02/05/2026

MC Ryan é transferido para presídio no interior de SP

Por Bárbara Sá e Paulo Eduardo Dias/Folhapress em 02/05/2026 às 07:00

Sérgio Cyrillo/Divulgação
Sérgio Cyrillo/Divulgação

O funkeiro MC Ryan SP foi transferido na manhã de quinta-feira (30) do Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém, na zona leste de São Paulo, para a Penitenciária 2 de Mirandópolis, no interior do estado. Procurada, a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) confirmou por e-mail a transferência do investigado.

A reportagem apurou que a decisão da mudança partiu da secretaria. Ryan foi preso no dia 15 de abril durante uma operação que investiga uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de lavagem de dinheiro e transações ilegais. Até então, ele estava no CDP.

A penitenciária de Mirandópolis abriga presos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital), o que é uma realidade majoritária entre as unidades prisionais paulistas. Embora uma conexão direta com a facção não tenha sido demonstrada pela investigação até aqui, Ryan e seu entorno são suspeitos de ter conexões com a organização.

Essa acusação parte principalmente das investigações contra produtoras de funk acusadas de lavar dinheiro do PCC. Os documentos da PF mostram que Ryan e empresas ligadas a ele receberam dinheiro dessas produtoras.

A reportagem buscou o advogado Felipe Cassimiro, que representa o artista, por meio de mensagem, mas não obteve retorno até esta sexta-feira (1º). Em manifestações anteriores, a defesa negou qualquer envolvimento do cantor em atividades criminosas. A SAP não comentou oficialmente os motivos das transferências.

A prisão de Ryan ocorreu durante uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista. Na mesma data, também foram detidos o cantor MC Poze do Rodo, o influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, além de outros investigados.

Segundo a investigação, o grupo utilizava a indústria audiovisual e o showbusiness digital para integrar atividades ilícitas, associando tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais à imagem de influenciadores com grande alcance nas redes sociais.

Durante interrogatório, Ryan detalhou sua estrutura financeira. Ele afirmou ser proprietário de empresas ligadas à carreira artística, como a Bololo Records Entretenimentos, voltada ao agenciamento de artistas, além da Mc Ryan SP Produção Artística Ltda e de uma holding patrimonial. De acordo com o cantor, essas empresas concentram receitas provenientes de shows, publicidade e direitos autorais.

Ryan declarou possuir imóveis avaliados em milhões de reais, como a casa onde mora, além de apartamentos e uma chácara em Goiás. Também mencionou veículos de alto padrão. Conforme o depoimento, todos os bens estão declarados no imposto de renda.

Afirmou não ter ciência de operações com dinheiro em espécie ou criptoativos, como usdt, nem participação em grupos de mensagens voltados a remessas de valores.

Ele negou práticas investigadas, como fracionamento de valores, uso de interpostas pessoas (laranjas), compensações informais e transporte de dinheiro em espécie, além de qualquer movimentação ilícita em suas contas.

Sobre transferências de menor valor, disse que, “por questões operacionais bancárias e de preservação”, repassa quantias a colaboradores para pagamento de despesas de produção musical, como contratação de modelos e custos de gravação, funcionando como reembolso.

Outro ponto citado pela PF envolve o volume de microtransações via Pix. Segundo o cantor, esses valores podem estar ligados a pagamentos por publicidade de apostas e a transferências feitas por fãs.

O depoimento também menciona o uso de contas de terceiros. Ryan afirmou que, por limitações operacionais bancárias, utiliza contas de colaboradores para realizar pagamentos ligados à sua atividade, com posterior compensação, e negou qualquer relação com ocultação de recursos.

A operação que levou à prisão dos investigados é um desdobramento da Operação Narco Bet, deflagrada em outubro do ano passado. As investigações apontam que o grupo movimentava valores em escala bilionária por meio de empresas de fachada, contas de terceiros e fragmentação de transferências para dar aparência de legalidade aos recursos.

Dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e diálogos extraídos da nuvem vinculada ao contador Rodrigo Morgado indicam que as movimentações financeiras suspeitas seguiram ativas ao longo do segundo semestre de 2025, inclusive em dezembro. Morgado já havia sido preso anteriormente sob suspeita de atuar na lavagem de dinheiro ligada ao tráfico internacional de drogas por meio de apostas online.

As investigações apontam que ele exercia papel central na engrenagem financeira do esquema, atuando como intermediador na movimentação de recursos, com uso de contas de terceiros, empresas e criptoativos.

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