Federalização do BRB começa a ser discutida entre banqueiros
Por Adriana Fernandes e Fábio Pupo/ Folha Press em 14/02/2026 às 15:17
Embora distante do cenário desejado pelo governo do Distrito Federal, a possibilidade de federalização do BRB (Banco de Brasília) passou a ser aventada nas conversas de banqueiros e executivos do setor como um possível desfecho para a instituição estatal.
A opção não está no topo da lista das alternativas para a crise do BRB, mas uma saída em que o BRB seja absorvido por um banco público federal, como o Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal, não está descartada. O movimento já aconteceu no passado, em casos como o do banco Votorantim.
A medida, no entanto, não tem apoio da classe política, que prefere a permanência do banco nas mãos do governo do Distrito Federal.
Uma pessoa que participa das negociações admite que a alternativa mais simpática ao mercado bancário é a privatização do BRB. A instituição distrital precisa de uma injeção de capital que, a depender do que ficar decidido, pode chegar a R$ 6 bilhões.
A primeira opção na mesa é um empréstimo a ser concedido em partes e condições financeiras iguais pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e um consórcio dos maiores bancos do Brasil, como mostrou a Folha.
O empréstimo seria feito pelo governo do Distrito Federal para capitalizar o BRB com garantias dadas pela gestão Ibaneis Rocha (MDB). A operação e as garantias precisam ser aprovadas pela Câmara Legislativa do DF. A legislação permite esse tipo de ação.
A compra de letras financeiras subordinadas (títulos de renda fixa emitidos por bancos para compor capital) do BRB pelos grandes bancos também é uma possibilidade, de acordo com pessoas que participam das negociações ouvidas pela Folha. Essa alternativa, no entanto, é considerada mais difícil de ser aceita pelos grandes bancos.
Uma oferta de aumento de capital, operação em que a instituição emite novas ações para captar recursos, que chegou a ser cogitada, também é vista com ressalvas. Isso porque o BRB está com a credibilidade em baixa pelo envolvimento com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central. Não é conhecido o tamanho do estrago das operações feitas com o banco de Daniel Vorcaro, além da compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro.
Uma das dificuldades é que os dois maiores bancos públicos, BB e Caixa, não estão autorizados pelo controlador, a União, a olhar os ativos e as possibilidades de ajuda ao BRB. Os dois gigantes estatais do governo federal não compraram até agora nenhuma carteira de crédito, como outros bancos privados, para ajudar a injetar recursos no banco nessa fase de dificuldade de baixa liquidez do BRB.
Procurado pela reportagem, Ibaneis Rocha disse que a imprensa “especula muito”. “Sobre o banco quem fala é o Nelson”, escreveu ele em referência ao presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza.
Parte dos envolvidos com conhecimento interno do BRB vê a federalização como uma hipótese remota no cenário atual, que seria diferente do observado semanas atrás. Apesar disso, essas pessoas reconhecem que a federalização pode vir a acontecer caso o BRB entre em algum tipo de regime especial imposto pelo Banco Central, o que não ocorreu.
A Folha de S.Paulo procurou a assessoria do BRB, que afirmou que “qualquer estimativa de necessidade de capital considerará integralmente todos os efeitos identificados na avaliação dos fundos e ativos repassados” pelo Master.
“Essa avaliação integra a apuração do Banco Central e, também, a investigação independente conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados com apoio técnico da Kroll. Após o encerramento das apurações será estabelecido o valor do aporte necessário para cobrir eventuais perdas”, diz o banco.
O BRB afirma que, entre as alternativas em estudo, estão a venda das carteiras oriundas do Master; a criação de fundo com imóveis do controlador; a contratação de empréstimo junto ao FGC ou um consórcio de bancos e aporte dos controladores. “O BRB reafirma seu compromisso com a transparência, a segurança de seus clientes, a manutenção da solidez e a continuidade de suas operações”, acrescentou o banco.