Baixada Santista registra aumento de 50% nas mortes no trânsito em janeiro de 2026

Por Anna Clara Morais em 03/03/2026 às 05:00

Reprodução/Guarujá Mil Grau
Reprodução/Guarujá Mil Grau

A Baixada Santista contabilizou 33 mortes em acidentes de trânsito em janeiro, o que representa 11 mortes a mais do que o registrado no mesmo período de 2025, segundo dados do Infosiga.

Atropelamentos de idosos em Santos, São Vicente e Praia Grande

Em um intervalo de apenas 15 dias, três casos de atropelamentos fatais envolvendo idosos chocaram a região, evidenciando a insegurança para pedestres. Dois deles entrarão no somatório de fevereiro.

Em um deles, um idoso de 89 anos morreu após ser atropelado por uma moto em 31 de janeiro, em Santos, na Avenida Conselheiro Nébias, uma das vias mais movimentadas da cidade. O motociclista fugiu do local sem prestar socorro.

Em outro, uma idosa, de 69 anos, morreu após ser atropelada em 9 de fevereiro, na Rua Guilherme Guinler, no bairro Catiapoã, em São Vicente. No mais recente, em 11 de fevereiro, um idoso de 76 anos veio a óbito após ser atropelado por um motorista que fugiu sem prestar socorro a ele em Praia Grande.

Raio-X das mortes no trânsito da Baixada Santista (janeiro 2026 x janeiro 2025)

Destaca-se Guarujá, em que os casos dobraram de um ano para o outro, representando um aumento percentual de 100%, passando de três sinistros para seis. 

Em Cubatão, o cenário é parecido, os óbitos também dobraram, mas passaram de uma vítima no primeiro mês de 2025 para duas em 2026. 

Já nas vias de Mongaguá, seis pessoas morreram em acidentes em janeiro deste ano, crescimento de 500% em comparação com o ano anterior. Nas demais cidades, a variação foi nula ou negativa (confira na tabela abaixo).

Crise da mobilidade rodoviarista

O aumento nas mortes ocorre após um ano de 2025 que já havia fechado em alta, com 285 óbitos (1,4% a mais que 2024). Para Diogo Damasio, pesquisador do INCT Observatório das Metrópoles, o problema é estrutural e reflete o privilégio dado ao transporte motorizado individual.

“Numa região orientada para o transporte individual motorizado, e ao mesmo tempo vocacionada para caminhar e pedalar, a alta frequência de acidentes fatais expressa a crise de uma mobilidade rodoviarista, que privilegia o veículo individual motorizado, como carros, motos, caminhões, e assim expõe a população aos inúmeros riscos de atitudes individuais dos muitos condutores desses veículos”, afirma o especialista.

Soluções além da sinalização

De acordo com Damasio, medidas paliativas de sinalização são insuficientes para reverter o quadro atual, comparando-as a “enxugar gelo”.

“Essas medidas tendem a apenas enxugar o gelo de um quadro geral que está derretendo, um quadro insustentável. A principal resposta está no nível estrutural da mobilidade urbana, mas envolve mudar lugares e privilégios. É preciso reverter o domínio do carro em nossas cidades, ainda mais numa região como a Baixada Santista, com potencial de exemplo ao país. As ruas e as cidades precisam se tornar espaços de domínio do pedestre e do ciclista, mesmo que o carro circule por elas. Isso implica em obras físicas em pequena, média e grande escala”, explica o pesquisador.

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