Especial Setembro Amarelo: Ouvir é uma dar formas de prevenção mais simples e difíceis de praticar
Por Isabella Chiaradia/Colaboradora em 27/09/2017 às 18:23
CVV – A proposta é simples, no entanto, não significa dizer que seja fácil colocá-la em prática. O Centro de Valorização da Vida (CVV) presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional no combate ao suicídio: a tarefa tem como desígnio oferecer uma conversa. Mas, o que torna esse diálogo especial e capaz de ser uma ação preventiva é praticar a audição.
De acordo com o voluntário de Santos, Renato Caetano, que há 34 anos atua neste serviço, a prática de ouvir o que o outro tem a dizer é uma das formas mais simples de prevenção, porém uma das menos praticadas. “Muitas das pessoas que procuram o atendimento já tentaram se abrir com pessoas próximas, mas não conseguiram”, contou.
Conforme o psicólogo Javert Junior, é natural que haja um julgamento nas conversas cotidianas com pessoas próximas ou conhecidas, como por exemplo, atribuir conselhos ou ideias a essas pessoas fragilizadas ou inferiorizar o sentimento sem intenção. “Nós acabamos muitas vezes, ainda mais quando tem o lado afetivo envolvido, a não acreditar quando a pessoa fala ou minimizar o sofrimento dela. Achamos que está querendo chamar a atenção e atribuímos uma desvalia. Na verdade, essa atenção é uma necessidade de acolhimento”, explicou.
“Se a pessoa está ligando, existe uma razão por mais simples que possa parecer àquela história. Não cabe a nós julgamos se a pessoa tem direito ou não de reclamar, se não tem motivos para estar em depressão. O objetivo do CVV é promover uma conversa acolhedora e fazer com que aquela pessoa sinta confiança de se abrir e falar como se fossemos um confidente”, lembrou Renato.
O voluntário afirma ainda que o trabalho no CVV não se refere somente a pessoas que tem o sentimento suicida. Para os voluntários, todo contato que aparece é uma forma única de expressar um sentimento. “É importante que todos saibam que o CVV é, também, para todos que sentem a necessidade de expor uma ideia, um sentimento. É como ter alguém que esteja mal e não saber lidar com isso”, garantiu.
No CVV, os voluntários não têm capacitação na área da saúde. Por isso, para ajudar é preciso escutar e estar interessado no que a outra pessoa tem a dizer. Outro conforto do serviço é o sistema de sigilo, sem utilizar nomes ou identificador de chamadas. “Uma pessoa que não tem formação, pode ajudar dando valor ao sentimento. Mesmo que as atitudes pareçam distantes, dê importância ao diálogo sem pressa, voz autoritária ou desvalorização”, advertiu o psicólogo.
Como Vai Você?
O Centro de Valorização da Vida começou com um grupo de jovens interessados em realizar um trabalho voluntário em 1962. Já na década de 60, a taxa de suicídio era considerada assustadora e, após os primeiros contatos, eles resolveram fazer o que chamavam de “Campanha de Valorização da Vida: Como Vai Você?”.
O trabalho foi se instaurando ao longo das décadas e dessa forma foi se criando postos de trabalho, onde hoje existem 80 postos espalhados pelo Brasil e mais de 2 mil colaboradores.
Em média, são atendidas 1.500 chamadas por mês só na unidade de Santos, que funciona 24 horas por dia, por meio de ligações, chat ou pessoalmente.
Contatos
Os atendimentos são sob total sigilo e podem ser realizados pelo telefone no número 141 ou (13) 3234 4111, também pelo site www.cvv.org.br via chat, VoIP (Skype) e e-mail santos@cvv.org.br .
Para quem deseja ser atendido pessoalmente, a sede em Santos fica na Rua Campos Melo, nº 189, no Centro.
Ser um voluntário da CVV
Para fazer parte é necessário fazer a inscrição pelo site ou por e-mail e é exigido ter pelo menos 18 anos de idade, ter disposição em ouvir as pessoas e fazer um curso disponibilizado pela instituição antes de atender a algum telefonema.
Os cursos são gratuitos e podem ser acompanhado pelo site da CVV. Eles acontecem duas vezes por ano. Tem uma duração em torno de dois meses para que o voluntário em processo de estágio tenha uma maior compreensão do serviço antes de exercer a função.