rumo à Ásia nesta quarta, depois de mais de dois meses de espera no Golfo Pérsico com 6 milhões de barris de petróleo bruto do Oriente Médio a bordo.

Os navios usaram uma rota de trânsito definida pelo Irã, em sinal de flexibilização parcial do bloqueio que motivou a escalada do preço da commodity nas últimas semanas. Cerca de 20 mil navegadores permanecem presos no Golfo a bordo de centenas de navios.

Antes do início da guerra, o tráfego marítimo pelo estreito era de 125 a 140 passagens diárias, em média.

Nos últimos dias, o tráfego marítimo tem sido, em média, de dez navios que entram e saem do estreito, incluindo navios de carga e outros, sendo que os navios-tanque de petróleo ainda representam uma pequena proporção do volume total, de acordo com análise da Reuters baseada em dados de rastreamento de navios.

“O ambiente operacional permanece de alto risco com base nos recentes ataques a navios na área”, disse o Centro Conjunto de Informações Marítimas liderado pela Marinha dos EUA em uma nota na terça-feira.

Nesta quarta-feira, associações do setor de transporte marítimo emitiram novas orientações para os navios que pretendem navegar pelo estreito, apontando para vários riscos, incluindo o de serem atacados, a ameaça de drones e minas, mas também o congestionamento imprevisível do tráfego e a “supervisão militar reduzida”.

“Centenas de embarcações continuam impossibilitadas de transitar pelo Estreito de Hormuz e, no caso de um retorno às condições mais normais de navegação, o movimento de todas essas embarcações dentro do Estreito poderia representar um risco considerável à navegação”, disseram as associações na orientação.

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