Lúcia Teixeira participa de encontro ibero-americano da Meta Red
Por Santa Portal em 17/06/2021 às 17:05
Primeira mulher eleita para a presidência do Semesp e da Meta Red Brasil, entidades que reúnem instituições de ensino superior brasileiras, e também presidente da Unisanta, Lúcia Teixeira destacou a responsabilidade e a importância da participação feminina a serviço da Educação, da Ciência, da Cultura na superação de preconceitos durante o encontro iberoamericano “Mulheres que transformam o mundo”, realizado simultaneamente em outros países nesta manhã de quinta (17).
Representando o Brasil, Lúcia foi convidada para falar sobre sua experiência pessoal, a participação das mulheres brasileiras no mercado de trabalho, incluindo a Ciência e a Tecnologia.
“Em um momento que talvez seja o mais desafiador da nossa história, em que nossas instituições representam a luz e o equilíbrio, estamos caminhando para conquistar um cenário melhor referente à igualdade de gênero no mercado de trabalho, mas ainda temos muito o que fazer, principalmente quando tratamos de mentalidade de diversidade.”
A educadora citou pesquisas recentes mostrando que a participação feminina em posição de destaque dobrou entre 2012 e 2020. Também citou que o número de mulheres em cargos de liderança na área da educação superior aumenta a cada ano.
“Isso tem feito com que a ocupação feminina nos cargos de liderança tenha se tornado mais comum. Os motivos, são vários, mas nenhum deles exclui a importância da participação masculina no processo educacional do ensino superior. Eu sei, e todos vocês também sabem, que temos um longo caminho pela frente. As mulheres ainda precisam provar que estão mais capacitadas para exercer esses cargos. Lutamos pela diversidade e igualdade para todos os seres humanos, igualdade de gênero, raça, cor, classe social , orientação sexual, enfim para cada um poder de realizar e ser o que quiser ser”, comentou.
Em sua fala, Lúcia Teixeira afirmou que acredita que protagonismo continua a crescer: “Eu vejo as mulheres investindo em suas carreiras, procurando ampliar o aprendizado profissional e marcando sua presença com sensibilidade e muita segurança. Estamos caminhando para conquistar um cenário melhor referente à igualdade de gênero no mercado de trabalho, mas ainda temos muito o que fazer, principalmente quando tratamos de mentalidade de diversidade.”
Para ela, empoderamento consiste em autonomia, pela qual as organizações e as pessoas tomam controle do seu destino, competências e habilidades: “Muitas pessoas acham que o empoderamento está ligado a privilégios, mas pelo contrário, esse termo tem conexão com a consciência coletiva, com ações para fortalecer a diversidade e promover a igualdade”.
Outro grande desafio citado pela presidente do Semesp e da Meta Red Brasil foi a necessidade de aumentar a diversidade no setor de T.I e em todas as áreas ligadas à tecnologia e inovação.
“Existe um histórico social e cultural que impede as mulheres, desde crianças, de acreditarem que elas podem atuar na área de tecnologia. Pesquisas mostram que a partir dos 6 anos as meninas começam a pensar que não são boas para as exatas, logo cria-se um intelecto de que computador é apenas para meninos, o que não é real.”
Citou também que nos últimos cinco anos, a participação feminina no Brasil nas áreas de tecnologia cresceu 60% — passando de 27,9 mil mulheres para 44,5 mil em 2019, mas ainda representando 20% dos profissionais de tecnologia do país.
“Se a mudança continuar nesse ritmo, em menos de 10 anos a participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro deve crescer mais do que a masculina em muitos segmentos — a ciência e tecnologia são alguns deles. E queremos trabalho para todos, mulheres e homens.”
Os números de crescimento da participação feminina em cargos de liderança na área da educação superior também refletem uma realidade, destacada por Lúcia: “Homens e mulheres estão compartilhando, confiando, trabalhando em equipe e respeitando um ao outro. Troca, transformação e busca de novos caminhos para conseguir uma visão mais ampla na completude de todos os seres, gênero, raça, cor, classe social, orientação sexual, e qualquer preconceito.”
Incentivando a realização de eventos como esse e a publicação dos trabalhos sobre o tema nas universidades, ela concluiu ressaltando que é preciso colocar em prática esses princípios para gerar a equidade de gênero.
“Devemos apoiar as novas e as velhas gerações, apontando o caminho para a justiça global, com desenvolvimento humano e ambiental de qualidade. Nós temos a responsabilidade de dar condições para que crianças, jovens e adultos estudem, e sejam o que quiserem ser, encontrando formas de criar que tragam o bem para a sociedade, por meio do seu trabalho, estudo e cidadania”.
Participantes do encontro ibero-americano da Meta Red
Além de Lúcia Teixeira, participaram também Ana Costa Freitas, presidente da Metared Portugal e Reitora da Universidade de Évora; Esther Giménez-Salinas i Colomer, presidente de Honra da MetaRed e diretora da Cátedra de Justicia Social y Restaurativa da Universidad Ramon Llull, da Espanha; Cecilia Paredes, presidente da Red CEDIA, da MetaRed Ecuador e reitora da Escuela Superior Politécnica del Litoral (ESPOL); Erika Sánchez, coordenadora da Mujeres en TIC de ANUIES-TIC.