No afã de abrir os seus caminhos, mulher perde R$ 36 mil em estelionato espiritual
Por Santa Portal em 09/09/2021 às 06:12
Uma moradora de Santos de 52 anos acusa um homem de tê-la enganado, causando-lhe prejuízo de R$ 36.400,00, sob o pretexto de realizar trabalhos místicos para “levantar a vida” e “abrir os caminhos” dela. O caso foi registrado no 7º DP, na última terça-feira (7).
Em entrevista ao Santa Portal, o acusado, de 43 anos, nega o suposto estelionato espiritual e ainda se diz vítima. “Ela não foi forçada a fazer nada. Só fiz o bem e não é justo ela falar isso agora. A minha consciência está limpa”.
Segundo a mulher contou à equipe da delegada Daniela Perez Lázaro, ela conheceu o acusado em um terreiro de candomblé no início de março deste ano. O homem teria dito que ambos eram “irmãos de outras vidas” e ela aceitou o convite para morar na casa dele para “continuar a missão espiritual”. A residência fica na Zona Leste de São Paulo.
A partir daí, ainda conforme a versão da mulher que consta no boletim de ocorrência, o homem lhe pediu quantias em dinheiro para realizar trabalhos de limpeza espiritual. As importâncias foram depositadas na conta do acusado e totalizaram R$ 36.400,00.
De acordo com a mulher, por estar “frágil e vulnerável”, ela demorou para perceber que tudo não passava de um engodo. Apenas em junho, após conversar com uma irmã também moradora em Santos, ela “abriu os olhos” e se afastou do acusado.
Desde então, a vítima alega que pede a devolução dos valores depositados na conta do acusado, mas ele se esquiva. A mulher entregou no distrito policial um pen drive com extratos bancários, áudios e outro dados que comprovariam a sua acusação. O Santa Portal entrou em contato com ela, que preferiu não se manifestar.
Outro lado
Antes de eventual intimação para prestar esclarecimentos, o acusado conversou na quarta-feira (8) com o Santa Portal e afirmou que a mulher lhe pediu auxílio espiritual, após conhecê-lo em um terreiro de candomblé na Zona Leste da Capital.
Ele ressaltou não ser dirigente da casa religiosa e disse que recebeu em sua moradia, onde reside com a companheira, a suposta vítima e a filha adolescente dela. “Ela me procurou, dei abrigo e apenas comprei o que ela mandou”.
A compra mencionada refere-se a artigos religiosos para “obrigações”. Eles foram adquiridos em etapas, conforme a vítima realizava os depósitos. “Nada foi para o meu bolso. Não tenho culpa de ela desistir na reta final e querer o dinheiro de volta. A loja não aceita devolução e algumas obrigações já foram feitas”, completou o acusado.
Questionado sobre o fato de ter se aproveitado da vítima em período no qual ela estaria vulnerável, o homem também contestou. “Ela não é leiga, inclusive, faz a leitura de cartas, porque é cartomântica (sic). Agora está tudo entregue a Xangô (orixá da justiça)”.