Internações por síndromes respiratórias recuam na Baixada às vésperas do inverno
Por Beatriz Pires em 24/06/2026 às 20:00
Com mais de 260 mil doses da vacina contra a gripe aplicadas, Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande e Bertioga iniciam o inverno com indicadores de doenças respiratórias em queda. Apesar do cenário positivo, especialistas alertam que medidas como ventilação de ambientes e higiene frequente das mãos continuam fundamentais para conter a circulação de vírus como influenza, covid-19 e vírus sincicial respiratório (VSR), especialmente entre crianças e idosos.
“Cada grau que se reduz de temperatura aumenta o risco de as pessoas desenvolverem infecções respiratórias virais”, destaca o pneumologista Franco Martins.
Segundo o especialista, o cenário epidemiológico típico do inverno é composto por múltiplos agentes infecciosos. Atualmente, a Influenza A lidera as hospitalizações por doenças respiratórias, seguida pelo coronavírus e pelo VSR, que apresenta maior incidência entre crianças.
Martins explica que o risco aumenta nos casos de coinfecção, quando o paciente é acometido por mais de um vírus simultaneamente ou desenvolve uma pneumonia bacteriana após uma infecção viral inicial.
Frio exige atenção redobrada
O ar frio e seco atua diretamente sobre o sistema respiratório, comprometendo a barreira natural de proteção das vias aéreas e facilitando a entrada de vírus e bactérias. Para pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), o período exige atenção especial.
“O frio pode provocar broncoespasmos e agravar sintomas em quem já possui a capacidade pulmonar comprometida”, explica.
Além da vacinação contra a gripe, o especialista ressalta a importância de manter os tratamentos médicos em dia. “A pessoa vacinada, além de ter sintomas mais leves e de menor duração, reduz a quantidade de vírus que elimina, diminuindo as chances de transmissão para outras pessoas.”
Vacinação ajuda a reduzir internações
A queda mais expressiva foi registrada em Santos, onde as internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) caíram de 110 para 10 casos na comparação com o mesmo período de junho do ano passado.
O alívio na rede hospitalar também é observado em outros municípios da região. Em São Vicente, as internações recuaram 55,3%, passando de 47 para 21 registros. Já Guarujá contabilizou 99 casos de SRAG nos primeiros cinco meses deste ano, contra 161 no mesmo período de 2025. Em Bertioga, os casos confirmados caíram de 11 para quatro.
Com cobertura vacinal de 39,4% em Santos e 35,8% em Guarujá, os indicadores apontam para uma menor pressão sobre o sistema público de saúde, permitindo que as cidades iniciem o inverno com maior disponibilidade de leitos e melhor controle epidemiológico.
Sinais de alerta
Além da imunização contra a Influenza, a vacina pneumocócica, que protege contra formas graves de pneumonia, também é recomendada para grupos de risco e está disponível tanto na rede pública quanto na privada.
Os especialistas alertam para a necessidade de procurar atendimento médico diante de sintomas que possam indicar agravamento do quadro respiratório, como:
- Falta de ar;
- Chiado no peito;
- Febre persistente acima de 37,8°C;
- Confusão mental ou sonolência excessiva;
- Redução da urina em crianças;
- Irritabilidade intensa.
A orientação é que pacientes aproveitem a ida às unidades de saúde para verificar a situação vacinal e atualizar as doses recomendadas.
Para manter o controle epidemiológico durante os meses mais frios, a vacinação continua disponível nas unidades básicas de saúde e em postos estratégicos da região, como o Shopping Brisamar, em São Vicente, para toda a população a partir dos seis meses de idade.
O pneumologista reforça que, além da imunização, a continuidade dos tratamentos para doenças crônicas e a adoção de hábitos preventivos permanecem essenciais para atravessar o inverno com segurança.