Guarujaense Charles do Bronxs domina Max Holloway, conquista cinturão BMF e faz história no UFC

Por Rodrigo Cirilo em 08/03/2026 às 02:43

Reprodução/Instagram @UFC Brasil
Reprodução/Instagram @UFC Brasil

O guarujaense Charles Oliveira, o Charles do Bronxs, de 36 anos, dominou o havaiano Max Holloway, de 34, e conquistou o cinturão BMF por decisão unânime na luta principal do UFC 326, realizada na madrugada deste domingo (8), em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Recordista de golpes significantes na história do UFC, com 3.655 até antes do início da luta, o então campeão pouco conseguiu atingir o brasileiro. Dominante e estratégico durante os cinco rounds, Charles impôs seu jiu-jitsu, sua principal arma, para controlar a luta e garantir o cinturão inédito para o Brasil.

O título BMF — sigla para Baddest Motherfucker, expressão popularizada no MMA para definir o lutador mais “casca-grossa” da organização — é um cinturão simbólico do Ultimate Fighting Championship (UFC) concedido a atletas conhecidos pelo estilo agressivo e pela capacidade de protagonizar lutas memoráveis.

Após o anúncio do resultado, o cinturão foi entregue ao brasileiro por seu pai, Francisco Antonio da Silva. A mãe Ozana Oliveira, a esposa Vitória Brum e os filhos Tayla Oliveira e Dominic Oliveira Brum também subiram ao octógono para celebrar a conquista.

Com a vitória, Charles chegou a 25 triunfos no UFC, isolando-se como o segundo lutador com mais vitórias na história da organização. Ele fica atrás apenas do estadunidense Jim Miller, que soma 27. O brasileiro também mantém marcas históricas, como maior número de vitórias por finalização (17), vitórias pela via rápida (21) e bônus da noite (21).

O cartel do guarujaense no MMA, somando combates em outras organizações, conta com 37 vitórias, 11 derrotas e uma luta sem resultado. Já Holloway agora conta com 27 triunfos e nove reveses. O havaiano afirmou que continuará buscando disputar títulos no Ultimate.

No microfone após a luta, Charles pediu mais um bônus de luta da noite e se colocou à disposição para competir no evento previsto para acontecer na Casa Branca, em 14 de junho. O card do UFC Freedom 250 terá como destaque a luta pela unificação do título peso-leve, categoria do guarujaense, entre o espanhol-georgiano Ilia Topuria (campeão linear) e o estadunidense Justin Gaethje (campeão interino).

Revanche após uma década

O combate marcou uma revanche aguardada há mais de dez anos. Os dois lutadores haviam se enfrentado em 2015, quando Holloway venceu após uma lesão de Charles ainda nos primeiros minutos da luta.

Desde então, o brasileiro se consolidou como um dos maiores nomes do MMA mundial, conquistou o cinturão dos leves do UFC e acumulou recordes na organização.

O que é o cinturão BMF

O cinturão BMF surgiu em 2019 como um título simbólico para premiar lutadores conhecidos pelo estilo agressivo e pelo carisma dentro do octógono.

O primeiro campeão foi Jorge Masvidal, que venceu Nate Diaz no UFC 244. O título permaneceu com ele até 2023, quando se aposentou. Com o cinturão vago, Justin Gaethje conquistou o título ao nocautear Dustin Poirier no UFC 291.

Já em 2024, Holloway assumiu o posto ao nocautear Gaethje no histórico UFC 300. Na ocasião, faltando poucos segundos para o fim da luta, o havaiano apontou para o centro do octógono e chamou o adversário para a trocação franca antes de acertar um cruzado no último segundo, protagonizando um dos nocautes mais marcantes da história do UFC.

Como foi a luta

Charles começou a luta conectando bons chutes baixos enquanto Holloway trabalhava os jabs. Antes de completar um minuto de combate, o guarujaense encaixou um cruzado, clinchou o adversário e conseguiu levá-lo ao solo.

No jogo de chão, o brasileiro controlou as ações e chegou a pegar as costas do detentor do cinturão BMF, tentando finalizar com um mata-leão. Holloway resistiu até o fim do primeiro round.

No segundo assalto, o havaiano tentou impor seu boxe, mas Charles voltou a derrubar e colocou o jiu-jitsu em prática. Mesmo sem conseguir a finalização, o brasileiro pontuou com cotoveladas e manteve o domínio.

O roteiro se repetiu no terceiro round. Antes da queda, Charles ainda acertou uma joelhada de encontro que atingiu em cheio o rosto do adversário. No solo, controlou o combate e neutralizou as ações do rival.

No quarto round, o semblante de frustração de Holloway já era evidente. O havaiano voltou a ser derrubado e passou grande parte do tempo sendo controlado pelo brasileiro.

No último assalto, Holloway até conseguiu cair por cima após uma tentativa de queda, mas o combate permaneceu majoritariamente no solo, sem sucesso para o havaiano. Nos segundos finais, Charles repetiu o gesto que ficou famoso com o rival: apontou para o centro do octógono e o convidou para a trocação franca, encerrando a luta sob aplausos do público.

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