Lula diz que bombardeios dos EUA a Venezuela 'ultrapassam uma linha inaceitável'
Por Mariana Brasil e Catia Seabra/Folhapress em 03/01/2026 às 14:13
O presidente Lula (PT) repudiou os ataques dos Estados Unidos a Venezuela e afirmou que ultrapassam uma linha “inaceitável”. O presidente diz que atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência.
“Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, escreveu a conta de Lula no X (antigo Twitter).
O ataque feito pelos EUA a Venezuela neste sábado (3) é considerado como a maior intervenção contra a América Latina em décadas. O governo de Donald Trump bombardeou a capital, Caracas, e capturou o ditador Nicolás Maduro e sua esposa. Segundo Trump, Maduro será levado para os EUA para julgamento por narcoterrorismo e crimes relacionados a tráfico de drogas.
“A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz. A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, diz ainda a nota de Lula.
Antes da manifestação oficial, a secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha, já havia convocado uma reunião de emergência com ministros para discutir a situação internacional. A diplomacia brasileira vem reunindo informações sobre o ataque desde a madrugada.
Lula está participando da reunião de forma remota, por estar em Marambaia (RJ), onde passou o Réveillon.
Além de ministros que estão em Brasília, a reunião deverá contar com a presença de representantes das Forças Armadas, do Ministério da Justiça, além do titular da Defesa, José Múcio Monteiro, já que uma das pautas deverá ser a situação das fronteiras brasileiras.
No começo do mês, Lula conversou por telefone com Nicolás Maduro, sobre a escalada militar dos Estados Unidos contra o país vizinho. O governo Trump já havia mobilizado forças militares para o entorno do país desde por volta de setembro de 2025, sob alegações de visar combater o narcotráfico na região.
Foi a primeira conversa entre os dois desde a eleição na Venezuela no meio do ano passado, quando Maduro foi declarado vencedor apesar de denúncias de fraude por parte da oposição.
Na mesma semana em que conversou com Maduro, Lula também falou por telefone com Trump para tratar do combate ao crime organizado internacional. Segundo informações do governo brasileiro à época, a situação com a Venezuela não foi abordada.
Os ministros Alexandre Padilha (Saúde), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Sonia Guajajara (Povos Indígenas) também se manifestaram sobre o tema, com críticas à intervenção estadunidense e alerta para o risco à vida de pessoas nas regiões.
Boulos chamou o governo dos EUA de criminoso e acusou o país de usar o pretexto de defesa da democracia para invadir territórios e explorar o petróleo da região.
Também pelas redes sociais, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB) criticou os ataques e a captura de Maduro, e afirmou que a América do Sul vive um retrocesso histórico neste sábado (3).
“Que Maduro não deveria nem poderia mais permanecer, como ditador, não há dúvida. A questão não é essa. A questão é se os fins justificam os meios e se somos na América Latina meras colônias como quando os primeiros europeus chegaram por aqui. A resposta é não! “, escreveu ele.