Jovem perde bebê após 40 semanas e parto gera apreensão em família

Por Santa Portal em 20/09/2021 às 15:21

Após perder o bebê, a jovem Milena Glória Cardoso de Castro, de 19 anos, está internada na Maternidade Municipal do Hospital São José, em São Vicente, desde domingo (19) – ainda com o corpo da criança falecida no ventre. Em resumo, a equipe da maternidade tentou induzir um parto normal para a retirada da criança, ainda que não haja dilatação do ventre.

A decisão de fazer uma cesárea, segundo a prima da jovem, Sabrina Segecs, veio somente na manhã desta segunda-feira (20), após pressão da população e políticos do município.

Milena está grávida de 40 semanas, e logo no início da gestação, ela teve um descolamento de placenta. Com cinco meses, ela pegou toxoplasmose (infecção causada por um protozoário). No entanto, não foi feito nenhum tratamento; Sabrina relata que foram receitados alguns remédios, e com seis meses de gestação, ela teria que refazer o exame para checar se a doença ainda estava no organismo.

“Ela continuou com a doença, e descobriram que a bebê estava também. Mas não saiu o laudo ainda. Não teve acompanhamento médico, nem no postinho”, conta Sabrina.

Por ser uma gravidez de risco, Milena apresentou ao hospital uma carta para internação de duas semanas. A jovem compareceu ao hospital no sábado (18), onde foi constatado que ela estava com um sangramento. Ainda sim, os médicos optaram por interná-la no domingo. Milena compareceu ao hospital às 3h, e depois às 9h.

Foi no domingo que, então, fizeram o exame de cardiotocografia para avaliar a vitalidade do bebê, que mostrou que o coração da criança batia muito fraco. Após ver o exame, a médica orientou fazer uma cesária urgente. Durante os preparativos, o bebê, Lara Mayte, veio a óbito.

Porém, não houve tal urgência, mesmo com a morte da criança, conforme relato dos familiares. Desde que Milena foi internada, às 15h, a equipe tentou induzir parto normal. Mesmo com a injeção aplicada, ela não tem dilatação para fazer o procedimento.

“Ela tem pressão baixa. Estão dando um remédio para ela que está fazendo a pressão chegar a 15 por 12, a 16. A pressão dela está aumentando muito rápido”, conta Sabrina.

A justificativa para a escolha do parto normal em vez de uma cesárea dada pela equipe é, segundo Sabrina, porque Milena tem apenas 19 anos, e uma cesárea poderia complicar uma gravidez futura.

Até a manhã desta segunda-feira (20), o parto normal estava sendo realizado, mesmo com todos os riscos, o que mudou rapidamente. “Vinte minutos atrás, estavam fazendo o normal. Agora que estão fazendo escândalo, começaram a se movimentar para fazer a cesárea”, explica Sabrina, sobre a mobilização nas redes sociais e de políticos da cidade.

O que diz a Prefeitura

A Secretaria de Saúde de São Vicente (Sesau) informou, em nota, que Milena deu entrada na Maternidade Municipal neste domingo (19) por volta do meio-dia para controle de vitalidade fetal, devido à idade gestacional de 40 semanas e três dias. Afirmou ainda que a paciente não apresentava sangramento ou perda de líquido.

“Foram realizados cardiotocografia e exame ginecológico, constatando que a paciente não estava em trabalho de parto, mas com taquicardia fetal. A paciente e sua mãe foram informadas sobre o quadro obstétrico. Em seguida, a gestante foi internada para realização da cesárea”, explica a nota.

Ainda de acordo com a Sesau, antes do procedimento, foi aproximado o sonar na barriga da gestante para auscultar o foco, e foi constatado que não havia mais batimento cardíaco no feto. Milena foi então encaminhada para a realização de ultrassonografia, que confirmou o óbito fetal e derrame pericárdico. Segundo a nota, Milena passou por uma cesárea e segue internada na Maternidade Municipal, acompanhada de familiar.

Pré-Natal para o bebê e mãe

Ainda na nota, a Secretaria de Saúde informou que a gestante iniciou o pré-natal na Unidade Básica de Saúde (UBS) Esplanada dos Barreiros, com seis semanas de gestação, e realizou, ao todo, 14 consultas.

O primeiro exame foi coletado logo na abertura do pré-natal, em 29 de janeiro, e apresentou toxoplasmose, com IgG e IgM positivos, com avidez alta.

“Devido ao resultado do exame, a gestante foi encaminhada para triagem de pré-natal de alto risco. Após avaliação, seguindo protocolo do Ministério da Saúde, por apresentar avidez alta em sorologia colhida antes de 16 semanas, não havia indicação de tratamento ou encaminhamento para pré-natal de alto risco, visto que a infecção foi adquirida antes da gestação”, informa a nota.

Em 27 de julho, a gestante repetiu os exames, mantendo o resultado de toxoplasmose.

“A Sesau esclarece que todos os protocolos de atendimento para este caso específico foram seguidos e respeitados durante todo o pré-natal.

A Prefeitura se solidariza com a dor da família e já se colocou à disposição para mais esclarecimentos”, finaliza.

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